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Homilia na Festa das Franciscanas Missionárias de Nossa Senhora PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2016

1.A festa da Família das Franciscanas Missionárias de Nossa Senhora, que hoje celebramos no Santuário de Fátima, convida-nos a louvar a Deus pelo dom maravilhoso da vida, da vocação, do carisma e do testemunho de todos os membros desta numerosa família.

Na Eucaristia, Jesus Cristo presente no meio de nós, como ontem de forma tão bela e tão insistente nos foi lembrado aqui ao lado no Congresso Eucarístico Nacional, leva-nos a fazer a experiência da vitória de Jesus sobre o pecado e sobre a morte, fazendo-nos entrar no mistério da morte e da vida do Ressuscitado, de quem somos discípulos missionários.

 

Deus está connosco. Veio para salvar o mundo e para nos ensinar a amar com desvelo de misericórdia o mundo que queremos servir.

Estamos reunidos em assembleia e em família para celebrarmos a grande festa da presença de Deus no meio de nós. Esta festa de família celebrada em pleno Ano Santo da Misericórdia, é também festa jubilar de cada comunidade das Franciscanas Missionárias de Nossa Senhora, aqui presentes. Entrastes neste santuário pela porta santa para que façais de cada comunidade verdadeiro santuário de misericórdia.

Desde o vosso berço, em França, é este amor misericordioso de Deus que vos inspira, vos anima e vos fortalece. A Congregação das Irmãs Franciscanas de Calais, assim era o seu primeiro nome, fundada no séc. XIX, porque, a 30 de maio de 1854, reuniu à volta da Comunidade Franciscana de Calais na diocese de Arras, em França, sete pequenas comunidades anteriores, vindas do séc. XIII e ressurgidas após a revolução francesa. A nova Congregação procurou, assim, imprimir um espírito de unidade e de comunhão, alicerces sólidos de uma só família religiosa, que “nenhuma dificuldade abale”, como pedia a vossa primeira Mãe Superiora, Madre Louise Mabile.

Foi em Ílhavo que nasceu a primeira casa e comunidade em Portugal, quando duas irmãs francesas e duas portuguesas abriram, em 1876, o Asilo-Colégio de Nossa Senhora do Pranto, em homenagem à padroeira dos pescadores. Aí se dedicavam ao cuidado dos pobres e à educação de meninas, sobretudo filhas dos pescadores. Ali se mantiveram até 1910, a quando da expulsão provocada pela implantação da República e lá regressaram mais tarde, onde ainda agora permanecem.

Dali abriram caminhos de presença e de missão em Portugal e nos países de língua oficial portuguesa, desde S. Tomé e Príncipe a Timor. Em nome das dioceses onde estais presentes, e se me é permitido, em nome de todos nós, trago-vos a gratidão da Igreja de Portugal!

2. Vivemos circunstâncias novas da presença da Igreja na sociedade, que desafiam a Igreja a exercer a sua missão num quadro cultural diferente, procurando ler atentamente e com esperança os sinais dos novos tempos. A Igreja é sacramento de salvação neste tempo concreto e sinal vivo da misericórdia de Deus no seio de uma sociedade em mudança.

Lembrai sempre que o vosso carisma fundador se inspira em S. Francisco de Assis. Também ele soube, de forma exemplar, entender os sinais novos do seu tempo e ouvir os desafios de Deus que o convidava a renovar-se, para renovar a Igreja.

Seguindo o exemplo de S. Francisco, de quem guardais o nome e o carisma, procurai primeiramente perscrutar o Espírito de Deus, na oração, para, na autenticidade do que sois como consagradas, merecerdes o futuro que Deus quer para a Família Franciscana.

É e será sempre ao ritmo da missão que se intui e descobre este novo rosto da Igreja, que o Papa Francisco, também ele inspirado em S. Francisco de Assis, nos propõe. Sois chamadas a ser fiéis ao ensinamento de Jesus transmitido pelos Apóstolos, atentas à escuta da palavra de Deus, assíduas à celebração da fé e dos sacramentos e disponíveis para viver a consagração religiosa na vanguarda da missão. Nunca esqueçais que sois Franciscanas Missionárias!

De Cristo aprendei a fidelidade ao Pai e o arrojo profético da fortaleza do Espírito que vos convida ao amor pela missão. Recebido de Cristo, partilhai este amor sempre novo com os alunos dos Colégios, os doentes dos Hospitais e os idosos dos Lares e com tantos pobres e famílias, a quem amais e servis. No horizonte da missão está sempre desenhado o vosso lema: viver o Evangelho à maneira de Francisco de Assis.

3. Portadora de uma mensagem ancorada em Jesus Cristo, uma Congregação Religiosa não deve temer as mudanças do mundo, mesmo quando nos parecem vertiginosas e inesperadas. A mudança cultural tão sentida no nosso tempo não é razão para temer, mas sim um desafio a enfrentar e uma proposta interpelativa para um testemunho feliz da nossa fé e para uma perspectiva missionária da acção pastoral da Igreja nos nossos dias.

Atravessai com alegria a fronteira da esperança. Esta marca missionária que tendes no nome e traduzis diariamente na vida torna-se estruturante para prosseguirdes o caminho e para saberdes interpretar a realidade em chave evangélica. A existência cristã e mais ainda a vida de uma comunidade religiosa tem necessariamente de inscrever a esperança no horizonte do seu caminho e da sua missão.

Uma outra intuição que partilho convosco é a imprescindível dimensão mariana da vossa Congregação. Nossa Senhora é sempre o modelo de quem acredita no projecto de Deus, mesmo que lhe pareça estranho e surpreendente.

Ela, a Mãe de Deus, educa-nos para o dom e para a gratuidade e gera em nós o dinamismo fecundo da missão. Da Mãe de Jesus ouvimos também hoje o oportuno e confiante conselho dado aos serventes da mesa, em Caná da Galileia: “Fazei o que Ele vos disser”(Jo 2,5). Lembrai sempre que sois Franciscanas de Nossa Senhora!

4. Imaginar caminhos novos adaptados ao mundo a que somos enviados para anunciar o Evangelho como prioridade das prioridades, convida-nos a pensar no carisma da cada Congregação Religiosa e no sentido e valor de todos os consagrados (as).

A Palavra de Deus ajuda-nos neste caminho de procura, de vocação e de missão. Também vós, irmãs, deveis “exultar de alegria no Senhor … que vos revestiu com vestes de salvação e vos envolveu com o manto de justiça “ (cf. Is 7, 10-14), como proclamava Isaías, na primeira leitura.

Este júbilo e esta alegria ganham novo sentido e encontram mais encanto no texto do Evangelho, agora proclamado, através da saudação agradecida de Isabel, ao dizer a Maria que a visitava: “Feliz és tu que acreditaste, porque se vai cumprir tudo o que te foi dito da parte do Senhor” (Luc 1,45).

Mas este júbilo e esta alegria são mais explícitos, ainda, no cântico do Magnificat de Nossa Senhora, como cântico de louvor a Deus e resposta comovente às palavras de Isabel: “A minha alma glorifica o Senhor” (cf Luc 1, 46-56).

5. Nossa Senhora, Mãe e Mestra da Fé, ajuda-nos e ampara-nos neste tempo novo em que Deus nos convida à missão: uma missão evangelizadora e profética, comunitária e interventiva, marcada pela alegria e pela misericórdia.

Que a Mãe de Jesus, a Senhora do Magnificat e da Mensagem de Fátima, que aqui se revelou aos pequeninos pastores da Cova da Iria, Lúcia, Francisco e Jacinta, a todos abençoe, proteja e guarde!

Santuário de Fátima, 11 de junho de 2016.

António, Bispo do Porto

 
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