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Homilia nas Ordenações de Diáconos e Presbíteros no Porto PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2016

1.Os evangelhos que se proclamam ao longo destes próximos domingos trazem-nos narrações e ensinamentos a partir do encontro de Jesus com várias pessoas que com Ele cruzaram no caminho para Jerusalém.

Hoje, S. Lucas centra-se no sugestivo diálogo de um doutor da lei que interroga Jesus para o experimentar. E desta iniciativa, presumivelmente sem intenção séria e sem justificação verdadeira, surge uma bela lição, que a todos nos aproveita, e um sábio conselho, que a todos é útil. No termo do encontro, já não é o doutor da lei que interroga Jesus, mas sim Jesus que questiona o doutor da lei e já não é Jesus que responde, mas sim o doutor da lei que abre caminho ao conselho imperativo de Jesus. À pergunta de Jesus sobre quem é o próximo do homem caído em desgraça e deixado à beira da estrada pelos salteadores, responde o doutor da lei: “O que teve compaixão dele” (cf. Luc 10 25,-37). E o doutor da lei recebe de Jesus este mandato: “Então, vai e faz o mesmo” (Luc 10, 37).

Sabemos como faltam, neste tempo de crescente globalização, pessoas que se ocupem e preocupem com os que encontram no caminho, com os que vivem por perto ou por longe e com os pobres a quem ninguém presta atenção ou oferece cuidado.

É este, porém, o tempo de Deus para nós e o nosso tempo para Deus. É este o tempo do desígnio providente de Deus, que é um Deus do encontro, da paciência e da compaixão. Um Deus revelado em Jesus Cristo, rosto da misericórdia do Pai.

Este é, caros ordinandos, o tempo de Deus para vós. Deus, que vos chamou e vos acompanhou no caminho; Deus, atento e presente no vosso caminho de discernimento e de formação; Deus, que hoje vos agradece a atenção que Lhe dais e a vida que Lhe ofereceis

2. Uma ordenação é sempre o epílogo de muitos encontros que Jesus teve, nos caminhos da vocação, com os que vão ser ordenados! Uma ordenação é sempre o prelúdio de uma definitiva entrega a Deus, para bem daqueles a quem Ele nos envia em missão.

Quando, na passada quarta-feira pela tarde, às portas da noite, regressei do encontro que tive com cada um de vós, no mosteiro carmelita de Bande, em Carvalhosa, Paços de Ferreira, fui colocar no coração de Deus aquele dia, que foi longo nas horas e feliz na missão.

Dei-Lhe graças por vós, os que agora entrais nos umbrais da missão. Sede bem-vindos! Sois para todos nós um dom de Deus e um sinal vivo do amor de Deus pelo seu Povo. Sois uma bênção para a Igreja do Porto, para a Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos) e para a Sociedade Missionária da Boa Nova.

3.Caros ordinandos Diogo, Filipe, Júlio Dinis, Vítor e Antonino, que ides ser presbíteros; Bruno Miguel, Fernando, Marco e Constantino, que ides ser diáconos, a caminho do presbiterado:

Sois ordenados no Ano jubilar da Misericórdia. Compreendeis que vos peça que nunca o esqueçais! A misericórdia tem de moldar por dentro o vosso ministério e dar conteúdo à vossa missão!

Reli, a pensar em vós, os textos da homilia e das meditações do Papa Francisco no retiro do jubileu dos sacerdotes, em Roma, no passado dia 3 de junho, na Solenidade do Coração de Jesus, dia particularmente dedicado à oração pela santificação dos sacerdotes.

Aos milhares de seminaristas e de sacerdotes que se congregaram na praça de S. Pedro para a Eucaristia, na manhã daquele dia, o Papa Francisco perguntava para “onde deve apontar a bússola de um coração sacerdotal? Qual é o tesouro que o sacerdote procura?”

Aconselhava-nos, nesse dia, o Papa Francisco a dedicarmo-nos por inteiro à missão, a centrarmo-nos em Jesus e a descentrarmo-nos de nós mesmos. Somos ungidos para o povo, para estar perto do povo, para viver com o povo. Ser sacerdote significa ser ministro da comunhão, saber dar as mãos, conseguir unir, procurar incluir, ser capaz de uma infinita paciência, de uma inesgotável proximidade, de uma permanente fraternidade e de uma intocável serenidade (cf. Homilia 3.6.2016).

Uma das qualidades que o Papa Francisco mais recomendou nesse encontro jubilar foi a capacidade de alegria, da alegria que nasce do perdão, da vida que ressurge, dos irmãos que se unem e se reúnem. A alegria de Jesus, Bom Pastor, não é uma alegria por Si mas uma alegria pelos outros e com os outros. Esta deve ser também a alegria do sacerdote (cf. Homilia 3. 6. 2016).

4. Lembro-vos, finalmente, caros ordinandos, o que dizia Moisés ao povo de Israel, na primeira leitura: “Escutarás a voz do Senhor, teu Deus, cumprindo os seus preceitos e mandamentos. Este mandamento que hoje te imponho não está acima das tuas forças nem fora do teu alcance…Esta palavra está perto de ti, está na tua boca e no teu coração para que a possas pôr em prática” (cf. Dt 30, 10-14).

Esta é, também por isso, uma hora de acção de graças a Deus e de gratidão aos vossos pais e famílias, párocos, comunidades, Escolas, Seminários, Universidade Católica, Famílias de consagração religiosa ou de vida apostólica e a todos quantos vos acompanharam nesta tão bela e promissora caminhada.

A alegria desta assembleia tão numerosa e o testemunho feliz de tão expressivo número de sacerdotes, aqui presentes, são o melhor hino de gratidão a Deus pelo dom que vós sois para todos nós e para a Igreja que servimos.

A vida e a missão da Igreja e a construção de um mundo melhor precisam de novos operários. Precisam de vós! É necessário partir já, com alegria, com prontidão e com confiança. Deus precede-vos no caminho.

5. Que Nossa Senhora, a Mãe sempre presente, vos abençoe, vos guie e vos proteja, dando-vos a alegria da generosidade e a coragem da fidelidade.

Porto, Catedral, 10 de julho de 2016

António, Bispo do Porto

 
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