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Homilia na igreja de Santa Maria do Marco de Canaveses PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2016

Foto: Rui Martins / www.snpcultura.org1.Os evangelhos que se proclamam ao longo destes próximos domingos trazem-nos narrações e ensinamentos, a partir do encontro de várias pessoas com Jesus, que com Ele cruzaram no caminho para Jerusalém.

Hoje, S. Lucas fala-nos do sugestivo diálogo de um doutor da lei que interroga Jesus para o experimentar. E desta iniciativa surge uma bela lição que a todos nos aproveita e um prático conselho, que a todos é útil. No termo do encontro, já não é o doutor da lei que interroga Jesus, mas sim Jesus que questiona o doutor da lei. À pergunta de Jesus sobre quem é o próximo do homem caído em desgraça e deixado à beira da estrada pelos salteadores, responde o doutor da lei: “O que teve compaixão dele” (cf. Luc 10 25,-37). E a recomendação de Jesus não se fez esperar: “Então, vai e faz o mesmo” (Luc 10, 37).

 

 

Vim, hoje, ao vosso encontro, para rezarmos juntos e para celebrarmos a Eucaristia. Somos uma comunidade congregada à volta do altar e reunida para escutar a Palavra de Deus e se alimentar do Corpo de Cristo, por nós entregue, e do Seu Sangue, por nós derramado, cumprindo o memorial vivo da Última Ceia de Jesus, no Cenáculo de Jerusalém.

Este momento é tempo de encontro com a família paroquial de Santa Marinha de Fornos, no coração da cidade do Marco de Canaveses e encontro, também, com a memória abençoada e com o testemunho cristão dos nossos antepassados, que ao longo da história foram edificando templos cristãos, em cada tempo e em cada lugar.

A obra que, há vinte anos, D. Júlio Tavares Rebimbas dedicou a Deus para ser templo cristão, constituiu-se, agora, lugar sagrado, onde Deus diariamente se reúne com o Seu povo.

Saúdo-vos, irmãos e irmãs, desta Paróquia de Santa Marinha de Fornos, no Marco. Foi para vós e com a vossa fecunda generosidade que este templo foi pensado e concebido, projectado e construído. Sei do sonho sublime, embalado desde o início, da ousadia corajosa do projecto, da maestria do seu arquitecto e da persistente entrega e reconhecido zelo dos sacerdotes que aqui foram párocos neste arco do tempo. Damos graças a Deus!

 

2. Ao evocarmos o dia em que dedicámos a Deus este templo sagrado e consagrámos o altar desta igreja matriz da cidade do Marco queremos lembrar que ela é para nós, a partir daí, lugar da celebração da fé e dos sacramentos, casa da família cristã e escola de comunhão de toda a paróquia.

Rezamos, aqui, hoje, para que, iluminados pela beleza impressionante da luz natural, que de Deus nos vem, e olhando através da janela rasgada na parede larga voltada para a cidade, de onde se vê o horizonte da terra e do céu que nos envolvem, se confirme a nossa fé, se revigore a nossa esperança e se aumente o nosso amor a Deus e o nosso serviço à Humanidade.

Sabemos todos que não é apenas o esforço humano, o avanço científico e o progresso técnico que trazem luz, esperança e futuro ao mundo. Mas sabemos, igualmente, como é bom estar presentes nesta vastíssima geografia da cultura, do talento e do engenho humanos para abrir novas clareiras ao diálogo entre a fé e a razão e estabelecer pontes entre o culto e a cultura. Só assim daremos lugar à beleza, que em nós mora, como caminho de aproximação de Deus e faremos da nossa vida lugares de beleza, como nos pedia o Papa Bento XVI, em 12 de maio de 2010, no Centro Cultural de Belém.

A fé é uma chama pequena, minúscula, mas é sempre mais forte do que a escuridão, que se vive no nosso tempo de crise do pensamento, de fragilidade das instituições e de colapso de valores. Esta Igreja nova é prova desta chama de luz, que devemos fazer brilhar para que um amanhã novo de fé, de esperança e de amor comece a irromper no horizonte da nossa terra e no coração das suas gentes.

Sem nunca se afastar do traço inicial da sua primeira finalidade que consiste em ser templo cristão para uma comunidade que reza e cresce, ela constitui um polo aglutinador entre a fé e a procura da beleza nas sendas do talento e da arte, que são, também, caminho de encontro com Deus.

Aqui está presente o talento internacionalmente reconhecido e universalmente respeitado do seu autor, o arquitecto Álvaro Siza Vieira, que assim vincula o seu nome para sempre à nossa Terra e nos honra a todos nós.

Cumpre-nos, depois de tantos e demorados anos de esforços heróicos, retomarmos forças para levarmos por diante e concluirmos tão audacioso projecto. Aqui estamos todos, para, com o nosso Pároco, com a colaboração determinada de colaboradores incansáveis, com a generosidade nunca esgotada no coração dos crentes das Terras de Canaveses e com a compreensão das autoridades, instituições e empresas locais cumprirmos dignamente os encargos assumidos, para que a Igreja aqui construída irradie a beleza da fé e a alegria da comunhão em todos os horizontes desta nova cidade. Esta igreja é sinal cristão bem visível a dizer-nos que aqui habita o Deus de Jesus Cristo. Bastará uma centelha de confiança e uma semente de generosidade, por mais pequenas que sejam, para que também, a partir daqui, se iluminem de fé e brilhem de júbilo a Cidade do Marco e a Igreja do Porto.

A Igreja não se abre apenas aos que entram pela grande porta que nos acolhe à entrada e nos recebe no interior amplo, belo e digno deste templo, onde Deus habita e a comunidade cristã se congrega. A Igreja abre-se, também, para o exterior, a novos átrios de cultura e a criativos caminhos de missão, franqueados a todos, sem excepção, para acolher os que procuram Deus, de tantas formas e por caminhos tão diversos. Percebemos que, daqui, se vê, com um olhar aberto e lúcido, o mundo a evangelizar e se pode dialogar, de maneira nova, com a cultura do nosso tempo.

Irmãos e irmãs: edifiquemos, também nós, com zelo renovado, alento novo, entusiasmo acrescido e abertura à missão evangelizadora a Igreja de pedras vivas, que todos somos desde o batismo.

Que esta Igreja matriz, situada no coração desta jovem cidade do Marco, nos inspire este jeito humilde, sereno, compassivo e dialogante de acolher e conviver como irmãos e nos incentive este zelo evangelizador e missionário da Igreja, aberta ao mundo, nestes tempos novos em que vivemos o Jubileu da Misericórdia, a que o Papa Francisco nos convoca.

Hoje somos, também nós, convocados para celebrar na Sé do Porto- Igreja mãe de todas as igrejas da Diocese a ordenação de cinco novos sacerdotes e de quatro diáconos. Demos graças a Deus por eles e com eles! Eles ajudam-nos a compreender que somos chamados a ser pedras vivas do templo do Senhor e servidores incansáveis, disponíveis e generosos da sua Igreja.

 

3. Que Santa Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe, a quem quisestes dedicar esta nova Igreja e constituí-la nossa padroeira, nos abençoe e proteja com a sua intercessão.

 

Marco de Canaveses, igreja de Santa Maria, 10 de julho de 2016

António, Bispo do Porto

 

Foto: Rui Martins / www.snpcultura.org

 
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