Faixa publicitária
25º Aniversário da visita de João Paulo II à cidade do Porto PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Notas Pastorais

Ao passarem vinte e cinco anos sobre a memorável visita do Papa João Paulo II ao Porto, facto único nos anais da Cidade Invicta, julgo oportuno retomar o essencial do seu discurso então proferido, ligando-o às actuais circunstâncias locais e regionais.*
Têm sido reconhecidas e analisadas as dificuldades sociais e económicas da região, em especial no que toca às empresas e ao desemprego de muitos trabalhadores. Igualmente se verificam novos surtos emigratórios, em busca do trabalho que aqui escasseia. Reconhecem-se abandonos da escolaridade, atrasos na qualificação técnica e lacunas na formação especializada, precisamente onde mais urgentes elas se tornam para o desenvolvimento. Sentem-se desencantos e desmotivações, por vezes muito precoces, em relação às perspectivas de vida, com reflexos negativos no campo da constituição e sustento da vida familiar e da disponibilidade para a participação social criativa. As boas notícias são poucas nestes campos interligados e envoltas num tom geral de apreensão sobre as capacidades da região e do país.
É certo que uma visão mais atenta do que se passa com muitos concidadãos nossos e nas suas vidas pessoais, associativas e institucionais, nos faz reconhecer que também não faltam compromissos e gestos solidários. Como se destaca e louva o trabalho generoso de tantas instituições – em grande parte ligadas à Igreja Católica -, no atendimento e ajuda às diferentes necessidades, ao longo da vida de pessoas e famílias. Também se sublinham os estudos e propostas concretas para a ultrapassagem positiva das dificuldades presentes, provenientes de instituições académicas, administrativas, autárquicas e sócio-profissionais, além dos contributos de valiosas reflexões pessoais.
É neste contexto que lembro o ponto essencial do discurso do Papa João Paulo II no Porto, há um quarto de século: a dignidade da pessoa humana, como referência constante da análise que se faça e da solução que se procure em qualquer situação social e económica. Dirigindo-se directamente aos trabalhadores, o Papa dizia-o assim: “A dignidade da própria pessoa que trabalha há-de ser a base e o critério a ter presente, quando se trata da avaliação de qualquer espécie de trabalho manual ou intelectual”.
A consequência efectiva deste critério reside em que os intervenientes no processo de desenvolvimento, mesmo quando se tenha de proceder a grandes alterações, deslocações e até substituições e dispensas no quadro das empresas e serviços, devem pensar em alternativas viáveis para todos os eventualmente afectados, tendo em conta, aliás, as respectivas idades e famílias, além de outras circunstâncias pessoais. E, neste ponto, as autoridades públicas, primeiras zeladoras do bem comum, têm certamente de apoiar os particulares, quer empregadores quer empregados.
Para mais, o trabalho, sendo certamente um meio de justa e digna subsistência, é também o caminho próprio da realização humana, devendo ser encarado como um bem social de primeira ordem. Garantir trabalho, promover a habilitação escolar e profissional, desenvolver a formação contínua – convencendo delas os próprios trabalhadores, para si e para os seus filhos – e obviar à ociosidade forçada, tudo são garantias de uma sociedade realmente desenvolvida. Longe de serem um dispêndio mais para quem tenha de gerir os recursos públicos ou privados, são o melhor investimento social e económico a médio e longo prazo e caracterizam uma sociedade saudável, a nível local, regional ou nacional e até europeu. Assim continuava o Papa, referindo-se especificamente ao emprego e ao desemprego: “Por isso, a consideração dos valores subjectivos e sociais do trabalho requer que em toda a comunidade política seja reconhecida não só a importância do trabalho mas o próprio direito ao trabalho, tudo se tente no sentido de eliminar o desemprego e o sub-emprego”.
Estou certo de que os portuenses e portugueses recordam com gosto a inolvidável visita do Papa João Paulo II, há vinte e cinco anos. E que as palavras que então nos deixou iluminarão muitos dos que, nas circunstâncias actuais da sociedade e da economia, não desistem de criar um futuro em que a humanidade geral e de cada um seja o primeiro valor a garantir e promover. Uma sociedade em que caibamos realmente todos.


Porto, 15 de Maio de 2007

+ Manuel Clemente
(Bispo do Porto)                   

*Cf. Discurso do Papa João Paulo II aos trabalhadores na Avenida dos Aliados. Igreja Portucalense, 2ª série, 3: 7 (Jan. – Abr. 2005) 66-73.

 
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Quer receber as nossas novidades no seu e-mail? Subscreva a nossa Newsletter especificando o seu endereço de e-mail:

D. António Francisco dos Santos fala sobre o padre Joaquim Cunha, sacerdote mais idoso de Portugal

Decreto Sobre as Virtudes do Servo de Deus ANTÓNIO JOSÉ DE SOUSA BARROSO Bispo do Porto e Missionário
2017-07-25 11:34:15
Texto
2017-07-20 17:35:49
Word
2017-07-20 17:35:10
Powerpoint + PDF
2017-07-11 14:08:03
Faixa publicitária
Faixa publicitária


© Diocese do Porto, Todos os Direitos Reservados.