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Documentos - Homílias 2009

PARA A GLÓRIA DE DEUS E A SALVAÇÃO DO MUNDO!

“Naquele tempo, Jesus chamou…”. Assim começava o Evangelho que ouvimos e assim continua no seu constante acontecer. A primeira verdade da Igreja – primeira no tempo e primeiríssima na substância – é precisamente a de ser chamada, convocada por Cristo, por iniciativa do Pai e na atracção do Espírito.
Nada, caríssimos irmãos ordinandos e todos os presentes nesta catedral do Porto, absolutamente nada do que aqui se desenrola aconteceria sem a convocação que Cristo faz de nós: “Naquele tempo, Jesus chamou…”. Oiçamos agora a sua voz e entendamo-nos a todos e a cada um dos que aqui estamos a partir dela, tão essencial como definitivamente. A partir de Cristo que chama.
Caríssimos ordinandos: - Como se realizou e realiza em cada um de vós este enunciado?! Estou certo de que, no caminho exterior e interior que trilhastes até agora, o chamamento de Cristo, para em vós e através de vós actualizar a sua imensa caridade pastoral, se revela ainda mais audível e tangível. Muito cedo ou já depois, nas vossas mesmas biografias, alguma passagem evangélica, alguma celebração ou oração, alguma interpelação concreta, manifestaram-vos a presença do Ressuscitado e a sua vontade a vosso respeito. Este chamamento e a vocação específica, confirmados pelo discernimento eclesial, trouxeram-vos hoje aqui. E assim vos sustentarão na vida, nas tarefas concretas que vos forem atribuídas, dentro da missão comum da Igreja, quais sacramentos de Cristo Pastor. Neste sentido pleno, a celebração que fazemos convosco é um momento sem fim.
Prenúncio do realismo sacramental que acentuamos, fora já na primeira Leitura a convicção de Amós: “Foi o Senhor que me disse: ‘Vai profetizar ao meu povo!’”. De pastor de gado e cultivador de sicómeros, tornara-se forte voz e insistente, lembrando ao povo a verdade de Deus, tão facilmente esquecida, tão necessariamente recordada. Assim se resumia e garantia e por isso lhe guardamos o nome e a profecia, luminosos e consistentes entre as sombras e poeiras de mil acontecimentos seus coetâneos. Porque se deixou do que antes fora, ganhou-se na voz que só perdura: a do próprio Deus, que nos cria e assim recria.
Realismo profético, realismo pastoral: hoje como há tantos séculos, o que vale a pena dizer, o que vale a pena fazer. – Vós o sabeis muito bem, caríssimos ordinandos, que vos seleccionastes de tantas outras vozes contraditórias e aqui vos definis numa única orientação da vida – na orientação pastoral e sacerdotal das vossas vidas!

Orientação “sacerdotal” das vossas vidas, neste ano que particularmente sublinha tal feição dos padres de sempre, para louvor de Deus e santificação do seu povo. Como ouvíamos ao Apóstolo, fomos “predestinados para sermos um hino de louvor da glória de Deus”. – Que bela coincidência é esta, sendo tudo acolhimento completo e retribuição perfeita da divina glória!
Quando não houver momento nem recanto das nossas vidas que não reflicta a bondade do Deus que nos sustenta, como ao mundo inteiro o quer fazer; quando não houver em nós senão acolhimento e retribuição de tudo quanto recebemos e só na devolução se perpetua, como Cristo no Pai e no amor do Espírito. Povo sacerdotal então, em arco perfeito de consagração das vidas, porque só de Deus para Deus nos realizaremos afinal, como magnificamente ensinou Santo Ireneu: “A glória de Deus é o homem vivo e a vida do homem é a visão de Deus”.
E aqui mesmo vos incluís especialmente vós, caríssimos ordinandos, como sinais vivos de Cristo sacerdote. Nele se revelou inteiramente a verdade sacerdotal da vida, como consagração e oferta ao Pai, em si mesmo e por todos nós. Permiti então que o Espírito sacerdotal de Cristo vos assuma também, em permanente consagração de louvor e intercessão: pela Liturgia das Horas alimentando os dias, pela celebração de cada sacramento, pela presidência eucarística, onde tendes o primeiro lugar do serviço. Oferecereis a Cristo a voz e a figura que hoje sois, para levardes o povo de Deus à mesma disposição e entrega, em movimento sacerdotal também.
Nas vossas vidas e na vida de quantos vos forem confiados, ecoará final e unicamente “um hino de louvor da glória de Deus”. E com iniludível urgência, para que, como sociedade em geral, nos possamos unir mais acima de quanto nos separe ou divida. Ofício sacerdotal de absoluta actualidade e que constitui decerto um dos maiores contributos que a Igreja oferece, através dos seus padres, à terra portuguesa como ao mundo em geral. – Nem conseguiríamos imaginar o que (não) seríamos, se desaparecesse, semana a semana, a única ocasião em que nos (re)encontramos em tão considerável número, de idades e condições tão diversas, como gratuitamente sucede na Eucaristia dominical! E tal acontece porque Cristo Sacerdote continua vivo e a fazer de cada padre o sinal vivo da sua presença agregadora e salvadora, enquanto o mundo for mundo. Para “louvor da glória de Deus”!

Mas o trecho evangélico continuava assim: Jesus “começou a enviá-los dois a dois”. Esta hora, caríssimos ordinandos, é uma hora de envio, porque, longe ou perto, há sempre vida a oferecer ou a recuperar, na caridade de Cristo. Trata-se duma geografia essencialmente interior, distinguindo-se nisto das habituais projecções humanas.
Para este Ano Sacerdotal o Santo Padre evidenciou-nos a figura e o exemplo de São João Maria Vianney, o Santo Cura de Ars. Poucos foram tão longe como ele, no “envio” constante à alma de cada um, por mais afastado que estivesse; e quase todos estavam muito “longe”, na pequena paróquia que lhe foi confiada. Mas, em quatro décadas de geografia tão territorialmente fixa e limitada, quantas “viagens” fez ele em cada dia, da madrugada à noite, na Eucaristia, na catequese, na caridade e muito especialmente no exíguo e imenso confessionário em que administrava a Penitência!
O envio sacerdotal e pastoral que acolheis agora, caríssimos ordinandos, é essencialmente desta ordem, como movimento interior até ao coração de todos e de cada um. Assim foi com Cristo, cujo horizonte universal se concentrou entre Nazaré e Jerusalém. E ainda que, como Paulo, palmilhássemos milhares de quilómetros, seria ainda interior a viagem, porque divino é o envio e espiritual é a missão.
Aliás, a nova realidade da missão - sem descurar a tradicional dimensão “ad gentes”, que se vai tornando sobretudo inter-eclesial - abre-nos àquela urgência que João Paulo II indicava como “nova evangelização”. E esta incide, como sabemos, naqueles meios e sectores de antiga cristandade que foram perdendo a intensidade da fé ou já nem conhecem verdadeiramente a Cristo e ao seu Evangelho.
Na nossa Diocese do Porto sentimo-nos particularmente enviados a estas realidades de ao pé da porta ou mesmo de portas adentro. Das famílias às empresas, das escolas aos variados campos da solidariedade e da cultura: tantas realidades a tocar de novo e com “novo ardor, novos métodos e novas expressões”, a partir das nossas comunidades cristãs, que hão-de ser redobradamente criativas e fecundas!
Contamos convosco, caríssimos ordinandos, como contamos com todos os sacerdotes e diáconos, seculares e religiosos; com todos os consagrados e consagradas, com todos os fiéis leigos e militantes, com todos os movimentos e associações presentes nesta nossa vetusta e sempre jovem Igreja Portucalense. Contamos convosco, para animardes os que vos forem pastoralmente confiados, neste irrecusável caminho de Evangelho e missão.
A Missão Diocesana a que insistentemente nos dedicaremos em 2010 espera o contributo de todos, e em especial dos que são sinais vivos de Cristo sacerdote e pastor. Começai a dá-lo desde já, com a oração que sustenta e inspira toda a missão da Igreja.

E sempre em Igreja. Reparastes como o Senhor os enviou “dois a dois”: com o rosto de cada um, é em conjunto que nós somos. A vossa ordenação é acção do Espírito, no Corpo de Cristo que a Igreja constitui. É este o nosso lugar originário, é esta também a nossa condição de presbitério. Nele integrados pelo sacramento, assim mesmo manifestareis e alargareis a nossa unidade essencial. Presidindo à Eucaristia, estareis no centro da comunhão da Igreja, como sinais vivos de Cristo, cabeça, sacerdote e pastor. Em vós ecoará a sua palavra, por vós se activará a reconciliação que nos trouxe, por vós se alargarão a caridade e a vida que o Espírito irradia.
Sereis o rosto do Bom Pastor, que conhece e reúne as suas ovelhas. Em vós pulsará o seu coração, que por elas dá a sua vida, unindo sacerdócio e oferta, no sentido mais substancial e existencial dos termos. É precisamente assim que a Igreja vos ordena. - É também assim que vos espera o mundo de hoje, que fundamentalmente anseia por unidade, reconciliação e paz!
Contai connosco. – Como todos contamos com Deus e com cada um de vós!

Sé do Porto, 12 de Julho de 2009, Eucaristia e Ordenações
+ Manuel Clemente

 
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