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Encerramento da Visita Pastoral à Paróquia de Esmoriz - D. João Lavrador, Bispo Auxiliar PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homílias 2009

Rev.mo Senhor Padre Fernando Campos, Pároco da Paróquia de Esmoriz
Rev.mo Senhor Vigário
Rev.mos Senhores Padres
Senhor Presidente da Junta de Freguesia
Senhor Comandante dos Bombeiros Voluntários
Ex.mas Autoridades
Prezados irmãos e irmãs

A Palavra do Senhor, hoje, proclamada na nossa assembleia, começa por nos colocar perante a realidade sensível das cruciais perguntas existenciais com as quais se confronta o ser humano que profundamente reflicta sobre a sua realidade pessoal e realça a situação de fragilidade, de carência e de debilidade, que caracteriza a vida da pessoa, quer individual quer socialmente. A figura de Job, com a sua meditação dum pessimismo existencial e a realidade da sogra de Pedro a necessitar de cura, são o protótipo de todo o homem que seriamente se deixe tocar no mais profundo da sua pessoa.
É neste contexto, que surge a palavra do Evangelho, Boa Notícia, a revelar a acção de Jesus Cristo que vem ao encontro do ser humano para, tocando a sua existência, lhe restituir a sua dignidade pessoal e a chamar à experiência da vida nova que só Jesus Cristo poderá oferecer. É Jesus Cristo Ressuscitado que, inserindo-se na vida de cada homem, o faz saborear a beleza da presença de Deus e a alegria de poder participar no seu amor.
Esta experiência que Paulo fez, impele-o a ir ao encontro dos seus irmãos anunciando-lhes a Boa Notícia de Jesus Cristo vivo, o único salvador. Usa como método para chegar até eles, o fazer-se como eles, tal é a paixão por Jesus Cristo e o amor que revela por todos os seus concidadãos.
Encontrando Jesus na comunhão profunda com Deus Pai, os discípulos levam-lhe o clamor de todos os homens e mulheres, não só do seu tempo, mas de todos os tempos. Sim, tal como naquela época, tal como em todas as épocas da história, hoje, no meio de uma linguagem nem sempre fácil de decifrar, na sensação de uma ruptura da cultura com a Transcendência, no meio de tantas contradições, toda a criatura humana continua à procura de Jesus Cristo.
Conhecer a realidade do nosso mundo, estar atento ao clamor dos pobres e dos que sofrem, entender as linguagens pelas quais os nossos contemporâneos nos gritam na ânsia da cura do seu ser, esperando que lhes seja restituída a sua dignidade de filhos de Deus, perdida pelo pecado, e obscurecida pela liberdade mal orientada, eis a tarefa que nos é colocada nas nossas mãos de discípulos de Jesus Cristo. A pessoa humana sedenta de Amor, de amor absoluto, reclama de nós que lhe ofereçamos com o testemunho da nossa vida, o Amor redentor de Deus, que Jesus nos oferece.
O caminho da evangelização é-nos dado por S. Paulo: «Livre, como sou, em relação a todos», diz-nos ele, «de todos me fiz escravo, para ganhar o maior número possível. Com os fracos, tornei-me fraco, a fim de os conquistar. Fiz-me tudo para todos, a fim de ganhar alguns por todos os meios». É o permanente mistério da encarnação sem o qual não se poderá realizar uma verdadeira evangelização. Mistério esse retractado nas palavras de S. Paulo, «Ele que era de condição divina, não se valeu da sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo» (cfr.Fil. 2, 5-7), dá-nos a orientação para o anuncio do Evangelho ao homem de hoje. Estar com ele, tocar a sua existência, amá-lo na sua realidade concreta, são condições fundamentais para quem for discípulo de Cristo. Bela a vocação, exigente  a missão. Fazer da nossa vida um serviço permanente aos irmãos, eis o caminho certo para o anuncio da Boa Nova.
Ao longo desta semana, tive a graça de contactar com as diversas realidades eclesiais, socio-culturais e humanas, laborais e de serviço público. Agradeço o acolhimento que me prestaram e a alegria com que me receberam.
Tive ocasião de contactar com os diversos grupos da paróquia, crianças da catequese e seus catequistas, grupos Bíblicos, Equipas de Nossa Senhora e Rosaristas, Jovens e Acólitos, Escuteiros, Leitores, Ministros Extaordinários da Comunhão, membros do Coro, Zeladoras e membros das Conferências de S. Vicente de Paulo, e Cursos de Cristandade. Pude apreciar uma Comunidade Viva, organizada e capaz de responder às exigências da vida pastoral renovada, atendendo à corresponsabilidade de todos os cristãos, tal como nos interpela o Concílio Vaticano II.
O acolhimento que recebi das autoridades públicas, testemunhando a missão comum de trabalhar pela promoção da dignidade humana e pelo bem da sociedade, e das associações que incansavelmente se dedicam ao bem de todos os necessitados- refiro-me aos Bombeiros Vountários, à APDAFT e ao Lar da 3ª Idade, são a garantia de que o homem é verdadeiramente o centro da nossa acção comum. Quanto esforço, coragem, espirito de sacrifício e de generosidade encontrei nas pessoas que aí dedicam o seu tempo e o melhor das suas energias. Quanto apreciei a dedicação e empenho dos profissionais do Centro de Saúde.
A Igreja reconhece e valoriza todos os esforços gastos para que o trabalho esteja acessível a todos. O trabalho é uma dimensão imprescindível da realização pessoal. Foi com alegria que pude observar, num conjunto alargado de empresas, o empenho por criar verdadeiras relações familiares entre todos os que aí trabalham, formando uma autêntica comunidade, o esforço de inovação e a garra por ultrapassar as dificuldades e a promoção do bem de todos. Em tempos tão conturbados, realço este facto como digno da nossa melhor consideração.
Mas a preciosidade desta visita pastoral, permitam-me que o diga, foi o contacto com os doentes, os idosos e os mais necessitados. A sua alegria, os seus desabafos, o seu carinho e a certeza da sua oração, permitiram-me a experiência sensível da predilecção de Jesus Cristo por eles. Estas pessoas devem estar no centro das nossas preocupações, da Igreja e das autoridades públicas. Pelo que contactei, tenho de o afirmar com toda a verdade, temos de fazer mais por elas. As pessoas acamadas, as mais necessitadas e mesmo as que estão em centros de dia, precisam que se olhe por elas, oferecendo-lhes as condições a que têm direito. Permitam-me que lance este apelo aos poderes públicos, a vós cristãos e a todos os que ocupam cargos de responsabilidade nesta área da vida social. Uma pessoa em condições de limitação como estas não pode viver na incerteza do que lhe poderá vir a acontecer no dia de amanhã.
Fiquei sensibilizado pelo trabalho que se realiza nas escolas do Agrupamento Florbela Espanca e fascinado pelo olhar brilhante das crianças que aí procuram rumos para a sua vida.
Mas, sobretudo, foi para mim muito gratificante o modo tão carinhoso com que vos relacionais com o vosso pároco, o Senhor Padre Fernando Campos, nutrindo por ele uma invulgar estima, que bem merece pela dedicação pastoral que tem oferecido a esta paróquia de Esmoriz. Que o Senhor lhe continue a dar saúde para orientar esta comunidade por muitos anos.
Mas é também meu dever lançar algumas interpelações.
Estamos em tempos de grandes mudanças culturais que afectam profundamente a vida cristã e lançam enormes desafios à actividade pastoral da Igreja. Importa estar atentos e, à luz, do Evangelho e à luz do Espirito Santo, discernir os Sinais dos Tempos. Este é trabalho de todos na comunidade cristã. Permitam-me, então, que vos deixe algumas interpelações:

  • Continuar a crescer na comunhão e na corresponsabilidade eclesiais, nomeadamente pela promoção do Conselho Pastoral Paroquial e do Conselho Económico Paroquial ;
  • Criar clima de florescimento vocacional na paróquia, onde Jesus Cristo possa chamar jovens para a vida sacerdotal, religiosa, missionária e matrimonial;
  • Acompanhar, com uma pastoral familiar adequada, as famílias, procurando resposta à família em todas as suas circunstâncias.
  • Sendo uma paróquia onde estão implantadas tantas industrias, dever-se-ia promover grupos de cristãos que à luz da Doutrina social da Igreja, reflectissem a sua actuação como cristãos no meio laboral;
  • Há um número considerável de professores e de alunos que frequentam as escolas sediadas no âmbito da paróquia. Contando com vários professores e muitos alunos católicos,  dever-se-ia promover uma autêntica pastoral escolar.
  • A defesa da vida é tarefa de todos, mas exige alguma organização para poder sensibilizar a sociedade para esta causa, em tempos em que a vida humana é tão ultrajada.
  • Dada a descristianização da sociedade, onde muitos dos nossos contemporâneos perdem as referências à fé, importa promover a catequese de adultos em modelo catecumenal, propondo uma autêntica iniciação cristã dos que, pese já baptizados, não possuem experiência de vida cristã.


Por último, convidar toda a comunidade cristã, a colocar-se em atitude de escuta da voz do seu Pastor, o nosso Bispo, que nos lança o convite à missão 2010, traduzida na consciência de cada cristão, de cada grupo e movimento, e de cada comunidade, que, sendo discípulo de Jesus Cristo, deve assumir a missão da Igreja no mundo.
Coloquemos o nosso olhar em S. Paulo, o modelo de Evangelizador, e deixemo-nos cativar por ele.
Termino, implorando de Nossa Senhora, aqui invocada como Nossa Senhora da Assunção, que abençoe esta paróquia, as suas famílias, crianças, jovens, adultos e idosos, e nos acompanhe pelos caminhos que levam à evangelização do mundo de hoje.
Amen.

+ João Lavrador
Bispo Auxiliar do Porto

 
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