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Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homílias 2006

Celebramos a Solenidade de Nossa Senhora da Conceição, Padroeira principal de Portugal.
Duas imagens sublimes nos ajudam a compreender melhor o "mistério de Maria Imaculada".
A primeira imagem está contida no relato que nos faz o livro do Génesis. O primeiro homem comeu do fruto proibido. E fugiu das vistas de Deus. Como se fora possível. Mas Iaweh foi à procura ele: Adão, onde estás? Tive medo, porque estava nu e fugi.
Segue-se o anúncio um tanto misterioso - e a que se chamou proto-evangelho - dirigido à mulher. Ela desculpou-se com a tentação da serpente: A serpente enganou-me e eu comi . Então Deus disse à serpente:
Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua linhagem e a linhagem dela. Ela te esmagará a cabeça.
Aqui começou, em linguagem simbólica, o drama da humanidade: O homem a desculpar-se com a mulher, a mulher a lançar as culpas para a serpente e os dois a fugirem com medo de Deus.
O drama humano continua nos nossos dias.
Adão foge de Deus. O homem não confia em Deus. Tentado pelas palavras da serpente, alimenta a suspeita de Deus, vê n'Ele um concorrente. O homem moderno vai muitas vezes na onda de que ter Deus a nosso lado é uma dependência e quer libertar-se a todo o custo dessa dependência. Quer ir buscar ele mesmo à árvore da ciência o poder de fazer o mundo pelas suas próprias mãos, sem nenhuma ligação ao Criador. Não quer contar com o amor, mas unicamente com a ciência, dado que ela lhe confere o poder (cf. Bento XVI, 8 de Dezembro de 2005).
Nas palavras de Bento XVI, esta história do princípio do mundo é a história de todos os tempos e significa que todos trazemos dentro de nós próprios uma gota de veneno daquele modo de pensar. A esta gota de veneno chamamos pecado original.
O pecado original foi um veneno que entrou na estirpe humana.
A segunda imagem está contida no evangelho de S. Lucas.
A mulher, Eva , foi conivente na culpa original. Por isso, Deus quis que fosse outra Mulher, Maria, o princípio da realização da promessa de um Redentor, dando à luz o Novo Adão. Daí que o anúncio obscuro do proto-evangelho seja mais bem explicado na narrativa de S. Lucas sobre a visita do Anjo Gabriel: Ave, ó cheia de graça, o Senhor é contigo, bendita és tu entre as mulheres.
Deus foi buscar uma outra estirpe , sem o veneno original, para que dela surgisse uma raça nova. Maria é o primeiro elo dessa cadeia que tem o seu centro em Cristo nascido de uma mulher . Porei inimizade entre ti (serpente) e a mulher (Maria), entre a tua descendência e a descendência dela.
A descendência de Maria é Cristo. Ela é a IMACULADA.
A saudação do Anjo faz-nos ver que Maria traz em si o grande património de Israel, ela é o"santo resto de Israel", ao qual se referiram frequentemente os profetas.
O Senhor habita nela e nela encontra o lugar do seu repouso. Ela é a casa viva de Deus. Ela é o rebento que, na obscura noite invernal da história, brota do tronco abatido de David. Ela é o botão do qual deriva a árvore da redenção e dos redimidos. Deus não fracassou, como poderia parecer já no início da história de Adão e Eva. Na humilde casa de Nazaré vive o Israel santo, o resto puro. Deus salvou e salva o seu povo ( Bento XVI, 8/12/05, pág. 2).
S. Paulo escreveu: Pela falta de um só homem resultou a condenação de todos os homens. Mas também pela obra de justiça de um só homem resultou para todos os homens a salvação.
O Salvador é Jesus Cristo . Maria é a Mãe do Salvador. Mas Ele quis nascer de uma mulher virgem e santa desde a sua concepção.
Também Adão e Eva tinham sido elevados ao estado sobrenatural, mas perderam-no, por terem bebido o veneno da culpa.
Imaculada Conceição significa que a Bem aventurada Virgem Maria foi preservada e isenta (praeservatam imunem) de toda a mancha do pecado original, desde o primeiro instante da sua concepção, por uma graça singular e um privilégio de Deus, em virtude dos méritos de Cristo Jesus, Salvador do género humano (cf. Nicolas, Théotokos, pg.121).
De Maria, humilde serva do Senhor, nasceu Jesus: O Verbo fez-se carne e habitou entre nós. O privilégio de Maria aconteceu, porque ela estava chamada a ser a mãe do Redentor.
Estamos em pleno tempo de Advento . Maria tem aqui um lugar privilegiado. Não só nos dá Jesus como colabora activamente na obra da redenção da humanidade. Sendo Mãe de Cristo cabeça, ela é Mãe do Cristo total, de que nós somos parte: a Igreja que Deus quer santa e imaculada como está nos planos divinos.
A Conceição Imaculada de Maria é um apelo a realizarmos em nós o que escreveu S. Paulo: Deus Pai escolheu-nos antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante d'Ele na caridade (Efésios 1,3-4).
Fomos escolhidos para sermos santos . É por Cristo que chegaremos lá. Mas não chegaremos sem Maria: Ela é a Mãe que conduz ao Filho. A palavra "santo" causa calafrios a muita gente. Parece uma bizarria dos séculos passados. Porque nós entronizamos os Santos e damos-lhe, mesmo na arte, uma atitude parada de quem atingiu o cume e não se mexe mais. E os santos não foram nada disso.
Entrar no mistério de Cristo é pormo-nos ao serviço do Reino de Deus e da sua justiça. É entender esta tarefa como uma vocação e uma missão que toca no mais fundo da alma. O mundo está cansado de palavras e de conversa. Está cansado de gestos ruidosos daqueles que querem sempre o primeiro lugar.
Maria, ao ser chamada pelo Anjo de Deus, declarou-se SERVA.
A Igreja dos nossos dias , para ser credível, tem de imitar esse voto do evangelho que o concílio retomou com vigor: Bem aventurados os pobres, os simples, os que choram, os aflitos.
Claro que assumir uma atitude dessas é ir contra a corrente. Mas não foi isso que Cristo fez? Não será isso que devemos anunciar?
Se não caminhamos nesta senda, seremos como o címbalo que tine. As nossas comunidades paroquiais, os movimentos e obras da Igreja e cada um de nós não podemos limitar-nos aos gestos litúrgicos e passar alheios ao que acontece no mundo e, quem sabe, diante da nossa porta. E também não basta derramar lágrimas de crocodilo.
Os gestos litúrgicos de canto à Virgem, de abraço da paz, de comunhão sacramental implicam gestos concretos de vida, de conversão, de partilha fraterna, de reconciliação familiar. É por aí que passa a vocação à santidade e a missão eclesial de imitar a Imaculada Conceição e testemunhar Cristo vivo no homem vivo.
A liturgia que celebramos hoje torna presente nesta Assembleia a mesma força de graça do Espírito Santo que preservou Maria do pecado original e a levou a ser fiel à vontade de Deus até ao fim, até à cruz, até ao Cenáculo e ao início da primeira comunidade de cristãos.
Somos chamados à santidade de vida. Não podemos imitar Maria na pureza da sua Conceição. Mas podemos segui-la na fidelidade a Cristo, na sua condição de discípula, na sua peregrinação de fé. Precisamos hoje de santos comuns.
Precisamos também de vocações decididas masculinas e femininas, para o serviço simples e pobre do reino dos deserdados, dos pecadores, dos que não têm poder nem dinheiro para uma vida digna. Ao lado desses é que deve estar a igreja, sem fugir a anunciar as bem aventuranças aos endinheirados e poderosos deste mundo como fez Cristo, quando visitou Zaqueu, Mateus ou o Fariseu rico.
A Igreja não busca poderes . Busca sim imitar o seu Redentor que, no Natal do Verbo de Deus, celebra a festa d'Aquele que sendo rico se fez pobre por nossa causa. O serviço da evangelização e o serviço ao mundo moderno há-de ser marcado por esta insígnia: quando sou fraco é que sou forte, quando me ponho ao lado dos mais pobres é que sirvo e amo a Cristo Senhor.
Maria é o exemplo acabado da Serva que se põe ao serviço do seu Senhor: Faça-se em mim, segundo a tua Palavra!

Porto, 8 de Dezembro de 2006

(+ D. João Miranda Teixeira, Administrador Apostólico da Diocese do Porto)

 
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