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Solenidade de N. Sr. Jesus Cristo Rei do Universo PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homílias 2006

1. Introdução

A "Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo", no termo do Ano Litúrgico, constitui um momento forte de contemplação e de glorificação da Pessoa de Jesus, no seu mistério e missão. Alegramo-nos, com toda a Igreja, e também nós aclamamos o Senhor com as antífonas da Liturgia das Horas (Vésperas I):

- " Senhor do mundo e Rei dos corações, a Vós louvor e glória eternamente ".

- "A Cristo pertence o poder, a honra e a realeza: todos os povos, línguas e nações Ohão-de servir para sempre".

Celebrar a Solenidade de Cristo-Rei é celebrar a missão de Cristo, o seu projecto, a sua obra; é consciencializar a parte que todos temos nela e as implicações dela na nossa vida, avivando a fé e a alegria de nos sentirmos chamados e enviados para o mundo, para a sociedade de hoje, a semear e implantar os valores do Reino de Deus.

2. A Mensagem da Liturgia

À luz das Leituras bíblicas, que acabam de ser proclamadas, que sentido deve ter para nós a Solenidade de Cristo-Rei? Que significado tem a realeza de Cristo?
A 1.ª leitura ( Dan 7,13-14) insere-se no quadro das visões do profeta Daniel, marcadas pelo sofrimento do Povo de Israel, vítima da violência, da perseguição e da opressão dos grandes reinos, que ele compara a animais ferozes. Daniel interroga-se: - Poderia Deus assistir indiferente à opressão do Seu povo? - E dá a resposta no texto que escutámos, referindo uma nova visão plena de esperança:
[.] Sobre as nuvens do céu veio alguém semelhante a um filho de homem. [.] Foi-lhe entregue o poder, a honra e a realeza, e todos os povos, nações e línguas O serviram [.] O Seu reino não será destruído ".
Com esta promessa, escrita cerca de 160 anos antes do nascimento de Jesus, Daniel quer infundir coragem e esperança no seu povo. Israel está a sofrer a dura perseguição do rei Antíoco Epifânio, mas tal opressão vai terminar!
Só com a vinda de Jesus a profecia se realizou plenamente. Como escreve um comentador "antes d'Ele, os reinos que se sucederam inspiraram-se todos e sempre no mesmo princípio: o domínio do mais forte. Ele (Jesus) revolucionou os valores, colocando no vértice não o poder, mas o serviço, e introduzindo no mundo uma lógica nova, a do coração do homem", a lógica do amor-caridade.
A 2.ª leitura ( Ap 1, 5-8), também ela mensagem de esperança e encorajamento para os cristãos perseguidos, numa comunidade da Ásia Menor, retoma, na última parte, as palavras de Daniel: " Ei-l'O (Jesus) que vem sobre as nuvens e todos os olhos O verão ". É o grito da vitória: " A Ele a glória e o poder pelos séculos. Ámen . [.] Sim, Ámen. Eu sou o Alfa e o Ómega ", diz o Senhor Deus, " Aquele que é, que era e há-de vir, o Senhor do Universo ".
É, no entanto, no texto do Evangelho ( Jo 18, 33-37), no conhecido diálogo com Pilatos, que Jesus se afirma rei e dá o sentido da Sua realeza. Pilatos só conhece os "reinos" dos senhores deste mundo, na sua ambição e no seu domínio. Jesus, que tinha desiludido as expectativas messiânicas dos discípulos e se havia retirado, quando o povo o quis proclamar rei ( Jo 6, 15), agora, diante de Pilatos, prisioneiro das autoridades romanas, agora que parece vencido, é que proclama " É como dizes: Sou rei ", mas não deixando lugar a qualquer equívoco : " O meu reino não é deste mundo ".
Com estas palavras Jesus não quis referir-se a um reino puramente espiritual, que nada tem a ver com as realidades deste mundo. É um reino com características e valores diferentes : é o projecto do mundo novo , prometido pelos profetas e anunciado como iminente por Daniel; é o Reino de Deus que Ele veio anunciar, testemunhar e implantar no meio dos homens; é o Reino que começa no íntimo de quem o acolhe, pela conversão ao amor-serviço, em referência ao Homem Novo que é o próprio Jesus, na entrega total que Ele fez de si mesmo ao Pai por todos os homens; é o Reino que cresce e se implanta, com atitudes novas de serviço e partilha, instaurando um novo tipo de relações entre os homens, as instituições e os povos.
Em síntese, como se canta no Prefácio de hoje, " oferecendo-Se no altar da cruz ", Cristo consumou o mistério da redenção humana e entregou ao Pai " um reino eterno e universal: reino de verdade e de vida, reino de santidade e de graça, reino de justiça, de amor e de paz ". Aqui está condensado o nosso programa e o nosso compromisso de discípulos: viver, testemunhar e lutar pela implantação dos valores do Reino: a verdade e a vida, a santidade e a graça, a justiça, o amor e a paz! Assim se reflecte a realeza de Jesus, assim contribuímos também nós para transformar este mundo dos homens em Reino de Deus!

3. Unidade e compromisso na diversidade de carismas

" Ide e anunciai a Boa Nova a toda a criatura " foi a palavra de ordem de Jesus aos Apóstolos e a todos os seus discípulos. "Enviados" foram todos, ainda que com responsabilidades diferentes. A missão é comum e a assumir em corresponsabilidade, disponibilizando-se cada um deles a partilhar, com alegria, os dons recebidos.
Na reflexão que as Jornadas do Apostolado dos Leigos proporcionaram, ontem, aos Movimentos, Associações e Obras Laicais da Diocese, em conjunto, numa actividade importante como expressão e factor de comunhão eclesial , fizemos memória da enorme Graça que foi o Concílio Vaticano II para a Igreja e para o Mundo, há 40 anos e com plena actualidade, clamando ainda hoje pela vivência do seu espírito e de muitas das suas orientações.
Bem fez João Paulo II quando, por ocasião do Congresso Jubilar dos Movimentos e Obras Laicais, no ano 2000, entregou os Documentos Conciliares a Leigos representantes dos cinco continentes. Foi um convite a relermos o Concílio Vaticano II , tendo os olhos e o coração abertos às novas realidades do nosso tempo, e a acolhermos as interpelações do Espírito de Deus, relativamente à nossa vida apostólica pessoal e de membros comprometidos nas instituições da Igreja.
A explosão de novos Movimentos e Comunidades no Pós-Concílio - verdadeira "Primavera da Igreja", como lhe chamou o Papa - e a força de tantas outras instituições eclesiais já então existentes, que se empenharam e souberam renovar-se, revelam bem a diversidade de dons e carismas , que o Espírito Santo sempre concede à Igreja.
Na actividade apostólica da Igreja há lugar para todos - pessoas e grupos, desde que assumam os próprios carismas, respeitem e tenham na devida conta os carismas dos outros, e se dêem as mãos em profunda comunhão eclesial no sentido da missão. Conforme escreveu Bento XVI ao II Congresso Mundial dos Movimentos e Novas Comunidades (Roma, Pentecostes de 2006), esta comunhão pressupõe e manifesta-se no " espírito de adesão aos legítimos pastores ", no acolhimento das orientações " não só do Sucessor de Pedro, mas também dos Bispos das diversas Igrejas locais, que são, juntamente com o Papa, os guardiões da verdade e promotores da caridade na unidade ".
Como sabeis, aquele Congresso e o Encontro das Instituições Laicais com o Papa no último Pentecostes, teve por tema " A beleza de ser cristão e a alegria de o comunicar ". Está aqui o grande desafio que hoje nos é feito: sermos testemunhas da beleza de Cristo e do seu Evangelho no coração do nosso mundo pós-moderno. Idêntico apelo fazia Bento XVI aos jovens, na Jornada Mundial de Colónia, em Agosto de 2005: " Procurai ajudar a descobrir que ser cristão é belo "!
Irmãos, como transmitir o esplendor da beleza de Cristo ao mundo de hoje? - É a resposta a esta questão que nos poderá colocar nos caminhos da "nova evangelização", tida hoje como a grande prioridade pastoral. É preciso "anunciar ao mundo que o Evangelho não é utopia, mas caminho para a vida plena; que a fé não é um fardo, um jugo que pesa sobre o homem, mas a aventura fascinante que lhe restitui a sua plena humanidade, toda a liberdade e dignidade de filhos de Deus; que Cristo é a única resposta ao desejo de felicidade que transportamos dentro do nosso coração". (Mons. Estanislau Rylko, na abertura do Congresso).

4. Vivência e transmissão da fé na família

Se é importante o empenho da Igreja Diocesana na "Nova Evangelização", em termos gerais, não é menos importante a atenção a prestar especialmente pelos Leigos às questões da Família e da Vida. Sentimos para isso as interpelações que nos chegam tanto por força das próprias realidades em si mesmas - família e vida, como pelo contexto actual da vida da Igreja e da Sociedade Portuguesa.
No âmbito eclesial não podemos esquecer o V Encontro Mundial das Famílias com o Papa Bento XVI, no início do mês de Julho p.p., com tantos ensinamentos e testemunhos sobre a vivência da fé e a transmissão da fé na família, e os inerentes desafios à implementação ou renovação da pastoral familiar. Do mesmo modo não podemos deixar de assinalar o 25.º aniversário da Exortação Apostólica pós-sinodal Familiaris consortio de Sua Santidade João Paulo II, ocorrido na passada quarta-feira, dia 22 de Novembro; ela continua a ser, de alguma forma, a Carta Magna da doutrina e do ensinamento pastoral da Igreja no que se refere à família e ao seu serviço à vida. Ninguém esquece o grito de João Paulo II " Família, torna-te aquilo que és! ", convidando as famílias a viverem o ideal cristão de família, vencendo crises e obstáculos que tantas vezes o dificultam ou impedem.
No âmbito sócio-político, as questões da família e da vida revestem-se, actualmente, de particular importância e acuidade. Já o referia a Comissão Episcopal do Laicado e Família na Nota Pastoral a propósito da última Semana da Vida, em Maio p.p., ao escrever: " Não podem deixar de nos preocupar, neste momento, alguns aspectos da cultura ambiente que são abertamente contrários à cultura da vida tal como a tradição da Igreja a entende, e certos comportamentos que se vulgarizam e questões que apontam para nova legislação, sem salvaguardar a prioridade do serviço à vida e o respeito pela dignidade humana" .
Entretanto foi publicada a Lei da Procriação Medicamente Assistida (Lei 32/2006, de 26 de Julho) e aprovada no Parlamento a proposta de novo referendo para a chamada despenalização do aborto.
Neste contexto é importante, sem dúvida, que os católicos conheçam e saibam afirmar os princípios relativos aos direitos fundamentais da pessoa humana, o primeiro dos quais é o direito à vida. Saibam discernir o que é exigência da própria natureza, da moral natural, e o que é imperativo da fé, da moral cristã. Esclareçam as suas consciências e sejam capazes de agir em conformidade e coerência: quando estão em causa direitos fundamentais da pessoa humana a "razão" terá de prevalecer sobre as razões do "coração", designadamente nas Leis, tanto no caso da PMA como no caso do aborto, seja na lei vigente, seja noutra que venha a ser promulgada. As razões da inteligência e da consciência moral terão de prevalecer sobre as razões da ordem do sentimento e da compaixão.
Quanto à PMA, o que está em causa e importa salvaguardar, em consciência, é o respeito pela vida e dignidade do embrião, como ser humano que é; na verdade, nem tudo o que é tecnicamente possível é aceitável do ponto de vista da ética natural e da moral cristã.
Quanto ao aborto, a Igreja sempre o condenou, porque considera que desde o primeiro momento da concepção, existe um ser humano, com toda a sua dignidade, com direito a existir e a ser protegido. Trata-se de um valor universal, de ética natural e não apenas de um preceito da moral religiosa; e é por isso que há muitos homens e mulheres que, não sendo crentes, são contra o aborto. Deixar-se conduzir pela "razão" e pela fé não significa menosprezar o "coração", esquecer a dor e o sofrimento das pessoas, as razões de ordem moral, social, económica e outras que as levam a abortar. Ser pela "cultura da vida" obriga a defendê-la e a promovê-la, a procurar soluções e respostas positivas, com justiça e sentido de fraternidade, com "coração", afinal!
Em recente Nota Pastoral ( Razões para escolher a vida - Fátima, 19 de Outubro de 2006), o Conselho Permanente da CEP, depois de apresentar "as razões para votar 'não' e escolher a vida", conclui deste modo: " Pedimos a todos os fiéis católicos e a todos quantos partilham connosco esta visão da vida, que se empenhem neste esclarecimento das consciências. Façam-no com serenidade, com respeito e com grande amor à vida. E encorajamos as pessoas e instituições que já se dedicam generosamente às mães em dificuldade e às próprias crianças que conseguiram nascer ."

5. Conclusão

Irmãos, ao celebrarmos a Solenidade de Cristo Rei, conscientes do seu significado e das suas implicações na nossa vida de cristãos, chamados e enviados a construir o reino de Deus no meio dos homens, eu quero dizer-vos, com o Papa Bento XVI (Congresso dos Leigos, Roma, 31/5 - 2/6/2006):

- "Levai a luz de Cristo para todos os ambientes sociais e culturais em que viveis"

- "Iluminai a obscuridade do mundo transtornado pelas mensagens contraditórias das ideologias"

- "Colocai neste mundo conturbado o testemunho da liberdade com que Cristo nos libertou"

- "Tornai-vos construtores de um mundo melhor, segundo a ordem do amor"

E em comunhão com toda a Igreja, seja esta, hoje, a nossa súplica:

SENHOR, VENHA A NÓS O VOSSO REINO!

D. António José Cavaco Carrilho, Bispo Auxiliar do Porto

 
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