Faixa publicitária
Páscoa PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homílias 2006

Celebramos a Páscoa da Ressurreição de Cristo, que é a verdade fundamental da nossa fé (cristã). De fora (e prouvera a Deus que não de dentro) pensar-se-á que o Cristianismo consiste num compêndio de imposições e preceitos morais, e que a ressurreição, que não tem lugar na Ciência, é um elemento secundário e vago da fé católica. Acreditar ou admitir que Deus em Cristo derrotou a morte é constitutivo da nossa fé, mas não passa como mensagem para o mundo e para a cultura que nos envolvem.

Apesar da atenção que se volta hoje para o tema da Paixão de Cristo, e mesmo com tentativas de releitura dos factos e reinterpretação dos seus protagonistas, e apesar das atitudes correntes do magistério da Igreja sobre a ressurreição de Cristo enquanto acontecimento da nossa fé e não como conclusão e afirmação da história propriamente dita, um autor católico actual, familiar da Casa Pontifícia, escreveu: "Morreu" e "ressuscitou" indicam factos; são afirmações, a seu modo, históricas; "pelos nossos pecados" e "pela nossa justificação" não são afirmações históricas, mas de fé; indicam o sentido místico ou, para nós, factos... É justamente este significado de fé que, noutro sentido, faz da morte e ressurreição de Cristo acontecimentos "históricos", se por facto "histórico" não entendermos somente o facto de crónica, nu e cru, mas o facto mais o significado dele ... Um acontecimento é histórico quando reúne, em si, dois requisitos: "aconteceu" e, a mais, assumiu um relevo significativo determinante para as pessoas que nele estiveram envolvidas e dele fizeram a narração" (Raniero Cantalamessa, Páscoa..., Paulinas, pg. 30-31, cf. Dodd, D.H., Storia ed Evangelo, Brescia, 1976, pg. 23). (A Teologia católica, ao estilo da Historiologia, costumava falar do "acontecimento" que continuava como "facto histórico").

O que para a fé cristã realmente aconteceu foi que Jesus Cristo passou da morte para a vida, o que acontecerá também a nós: "Se ressuscitastes com Cristo, aspirai às coisas do alto ... afeiçoai-vos às coisas do alto e não às da terra, porque vós morrestes e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus" (Cf. Col. 3,1-4). Falando da Páscoa de Cristo, que é a nossa Páscoa, um autor medieval escrevia: " Historicamente , a Páscoa acontece quando o anjo exterminador passou pelo Egipto; alegoricamente , quando a Igreja, no Baptismo, passa da infidelidade para a fé; moralmente , quando a alma, através da confissão e da contrição, passa do vício para a virtude; anagogicamente , quando passamos da miséria desta vida para as alegrias eternas" (Cf. Cantalamessa, pg.46).

Esta visão da fé e de compreensão tem como fundamento o acontecimento da Ressurreição, o impacto provocado naquele lugar e naquele tempo, a história do Cristianismo e da Comunidade cristã em Igreja, e também a diversidade dos ambientes e das culturas onde o testemunho cristão de fé se fez ouvir.

O Evangelho fala-nos exactamente do primeiro impacto e das primeiras testemunhas: Maria Madalena, Pedro e o discípulo que Jesus amava. Madalena, enquanto mulher, pertencia à categoria de pessoas discriminadas, sem credibilidade oficial para os seus testemunhos. Foi a primeira pessoa que Deus escolheu para dar a notícia a Pedro e ao outro discípulo: "Levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde O puseram" (Jo. 20, 2). Pedro e o outro discípulo dirigiram-se ao sepulcro. João (assim interpreta a tradição cristã) chegou primeiro: "viu e acreditou" (Jo, 20, 8).

Mais tarde, Pedro tomou a palavra para resumir em discurso solene de anúncio e testemunho, em nome dos Apóstolos: "Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia... Nós somos testemunhas de tudo o que Ele fez... e mataram-nO... Deus ressuscitou-O ao terceiro dia... Jesus mandou-nos pregar ao povo e testemunhar que Ele foi constituído por Deus juiz dos vivos e dos mortos. É d'Ele que todos os profetas dão o seguinte testemunho: "quem acredita n'Ele recebe pelo seu nome a remissão dos pecados" (Cf. Act. 10, 34 ss.).

Madalena, Pedro e João. Este, o discípulo que Jesus amava, representa-nos a todos nós no anonimato discreto do Evangelho que escreveu. Ele viu (o sepulcro vazio) e acreditou.

Perante e por entre situações passadas e presentes, culturas favoráveis ou adversas, crenças ou descrenças, hostilidades ou indiferenças, teremos agilidade para correr... e disposição para acreditar?

Acreditar exige testemunho, por palavras e sobretudo na coerência de uma vida renovada e em tensão para uma mais perfeita identificação com Cristo, nossa Páscoa.


Porto, 16 de Abril de 2006

D. Armindo Lopes Coelho, Bispo do Porto

 
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Quer receber as nossas novidades no seu e-mail? Subscreva a nossa Newsletter especificando o seu endereço de e-mail:

Entrada Solene de D. Manuel Linda na Diocese do Porto

Agência Ecclesia

Guia?o.56.ª.Semana.Orac?a?o.Vocac?o?es Versão reduzida
2019-04-26 12:20:40
Cartaz e banner FB
2019-04-17 14:56:29
Pagela Oração
2019-04-17 14:56:10
Guião
2019-04-17 14:55:11
Faixa publicitária
Faixa publicitária


© Diocese do Porto, Todos os Direitos Reservados.