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Homilia - Peregrinação aniversária a Fátima – 13 de Julho de 2010 PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2010


Leituras: Zacarias 2, 14-17; Actos 20, 33-35; Lucas 1, 39-47

 

Meus irmãos, peregrinos de Maria:

Donde vem a alegria da Igreja, do Povo de Deus e de cada um de nós, num tempo de tanta provação e sofrimento?

Vem-nos de uma PROMESSA de regresso a Deus, feita já no Antigo Testamento e hoje aqui anunciada pelas palavras de Zacarias, profeta. Alegra-te, filha de Sião! É uma palavra de esperança dirigia aos exilados na Babilónia, a quem é dito: Eu virei morar no meio de ti, palavra de Javé!

O povo exilado da pátria estava em muito más condições. Mas a palavra do profeta enche-o de alegria. Porém o mais consolador é que as palavras de Zacarias tomam aqui um carácter universal: todas as nações pagãs farão parte do povo, no meio do qual o Senhor Deus diz que vem morar.

A realização da promessa está contida no evangelho de S. Lucas. A alegria do povo hebreu exilado estende-se a Isabel, mãe de João Baptista, porque foi visitada por Maria que levava no seio a Esperança de Israel, Jesus, filho de Deus. O encontro de Isabel com Maria enche-a do Espírito Santo e de júbilo: Tu és a Mãe do meu Senhor. Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! O Menino saltou de alegria no meu seio.

Maria é a causa da nossa alegria, porque nos deu o Salvador. E aí regressou a promessa de retorno do exílio, não já da Babilónia mas do paraíso perdido em Adão ao Paraíso onde habita Deus.

 

Caríssimos irmãos:

Não precisaremos nós de que seja proclamado agora o mesmo anúncio: Deus vem morar no meio do seu Povo? Estaremos em melhor sorte do que os exilados da Babilónia daquele tempo? Não está a sociedade actual a transformar-se numa Nova Babilónia de gente escrava de todas as modas, sem Pátria nem lei moral? Onde iremos buscar conforto e esperança senão outra vez em Maria que desceu precisamente à Serra D’Aire, para nos avisar do que está a acontecer num mundo sem Deus?

 

Foi por Maria e por graça do Espírito Santo que Deus assentou arraiais na terra. Fê-lo por seu Filho, Jesus Cristo, num tempo de Império romano que vivia da escravatura e se banqueteava à custa dos povos submetidos. Por isso, o império, que durou muito tempo, caiu na devassidão e esboroou-se às mãos dos povos das fronteiras, chamados Bárbaros.

 

Há mais alegria em dar do que em receber.

Para ganharmos esperança com fundamento e podermos ser profetas da alegria, ouçamos a sagrada Escritura: Escutai bem, vós que espezinhais o pobre. Vós dizeis: Faremos a medida mais pequena, aumentaremos o preço, arranjaremos balanças falsas, compraremos os necessitados por dinheiro… (Amós 8, 4-6.9).

Não parece que é um retrato do que tantas vezes hoje acontece na sociedade das nações, em moldes mais refinados? Os pobres estão a ser espezinhados e os poderosos aguentam-se em seus tronos de barro. A Europa continua a envelhecer. E no entanto os atentados contra a vida continuam, lá fora e cá dentro. Estamos a matar a juventude da nação com promessas sem futuro à vista. Estamos a abandonar a família e a criar falsas noções de família.

E depois vamos gritar que há crise. A crise mundial não passará, enquanto cada um de nós não fizer um exame de consciência e não chegar à conclusão de que todos, uns mais outros menos, todos temos culpas do que acontece.

A este desaforo, o Senhor Deus responde pela voz do profeta: Farei que o sol se ponha ao meio-dia, mudarei em luto as vossas festas… Dias virão em que mandarei a fome sobre a terra, mas não é fome de pão, é fome da palavra do Senhor. (Ibidem 8, 12). Temos fome do pão da Palavra e temos de recordar de novo que o “primum officium” na Igreja, por parte dos sacerdotes e por parte de todos os baptizados, é proclamar a palavra, anunciar o reino, evangelizar de novo, em novos moldes.

Meus amigos:

Maria é causa da nossa alegria porque, sendo pobre e humilde, ouviu a Palavra do Anjo e depois deu tudo o que tinha: Eis a Serva do Senhor… Faça-se em mim, segundo a tua palavra! E pôde cantar um hino de congratulação porque o Senhor sobre ela fez descer a sombra do Altíssimo, derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes.

Esse tempo chegou, começou a chegar com o Nascimento de Cristo, filho da Virgem Maria. Ela deu-nos Jesus. E Jesus disse: Não podeis servir a Deus e ao dinheiro. E contou a parábola do Rico avarento e do pobre Lázaro. Contou também a parábola do Filho pródigo que é a parábola do Pai misericordioso.

As crises actuais não são só falta de dinheiro e de emprego. São falta de humanismo, de visitação, de acolhimento, de apoio médico, sim, mas também de fundamento espiritual. Desumanizámo-nos por egoísmo, por falta de amor, por competição no salve-se quem puder… E depois gritamos que o rei vai nu! Mas quem lhe tirou as vestes?

 

Há mais alegria em dar do que em receber

Peregrinos de Fátima:

A alegria é um dom do Espírito Santo. A causa da nossa alegria está em que Deus visitou o seu povo, outrora de muitos modos, mas nestes tempos que são os últimos visitou-nos por seu Filho Jesus Cristo. Deus amou tanto o mundo que lhe deu o seu Filho Unigénito. O Amor de Deus é um amor esponsal: o amor matrimonial é sinal e símbolo do amor de Deus. Diz Oseias: Hei-de conduzir a casa de Israel ao deserto, falar-lhe-ei ao coração… Farei de ti minha esposa para sempre. Desposar-te-ei com fidelidade e tu conhecerás o Senhor (Oseias 2, 17.22).

Temos de aprender o segredo do verdadeiro Amor, amor – ágape, de doação e entrega, amor que não calcula mas se oferece, mesmo com sacrifício. Foi este o Amor de Jesus, foi assim o amor de Maria.

A figura de Maria está misteriosamente presente no início da história - Farei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e descendência dela…(Génesis 3, 15). São três os personagens nesta passagem das Origens: a serpente, a mulher e a sua descendência. A descendência da mulher será causa de Bênção e libertação. No anúncio do fim e consumação da história – ou Apocalipse - lá estão os mesmos três protagonistas: O dragão, a Mulher vestida de sol e o Filho que o dragão queria devorar (Apocalipse12, 1-6).

Maria é causa da nossa alegria porque o sinal da mulher tornou-se sinal de esperança, a mulher torna-se guia da esperança (Ratzinguer, “Maria, Primeira Igreja”, pg 50). O drama da história entrou na sua fase decisiva. O Filho de Maria decidiu definitivamente o drama da história no sentido da Bênção (Ibidem e Efésios 1, 3…).

Continuamos, no século XXI, a seguir nessa peugada. Continuamos com Maria, que veio à terra portuguesa manter viva essa chama para toda a humanidade. Por isso, continuamos a celebrar anualmente as Aparições da Senhora da Azinheira a três pobres pastorinhos, a quem o Céu fez testemunhas da fé em Deus, em Cristo e em sua Santíssima Mãe.

Causa da nossa alegria, Rogai por nós e pelo mundo que Deus tanto amou e ama ainda!

Anexos:
Fazer download deste arquivo (Peregrinação a Fátima 13 de Julho 2010.pdf)Homilia - D. João Miranda
 Peregrinação aniversária a Fátima – 13 de Julho de 2010
 
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