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Homilia na “bênção das pastas” dos finalistas da academia do Porto PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2011

Uma admirável bênção para o mundo!

Homilia na “bênção das pastas” dos finalistas da academia do Porto


- Saudações muito cordiais para todos os presentes – toda a vasta comunidade académica do Porto, com os seus familiares e amigos – neste momento de bênção e acção de graças pela feliz conclusão de tantos cursos. Saudações especiais à Universidade do Porto, no seu glorioso centenário, com que tanto nos alegramos e honramos. Gratidão geral a cada uma das mães, presentes ou ausentes, neste dia que lhes é especialmente dedicado. Ligação jubilosa e agradecida a Roma, onde nesta manhã foi proclamado beato o grande Papa João Paulo II, que nesta mesma Avenida esteve um dia, e também foi universitário e amigo constante dos jovens e de todos!

 

É esta uma celebração normal, em cada ano que passa da vida académica portuense; e uma celebração especialíssima para todos os que concluem os seus cursos, bem como para quem os ajudou nesse sentido, com relevo para os mestres e familiares.

 

Mas, sendo celebração normal e especial, nem por isso cai na rotina nem perde significado. Muito pelo contrário, sobretudo no actual contexto social e profissional

 

Caríssimos finalistas: deixai que, antes de mais, vos dirija os meus parabéns, muito cordiais e sinceros. Completais uma etapa fundamental da vossa vida, que certamente fez de vós amigos do saber e do saber fazer. Convosco pode e deve contar a sociedade em geral, pois representais a maior promessa do seu futuro.

Sim, do seu futuro. Porque Portugal tem futuro, como teve passado e tem presente. E o mesmo digo doutros países aqui representados por jovens estrangeiros, que no Porto estudaram e estudam. Temos futuro, na vossa inteligência, na vossa capacidade e na vossa disponibilidade para ajudar a criá-lo. Portugal tem futuro e cada um de vós o promete e garante.

Posso mesmo dizer, a vós que hoje pedis a “bênção” de Deus: vós próprios sois bênção de Deus para a sociedade inteira. O melhor sinal de que Deus não desiste desde mundo, que constantemente cria e sustenta, é cada ser humano, em quem a criação atinge o seu ponto de consciência e resposta, criativas também. – Cada um de vós, caríssimos finalistas, é já e agora uma magnífica bênção de Deus!

Mas, nesta celebração dominical e festiva, quereis dalgum modo remontar à Fonte viva da bênção universal e fecunda. Por isso acolheis a grande bênção que Deus vos oferece como palavra, sacramento e partilha. Aqui estais portanto, para receber ainda mais e partilhardes depois melhor a bênção de Deus ao mundo, tão sequioso dela.

 

Sequioso de bênção, significado e futuro, está o nosso Portugal, como o estão tantos outros, mundo fora. Felizmente disponível, para a dar a quem lha pede, e quanto mais lha pedir, está o Deus vivo de todas as vidas, Fonte permanente de toda a fecundidade e recriação. Como cantavam os primeiros cristãos, cantamos nós agora, de coração grato e convicto: “Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que nos altos céus nos abençoou com toda a espécie de bens espirituais em Cristo!” (Ef 1, 3).

“Em Cristo”, na verdade, pois, como cristãos, sabemos que foi em Cristo que Deus totalmente se disse e ofereceu, como permanente bênção do mundo. Bênção imortal, que nenhuma morte sepultou definitivamente. A vida ressuscitada de Cristo é a nossa vida agora, para a vida do país e do mundo. E isto muito especialmente através das vossas existências crentes e activas, nas mais diversas profissões existentes ou a criar, nas múltiplas aplicações do vosso saber e engenho, caríssimos finalistas e sempre pioneiros duma sociedade melhor e mais solidária.

O momento não é para menos, pois é de exigência máxima. Entrais na vida activa em tempos de pouca oferta e escassos recursos. Tereis mesmo de criar – decerto com a ajuda devida! – o que não vos é oferecido, e só com a vossa persistência e criatividade passará a existir, para vós e para os outros.

Creio que alguns excertos bíblicos que escutámos vos poderão ajudar. E não é por acaso, mas “por sinal”, que os escutastes precisamente aqui e agora, como os podereis depois recordar em vossas casas e por muito tempo.

 

Na 1ª Leitura, São Lucas deixou-nos um quadro muito sugestivo da primeira comunidade cristã, como existiu em Jerusalém, logo após a Páscoa de Cristo. – Como a caracterizava ele? Com palavras simples, que conseguem definir plenamente o que a Igreja deve ser em todo o tempo, hoje como então: “Os irmãos eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à comunhão fraterna, à fracção do pão e às orações”.

Nas aludidas circunstâncias que naturalmente vos preocupam hoje, caríssimos finalistas, perguntais-vos pelo futuro e o que ele possa ser… Mas não esqueçais que aquela primeira e pequena comunidade cristã a que a Leitura alude, não teria humanamente futuro algum, a não ser, talvez, o de seguir o seu Mestre na perseguição e até na morte que sofrera…

Pois reparai e reparai bem, que, por se manterem unidos em torno do Evangelho e dos sinais de Jesus, mormente a Eucaristia que celebravam, eles não só abriram um futuro que ninguém lhes facilitava, como esse futuro foi tão forte e expansivo que nos inclui agora a nós, a todos os que aqui estamos neste Domingo de festa e de bênção.

E unidos estamos, e unidos deveis permanecer, mesmo que a vida geograficamente vos separe, como acontecerá em breve e em geral. Mantende-vos unidos, mutuamente interessados e solidários, na comunhão que gera novidade e até profissão. Unidos em Cristo e na sua vitória sobre a morte, mantende os bons sentimentos com que aqui chegastes e daqui partis. Para que se diga depois de vós o que o mesmo trecho dos Actos dos Apóstolos disse hoje dos primeiros cristãos, que tudo faziam “como se tivessem uma só alma”.

– Ajuda muito, ajuda tudo, manter sempre a alma juvenil e cristã! Não esqueçais de lembrar quem vos acompanhou até agora, como mestre, funcionário, ou colega, e de rezar sempre por eles e o seu melhor futuro.

Foi também em benção que começou a 2º Leitura, tirada da 1ª Carta de Pedro: “ - Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, na sua grande misericórdia, nos fez renascer, pela ressurreição de Jesus Cristo de entre os mortos, para uma esperança viva, para uma herança que não se corrompe, nem se mancha, nem desaparece!”.

Renascidos sempre, na ressurreição de Jesus Cristo de entre os mortos… E só nela renascidos, definitivamente. Caríssimos irmãos e amigos, deixai-me dizer, por mim e por cada um de vós: Se aqui estais, nesta manhã primaveril das vossas vidas; se aqui quisestes vir para “simbolizar” (= reunir e consolidar) tudo o que vos vai na alma de reconhecimento e esperança. É porque sabeis, verdadeiramente sabeis, que com Cristo a vida não acaba em tudo o que transporta de verdade, justiça e paz. De caridade, em suma, e amor vitorioso. Sabeis, testemunhais e garantis.

 

Finalmente – ainda que o eco da Palavra de Deus seja infinito -, lembrai-vos do que sucedeu “na tarde daquele dia”, primeiríssimo dia, segundo o Evangelho escutado: “Estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, apresentou-se no meio deles e disse-lhes: ‘A paz esteja convosco!’”.

Fixai deste trecho três pontos recorrentes: 1) Estavam reunidos no primeiro dia da semana; 2) Estavam com medo do que lhes podia acontecer; 3) Veio Jesus e deu-lhes a paz.

A semana – cada semana da vossa vida, presente e futura, não começa à segunda-feira, que, como próprio nome indica é o “segundo” dia. Primeiro é o Domingo, palavra que significa “Dia do Senhor”, pois que nesse dia ressuscitou e O aperceberam vivo, verdadeiro “Senhor” do tempo e da história; vencedor da morte e restaurador da vida.

É completamente diferente somar semana após semana, mesmo com alguma distracção ou descanso pelo meio, ou recomeçar de cada vez o tempo, a partir da ressurreição de Cristo, dominicalmente celebrada com os irmãos na fé; e assim retomando a memória viva de Cristo e do Evangelho, como possibilidade infinita do que possa acontecer, positivamente acontecer e a partir daí.

Eles estavam com medo, naturalmente estavam: - Por que não lhes caberia a mesma sorte do seu mestre, que tão injustamente fora preso, condenado e morto? Medos não nos faltam, no meio de tanta insegurança e incerteza, como geralmente advêm. Como vos podem preocupar agora, sobre o futuro, a viabilidade e a garantia, em relação aos legítimos propósitos e esperanças que alimentais, como tantos outros alimentam, com sucesso e insucesso variável…

Mas “veio Jesus, apresentou-se no meio deles e disse-lhes: A paz esteja convosco!”. As portas estavam fechadas, como fechadas vos aparecerão por vezes as possibilidades e saídas. Mas o Ressuscitado preenche hoje o mundo inteiro, do macro ao microcosmo e ainda além deles; e a vossa fé e esperança residirão aí mesmo, na atenção que mantiverdes à Sua presença, que no íntimo do coração vos garantirá a paz e o futuro.

Como sabeis de tantas páginas do Evangelho, a única garantia de Jesus, a única segurança em que finalmente descansava, para seguir em frente e em total “testemunho da verdade” (cf. Jo 18, 37), estava na sua união ao Pai, com quem compartilhava o mesmo Espírito. E assim mesmo fez da própria morte vida, a vida em abundância de que agora vivemos nós. É esse Espírito que agora reparte convosco. Como prosseguia o Evangelho: “Dito isto soprou sobre eles e disse-lhes: ‘Recebei o Espírito Santo…’”.

A partir daí, nada os tolheu nem deteve, aos primeiros cristãos. Sede vós agora, caríssimos finalistas, cristãos primeiro que tudo; e vereis como o Espírito de Cristo vos abrirá as portas do futuro, e por vós à sociedade que convosco o alcançará, mais positivamente ainda do que agora definha.

Não vos está garantida a facilidade, que o próprio Cristo não encontrou nem quis. Mas é-vos oferecida a Páscoa, onde a vida acaba sempre por triunfar de tudo quanto se lhe oponha. E assim sereis também – todos e cada um de vós – uma admirável bênção para o mundo!

- Com a bênção de Deus e de Maria, Mãe de todos os cristãos, que maternalmente vos acompanhará hoje e sempre, como sempre acompanhou Jesus!

 

+ Manuel Clemente

Porto, Avenida dos Aliados, 1 de Maio de 2011

 

 
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