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Rezar, Celebrar, Ouvir (mesmo de confissão), Preparar, Visitar… PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2011

 

Na HORA de mudar de vida…


Não temas o carrasco, aceita a morte! Muito bem servo bom e fiel, entra na alegria do teu Senhor

Sete macabeus foram mártires, por terem sido fiéis à fé de sua mãe, que juntava uma coragem varonil à ternura de mulher. Ela, por fim, disse ao mais novo: Filho, tem compaixão de mim que te trouxe nove meses no meu seio… olha para o céu e contempla a terra… NÃO TEMAS O CARRASCO, ACEITA A MORTE!

Um homem nobre entregou dez minas a dez dos seus servos e ausentou-se. Fazei-as render até que eu volte! Quando regressou e pediu contas, apresentou-se o primeiro: A tua mina rendeu dez minas. Muito bem, servo bom. Governarás dez cidades!

 

Nestas duas páginas da Escritura, destaca-se a coragem de quem não tem medo de morrer, para manter a fidelidade; e destaca-se a coragem de quem resiste à preguiça e se entrega a cumprir um compromisso que assumiu. É a esta fidelidade sem fronteiras que são chamados os cristãos e, de entre eles, são chamados os Bispos e Presbíteros de Igreja Santa de Deus.

Bem gostaria eu de poder hoje dizer como S. Paulo: Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Sei que muito está por fazer, mas a carreira ainda não terminou. Sei que o ministério apostólico e, sobretudo, o ministério das Sete Fontes da Graça e do anúncio da Palavra não dependem, em primeiro lugar, das virtudes do ministro (ex opere operantis), mas da força interna da graça que os sacramentos da fé transportam (ex opere operato). Estaríamos perdidos, se não fosse assim.

Todavia, Deus não finge, quando nos entrega os talentos (ou as minas) ou os dotes físicos e os dons sobrenaturais. Não finge. Parte para longe, entra em silêncio, às vezes um silêncio ensurdecedor, e deixa-nos a semear, a plantar, a regar, a tratar bem da seara e do campo. Não ficamos sozinhos, porque Ele prometeu: Não vos deixarei órfãos. Mas na época da colheita, quando depois regressa, pede contas. E todos havemos de dar contas. Não podemos ter medo, porque temos um Pai que nos ama. Mas quem ama corrige e repreende. Não chegou ainda o dia do juízo definitivo, mas todos os dias são dias de exame de consciência.

Quis o Senhor D. Manuel que houvesse esta celebração. É um dia de semana, portanto de trabalho, a convidar a que quaisquer 75 anos não sejam desculpa para interromper as lides e as tarefas da nova evangelização. Tenho de agradecer quanto, nestes 28 anos de serviço episcopal à diocese – depois de outros 23 de Presbítero – tenho de agradecer quanto me foi dado viver, aprender e porventura contribuir para manter viva, nesta nossa terra, a fé dos nossos pais, agora tão provada como em épocas semelhantes da história.

Depois dos bispos da minha infância e juventude, de seminário e de presbitério – D. Agostinho, D. António, D. Florentino, dos quais guardo diferentes mas complementares recordações - convivi muito mais de perto com D. Júlio, D. Armindo e agora com o senhor D. Manuel. É a graça do COLÉGIO EPISCOPAL que foi da vontade de Jesus, já que também em primeiro lugar escolheu DOZE e com eles andou três anos seguidos.

Viver em comum, trocar conhecimentos e impressões em comum, planear em comum é da maior conveniência na Igreja, para não se cair no individualismo nem no isolamento nem no “solteirismo” do celibatário. É perigoso, é pernicioso e é quase estéril. Porque nós somos um CORPO.

Todos temos os nossos defeitos, os nossos espinhos por entre rosas, mas é vital ser capaz de boas relações humanas onde assente o plano de uma evangelização como a requerida hoje. Caminhamos para unidades pastorais em que aos leigos seja dado um lugar efetivo e de responsabilidade na comunidade e em que o Presbítero, como pastor, desempenhe o que, em primeiro lugar, lhe é pedido, sem se transformar em corredor das sete partidas.

Tenho também de dar graças por quantos Religiosos, Religiosas, Consagrados leigos e Leigos militantes encontrei e me encontraram, como sinal de que os trabalhadores são poucos, mas são muitos os que amam a Deus, amam este mundo e a Igreja e aguardam a revelação dos filhos de Deus

Houve e haverá certamente horas de martírio, mesmo incruento. Mas já os macabeus nos deram o exemplo. Haverá encargos e tarefas, dons a fazer render, mas já a parábola das minas diz que Deus colocou nas nossas mãos a grande tarefa do reino: IDE! ANUNCIAI! BATIZAI!

Como gostava de dizer D. António Ferreira Gomes, eu quis ser padre, outros me fizeram bispo. Há 28 anos, li e conservei para mim as palavras de Maria: Fiat mihi, faça-se em mim, segundo a tua palavra. Direi o mesmo hoje, até quando Deus o permitir.

Na expressão curiosa do senhor D. Manuel, deixo de ser bispo auxiliar do Porto, mas permaneço como bispo no Porto. Não gostaria para já de cruzar os braços – e já vi que não vai faltar que fazer - mas também nunca gostei de corridas. Tentarei conjugar cinco verbos do dicionário: Rezar, Celebrar, Ouvir (mesmo de confissão), Preparar, Visitar…

Vivemos, em Igreja diocesana, tempos e desafios difíceis que implicam todos: Bispo, Padres, Diáconos, Religiosos, Religiosas, outros Consagrados e, em dose cada vez mais acrescida, Leigos convictos. Para mim e para cada um repito as palavras de João Paulo II: Não tenhais medo! Abri as portas ao Redentor! Ou as palavras de Cristo, no meio da tempestade do lago: Porque duvidais, homens de pouca fé?

D João Miranda Teixeira, Bispo Auxiliar Emérito do Porto
Igreja Catedral do Porto, 16 de novembro de 2011

 
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