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Missa das Famílias - Homilia PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2012


A vida é aprendizagem de Deus

- Na celebração da Santíssima Trindade e de bodas matrimoniais

 

Caríssimos irmãos e irmãs, especialmente vós que celebrais Bodas Matrimoniais este ano:

 

Dizemo-nos e reconhecemo-nos “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Assim mesmo fomos batizados e assim mesmo somos “cristãos”, ou seja, ungidos pelo Espírito, para nos retribuirmos “com Cristo, por Cristo e em Cristo” a Deus Pai, em Quem todo o poder é amor e vida, em eterna fonte.

Mas, sendo Deus vida partilhada – entre o Pai e o Filho na união do Espírito -, só na partilha se pode conhecer: e não como quem O pensasse em abstrato, mas como quem O reconhece na relação.

 

A própria natureza das coisas vai nesse sentido. Nascemos da relação dos nossos pais e sempre interdependentes uns dos outros, nas famílias que tivemos e todos devem ter. Por isso hão de ser apoiadas, para que tudo decorra positivamente, devendo a sociedade reconhecer em cada família a melhor escola da sociabilidade, onde aprendemos a viver solidariamente. Tanto assim é que, quando não se garante este primeiríssimo patamar da sociabilidade, em si mesmo insubstituível, os seguintes logo se ressentem negativamente.

Caríssimos irmãos e irmãs, sobretudo vós, os que vos “casastes no Senhor” (cf 1 Cor 7, 39), pela graça própria do sacramento do Matrimónio: Vós reconhecestes e reconheceis pela fé recebida e por experiência própria, que o desígnio divino sobre a família se garante em Cristo, vencedor definitivo de tudo quanto nos divide e separa.

- Que bom, que belo e verdadeiro é estarmos aqui a celebrar Bodas matrimoniais, de dez, vinte e cinco, cinquenta e mais anos! Estou certo e bem certo de que todos nos contaríeis histórias vividas das vitórias da graça de Cristo, que foi mais forte do que as tentações que certamente sofrestes, como sofremos todos, nesta ou naquela aceção.

Caríssimos irmãos e irmãs em Bodas matrimoniais: Vós sois os verdadeiros campeões da vida e os que mais importa reconhecer e louvar! E quando nos apresentam tantos vencedores disto ou daquilo – justamente vencedores, por vezes -, vós, caríssimos casais, vós é que sobretudo ganhais e mereceis o primeiro lugar no pódio!

Num pódio que, aliás, não se desmonta, quando acabam os hinos e se entregam as taças… O vosso pódio é o amor de Deus em vós, e este nunca acabará (1 Cor 13, 8)!

Caríssimos casais: Com a ação de graças que convosco damos a Deus; com os parabéns que vos damos todos, a vós e às vossas famílias, deixo-vos um pedido, a que certamente correspondereis: Fazei ainda mais da vossa vida um testemunho permanente, sereno e belo, de quanto é possível, com Deus é possível. Testemunhai que não é verdade que o matrimónio esteja ultrapassado, porque realmente ele é o futuro, garantindo a vida; de que é possível e faz sempre bem persistir e perdoar, seguir em frente em unidade mais amadurecida; e de que assim mesmo é realmente a vida, como a corrente profunda do mar ou a linha contínua do tempo, que, mesmo com Outonos e Invernos, ruma sempre à Primavera.

Mas uma coisa é dizer isto, como o estou a fazer agora, e outra, bem mais importante e indiscutível, é demonstrardes vós a verdade do que vai dito. Pois aí estais e assim prosseguis. Vós sois aqui hoje e sereis amanhã onde estiverdes o rosto expressivo e a exemplificação concreta das possibilidades e do valor do sacramento do matrimónio. Vós atestareis por experiência própria, ganha nas dificuldades que vencestes, o que Cristo disse, em resposta a um discípulo que duvidava das possibilidades duma vida cristã propriamente dita, ou seja, que encontra em Deus a única riqueza e garantia: “Aos homens é impossível, mas a Deus tudo é possível” (Mt 19, 26).

 

E, no entanto, nem eu nem vós presumimos alguma coisa ou nos consideramos superiores a quem quer que seja. Sabemos, bem demais, que muitos casais não vivem propriamente em matrimónio e que tantos outros não prosseguiram unidos, pelas mais diversas causas. Não julgamos ninguém, nem nos consideramos melhores que os outros.

Mas reconhecemos, com toda a convicção reconhecemos, que o ideal dum matrimónio uno, indissolúvel e fecundo, corresponde bem à alma humana, que se realiza em entregas totais, definitivas e criativas. Que a pessoa, cada pessoa, só se revela no tempo, ao longo dos anos que viver, e desde que acompanhada nesse percurso por outros que igualmente se vão revelando, rumo ao melhor de si próprios. E que isto mesmo acontece do modo mais radical e verdadeiro num projeto matrimonial que se prepara, acontece e mantém, tempo fora. Por isso, o que sabemos propomos, sem nos sobrepormos mas permanecendo, em convicções comprovadas.

Os sacramentos são ações do Ressuscitado no seu corpo, que é a Igreja, a comunidade dos crentes. Por isso devem ser eclesialmente vividos, preparados e mantidos. É fundamental que em cada comunidade a preparação para o matrimónio seja feita a longo prazo, a partir duma catequese que forme para a vida partilhada, com Deus e com os outros, o sentido do serviço e a felicidade do bem querer e do bem fazer; e isto mesmo com a cooperação dos pais e das famílias, que igualmente sigam o caminho de Cristo e da sua entrega por todos. Depois, ao longo da vida matrimonial, que importantes são encontros e movimentos de casais e famílias, que mantenham viva a chama cristã em tudo quanto se faça e prossiga nesses âmbitos essenciais.

Queridos irmãos e irmãs: celebrar a Santíssima Trindade é louvar a Deus uno e trino, ou seja uno no amor que em Si mesmo compartilha. A vida é aprendizagem de Deus, nosso princípio e destinação eterna. A vida do casal e da família é para isso a melhor escola, imprescindível portanto. - Graças a Deus por vós e pelas vossas Bodas que n’Ele mesmo celebrais! A Igreja e a sociedade esperam muito e quase tudo do presente e do futuro da família cristã.

 

Porto, 3 de Junho de 2012, na Eucaristia conclusiva das Jornadas Diocesanas Família e Juventude

+  Manuel Clemente

 


 



Anexos:
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