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Celebração da Recepção das Relíquias de S. João Bosco PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2012

7 de Set.2012

Celebração da Palavra – Homilia

«Não temais pequeno rebanho, porque aprouve ao vosso Pai dar-vos o Reino». Esta palavra do Evangelho com a qual Jesus Cristo quer resituar a vida dos seus discípulos no que é verdadeiramente importante para o ser humano é de uma oportunidade impar para nós hoje mergulhados numa sociedade e numa cultura que necessitam de ser orientadas pelos valores verdadeiramente dignos do homem, tão ofuscadas se encontram pelo imediatismo e pelos interesses materiais.

Ajuda-nos nesta eleição o contacto com as relíquias de S. João Bosco. Não só porque são uma presença permanente de alguém que marcou o seu tempo reconhecendo o que verdadeiramente era importante para a vida do ser humano sedento da realização plena, mas porque se colocou em atitude de serviço a uma sociedade que necessita de uma palavra orientadora e gestos concretos de libertação.

 

O tempo presente para ser verdadeiramente transformado necessita de ser informado pela verdadeira esperança. Disso nos dá conta a primeira leitura na qual se reflecte, na linguagem de S. João e com as imagens próprias do Apocalipse, que apesar das situações de extrema dureza, perseguição, sofrimento ou humilhação, temos a certeza de que em Jesus Cristo, o verdadeiro Cordeiro que tendo dado a vida está glorioso junto do Pai, encontraremos a alegria, o júbilo e o encontro da comunhão com Deus e com os irmãos, vividos no amor.

Pelas relíquias de S. João Bosco somos conduzidos de modo sensível à experiência da felicidade que o tempo esconde mas que a eternidade abre perante cada um de nós que, deste modo, se sente reconfortado na esperança.

Já São João Damasceno focava na veneração das relíquias dos santos a convicção de que estes, tornando-se participantes da ressurreição de Cristo, são considerados vivos. Sim, perante as relíquias de S. João Bosco, não estamos a prestar homenagem a alguém do passado, muito pelo contrário, estamos perante sinais de vida que nos oferecem o conteúdo mais excelente sobre a existência humana. Por isso, diz ainda São João Damasceno que «antes de tudo (veneramos) aqueles entre os quais Deus descansou; Ele é o único santo que repousa entre os santos (cf. Is 57, 15), como a Santa Mãe de Deus e todos os santos. Eles são aqueles que, na medida do possível, se tornaram semelhantes a Deus com a sua vontade e, pela inabitação e a ajuda de Deus, são chamados realmente deuses (cf. Sl 82, 6), não por natureza mas por contingência, assim como o ferro abrasado se chama fogo, não por natureza mas por contingência e por participação do fogo. Com efeito, diz: sereis santos, porque Eu sou santo (cf. Lv 19, 2)" (discurso III, 33, col. 1352a). Daí, como que se coloca na contemplação da obra criadora de Deus, exclamando: «Deus, que é bom e superior a toda a bondade, não se contentou com a contemplação de si mesmo, mas quis que seres por Ele beneficiados pudessem tornar-se participes da sua bondade; por isso, do nada criou todas as coisas visíveis e invisíveis, inclusive o homem, realidade visível e invisível. E criou-o pensando e realizando-o como um ser capaz de pensamento enriquecido pela palavra e orientado para o espírito» (discurso II, 2, pg 94, col. 865a). E para esclarecer ulteriormente o pensamento, acrescenta: «É necessário deixar-se encher de encanto por todas as obras da providência, louvá-las e aceitá-las todas, vencendo a tentação de reconhecer nelas aspectos que para muitos parecem injustos ou iníquos, e admitindo contudo que o desígnio de Deus vai além da capacidade cognoscitiva e compreensiva do homem, enquanto ao contrário somente Ele conhece os nossos pensamentos, as nossas acções e até o nosso futuro" (discurso II, 29, pg 94, col. 964c).

Mas São João Damasceno não ignora que a beleza da criação está ferida pelo pecado que só poderá voltar ao seu esplendor através da incarnação do Verbo de Deus que a redime e a restitui à sua perfeição original. Com ímpeto apaixonado, João explica: «Era necessário que a natureza fosse revigorada e renovada, que fosse indicado e ensinado concretamente o caminho da virtude, que afasta da corrupção e leva à vida eterna... Foi assim que surgiu no horizonte da história o grande mar do amor de Deus pelo homem».

É uma bela expressão. Por um lado, vemos a beleza da criação e, por outro, a destruição provocada pela culpa humana. Mas vemos no Filho de Deus, que desce para renovar a natureza, o mar do amor de Deus pelo homem. Acrescenta, então que «Ele mesmo, o Criador e o Senhor, lutou pela sua criatura, transmitindo-lhe com o exemplo o seu ensinamento... E assim o Filho de Deus, mesmo subsistindo na forma de Deus, abaixou os céus e desceu... para junto dos seus servos... realizando a coisa mais nova que todas, a única verdadeiramente nova debaixo do sol, através da qual se manifestou de modo efectivo o poder infinito de Deus» (discurso III, 1, pg 94 coll. 981c-984b)[1].

Pelos sinais sensíveis das relíquias de São João Bosco somos levados à beleza da criação, retomada pela acção de Jesus Cristo e desejada e trabalhada na vida deste grande Santo.

Para os crentes a relação de Jesus Cristo com as suas criaturas por quem Ele dá a vida e renova pela Graça do Espírito Santo não pode ser destruída pela morte, mas mantém-se noutra vida. Com efeito, Jesus declarou: «Quem crê em Mim, ainda que esteja morto, viverá» (Jo 11, 25). A Igreja sempre professou esta fé e expressou-a sobretudo na oração de louvor, que dirige a Deus em comunhão com todos os Santos e na invocação a favor dos defuntos, que ainda não se purificaram plenamente. Por outro lado, a Igreja inculca o respeito pelos restos mortais de todo o ser humano, quer pela dignidade da pessoa a que pertencem, quer pela honra que se deve ao corpo de todos os que, com o Baptismo, se tornaram templos do Espírito Santo. A liturgia no rito das Exéquias e na veneração das relíquias dos Santos, que se desenvolveu desde os primeiros séculos, é testemunho específico disto. Aos ossos destes últimos — diz São Paulino de Nola — «jamais falta a presença do Espírito Santo, da qual provém uma graça viva aos sepulcros sagrados» (Cântico XXI, 632-633)[2].

Deste modo, estamos a celebrar a vida que nos vem de Deus e que se expressa em criaturas concretas que souberam marcar o seu tempo e são verdadeiros exemplos para o nosso. Aprendamos destas ilustres testemunhas de humanidade, de fé, de amor a Deus e ao próximo.

Por isso, o Concilio refere que «a Igreja, segundo a tradição, venera os Santos e as suas relíquias autênticas, bem como as suas imagens. É que as festas dos Santos proclamam as grandes obras de Cristo nos seus servos e oferecem aos fiéis os bons exemplos a imitar» (SC, 111).

Que a presença das relíquias de S. João Bosco nesta catedral, Igreja Mãe de toda a diocese, seja uma interpelação a todos nós a vivermos em conformidade com o Evangelho de Jesus Cristo e a testemunhá-lo na santidade das nossas vidas.

Que neste ano da Fé, ele nos ajude a sermos verdadeiros educadores da Fé em Jesus Cristo.

Amén.

 

+ João Lavrador

Bispo Auxiliar do Porto

 

 

 


[1] Citações retiradas do texto de Bento XVI, Audiencia geral, Praça de São Pedro, 6 de Maio de 2009

[2] Citações retiradas do texto de João Paulo II, Audiencia geral, Praça de São Pedro, 28 de Outubro de 1998

 
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