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Relíquias de S. João Bosco - Homilia da Eucaristia PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2012

 

«Alegrai-vos sempre no Senhor. Novamente vos digo: alegrai-vos!». Este convite que S.Paulo dirige aos cristãos de Filipos é o mesmo que nos interpela hoje. Sim, temos redobrados motivos para viver na alegria.

O primeiro é enumerado por S. Paulo ao dizer que Deus está próximo e quando se vive do amor de Deus nada mais temos a temer, como afirma Santa Teresa.

Outro motivo para a alegria provem da belíssima imagem que o profeta Ezequiel oferece ao seu Povo, do pastor que cuida do seu rebanho em todas as situações e necessidades, para o convidar à relação amorosa com Deus, mas também para afirmar que aqueles que são escolhidos para orientarem o Povo de Deus serão conforme ao Seu coração.

 

Um terceiro motivo vem da própria boca de Jesus Cristo que coloca uma criança no meio dos seus discípulos para lhes indicar de modo muito concreto como se pode entrar e pertencer ao Reino de Deus.

Por último, temos motivos para a alegria porque São João Bosco, nos sinais das suas relíquias nos visita. Nele, reconhecemos como dócil ao chamamento divino, focou toda a sua vida pelo Evangelho e, como tal, viveu a simplicidade e a humildade como experiência do Reino, e levou ao extremo o zelo como educador dos que eram os mais pequenos e pobres da sociedade. Também a sua vida foi um convite a viver a alegria em Jesus Cristo.

As relíquias de S. João Bosco vieram até nós e com elas vem não só a lembrança e a veneração deste grande santo mas também a mensagem que ele nos quer oferecer nos tempos em que vivemos.

Dom Bosco é um exemplo resplandecente de uma vida marcada pela paixão apostólica, vivida ao serviço da Igreja, nomeadamente junto da juventude.

Bento XVI definia a sua pessoa e a sua acção do seguinte modo: «O horizonte no qual se coloca este modelo é o da primazia absoluta do amor de Deus, um amor que chega a plasmar personalidades fervorosas, desejosas de contribuir para a missão de Cristo, a fim de acender toda a terra com o fogo do seu amor (cf. Lc 12, 49)».  E, prossegue, sublinhando que «ao lado do fervor do amor de Deus, outra característica do modelo salesiano é a consciência do valor inestimável das "almas". Esta percepção gera, por contraste, um sentido agudo do pecado e das suas devastantes consequências no tempo e na eternidade». Para concluir nos seguintes termos: «O apóstolo está chamado a colaborar na acção redentora do Salvador, para que ninguém se desvie. "Salvar as almas", segundo a palavra de São Pedro, foi portanto a única razão de vida de Dom Bosco»[1].

O seu primeiro sucessor na obra por ele fundada, dizia acerca dele: "Não moveu passo algum, não pronunciou palavras, não empreendeu obras que não tivessem por finalidade a salvação da juventude... Realmente a sua única preocupação eram as almas".

Foi verdadeiramente o apóstolo da juventude porque esta foi a sua autêntica paixão.

Como nos recorda o Santo Padre, também hoje é urgente alimentar esta paixão. Ele, no seu tempo, não teve receio de se mover com audácia nos âmbitos mais difíceis da acção evangelizadora a favor dos jovens, especialmente dos mais pobres material e espiritualmente. Com o olhar colocado em S. João Bosco, também hoje se exige a paciência e a coragem de propor aos jovens que vivam a mesma totalidade de dedicação na vida consagrada. É-nos exigido um coração aberto para encontrar as novas necessidades dos jovens e ouvir a sua invocação de ajuda.

S. João Bosco é o modelo do verdadeiro educador. Importa sublinhar alguns traços do seu modelo educativo e da sua paixão pelo acompanhamento das novas gerações, precisamente num tempo em que se necessita de exemplos claros de projectos educativos e verdadeiras testemunhas que realcem a formação global do ser humano.

Dom Bosco compreendia os jovens. Possuía uma particular intuição da alma juvenil. Estava sempre pronto e atento para ouvir e entender os mais novos que, em grande número, se lhe dirigiam no oratório de Valdocco e no Santuário de Maria Auxiliadora. Perante a pergunta sobre o segredo desta peculiar profundidade em "compreender" os jovens, teremos de reconhecer que a resposta estava em que ele os "amava" com igual profundidade.

Poderemos mesmo afirmar que esta era a fórmula pedagógica deste notável santo: compreender e amar. Uma formação que levaria sempre consigo o eco, nunca extinto, da palavra que Cristo dirige a quem quer ser seu discípulo: "Vem e segue-me" (Mt 19, 21; Lc 18, 22). Segue-me com fidelidade e constância; segue-me a partir de agora; segue-me através dos vários e possíveis caminhos da tua vida.

Resumiríamos, então, toda a acção de São João Bosco neste bem sucedido e magistral «encaminhamento» dos jovens para Cristo[2].

Compreendeu bem que, em cada jovem, enquanto ser humano, o reino de Deus é oferecido de modo particular como tarefa para o homem. Se se quer de maneira definitiva entrar nele, é preciso acolhê-lo sobretudo no sentido e segundo a perspectiva que é apresentado por Jesus quando diz: «Quem receber um menino como este, em Meu nome, é a Mim que recebe» (Mt 18, 5). Jesus mesmo é-nos dado, e é confiado à alma da criança, porque mediante Jesus, e só por sua virtude, o reino de Deus se inicia no homem e nele se desenvolve.

S. João Bosco apreendeu esta verdade de modo extraordinário, assim como só um santo a pode recolher. Como afirma João Paulo II: «nela encontrou o principal carisma da sua vida sacerdotal, a própria vocação especial. Nela encontrava recursos vigorosos, mesmo incompreensíveis. Amou o reino de Deus presente na alma da criança, e esse amor evangélico não só fez deste simples sacerdote um educador genial, mas também um sábio mestre de educadores»[3].

João Paulo II, a partir da pergunta que dirigiu aos jovens reunidos na praça Maria Auxiliadora sobre o modo como queriam construir o seu futuro e o das gerações vindouras, questionando aqueles que se situam apenas na ambição dos bens materiais, com o acréscimo talvez de uma cultura mais rica, de uma ciência mais adiantada e de uma tecnologia mais avançada, respondia do seguinte modo: «não querereis porventura transmitir aquela perspectiva superior, a que acenei, aqueles bens de ordem espiritual que se chamam amor e liberdade? Digo-vos verdadeiro amor e verdadeira liberdade, porque podem facilmente ser manipuladas». E reforça esta afirmação, sublinhando que «no nosso tempo, somos testemunhas de uma terrível manipulação destas palavras: amor e liberdade».

Por isso, continua, «é necessário encontrar o verdadeiro sentido das palavras: amor e liberdade».

Isto só se poderá adquirir, retornando ao Evangelho.

Daí, conclui o Santo Padre: «deveis tornar à escola de Cristo. Transmitireis, depois, estes bens de ordem espiritual: sentido da justiça em todas as relações humanas, e promoção e defesa da paz (…) Tem de se voltar sempre à escola de Cristo para reencontrar o verdadeiro, pleno e profundo significado destas palavras. O suporte necessário para estes valores não se encontra senão na posse de uma fé segura e sincera, de uma fé que abranja Deus e o homem, o homem e Deus»[4].

Porque onde está Deus e onde está Jesus Cristo, seu Filho, tal fundamento é constante, é profundo, é profundíssimo. Não há dimensão mais adequada nem mais profunda a dar ao "homem", ao "amor", à "liberdade", `a "paz" e à "justiça": não há outra, a não ser Cristo. Assim, tornando sempre a esta escola, eis aí a busca desses dons preciosos que os jovens devem acolher e transmitir às gerações futuras, ao mundo de amanhã.

Caros cristãos que nos reunimos para venerar as relíquias de São João Bosco. Viemos em atitude de fé e de reconhecimento pela santidade de Deus que fala na santidade deste nosso irmão que embora vivendo em tempos diferentes muito tem a dizer ao nosso. Nele sobressai a paixão por transmitir o Evangelho, nomeadamente aos jovens, que se torna uma interpelação para a cultura actual tão carente de testemunhas apaixonadas por Jesus Cristo e pelo ser humano que, num amor sem limites deixe emergir a criatividade e a profundidade necessárias para uma educação global daqueles que serão as gerações do futuro.

Sem dúvida, olhar para São João Bosco, reconhecer nele a santidade de Deus que se expressa na sua vida e na sua obra é confrontarmo-nos com o apelo a uma relação com Jesus Cristo tão profunda e englobante que só a imagem da esponsalidade pode traduzir e da qual surge uma afinidade que se experimenta como verdadeira fidelidade.

Os nossos olhos prendem-se n’ele para verem na sua pessoa o que S. Paulo afirma ao dizer: «o que aprendestes, recebestes e ouvistes de mim, e vistes em mim, é o que deveis praticar».

Efectivamente temos necessidade de aprender de S. João Bosco a comunhão de vida com Deus, a escuta de Jesus Cristo que chama e envia para a missão, penetrar com olhar evangélico na pobreza dos homens, sobretudo dos jovens de hoje, viver em coerência a fé na vida quotidiana.

Termino implorando de São João Bosco que hoje nos visita nos sinais das suas relíquias, que nos abençoe e que junto de Deus nos alcance as graças necessárias para sermos verdadeiros evangelizadores. Coloco perante a sua protecção particularmente aqueles que mais sofrem, os desempregados, os doentes, os solitários, os idosos, os migrantes, os famintos os desalojados e sobretudo os jovens que não encontram o sentido da vida.

Amen.

Sé do Porto, 7 de Setembro de 2012

+ João Lavrador

Bispo Auxiliar do Porto

 


[1] Bento XVI, Discurso aos membros do XXVI capitulo geral dos salesianos, 30 de Março de 2008

[2] Cfr. João Paulo II, discurso aos jovens na praça de Santa Maria Auxiliadora, 13 de Abril de 1980

[3] João Paulo II, homilia na visita pastoral à paróquia de São João Bosco, 31 Janeiro de 1982

[4] Ib., discurso aos jovens na praça de Santa Maria Auxiliadora, obr. cit.

 
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