Faixa publicitária
NA INDISPENSÁVEL FONTE PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2012

 

Homilia da Missa de abertura do X Congresso Internacional das Misericórdias

 

 

1.Senhoras e senhores, caríssimos irmãos das Misericórdias reunidas no seu 10º Congresso Internacional: É com todo o gosto e envolvimento pessoal e institucional que vos acolho nesta sé, a que a Santa Casa da Misericórdia do Porto está tão profundamente ligada pela origem histórica e pela motivação evangélica. Saúdo-vos vivamente e desejo os maiores êxitos para os vossos trabalhos.

 

Ao virdes aqui, cadenciais também os passos e os corações com o ritmo da Igreja, que em todo o mundo celebra hoje a memória de muitos cristãos coreanos que, em meados do século XIX, deram a vida por Cristo e pelo Evangelho. Fecundaram assim uma gloriosa cristandade, que é hoje das mais crescentes e radiosas, naquele Oriente tão distante e tão próximo.

Tal não aconteceria, se não fosse a germinação do seu martírio, que liturgicamente celebramos. Grande lição para nós, na Europa e seja onde for; e muito em especial para vós, caríssimos irmãos das Misericórdias em Congresso. Lição que é essencialmente esta, como dois milénios cristãos sobejamente demonstram: tudo se garante para amanhã com a generosidade que tivermos hoje; todos os sacrifícios pessoais, todas as solidariedades institucionais darão fruto a seu tempo, garantidos pelo Espírito de Cristo, que da sua morte por nós fez vida para todos. Isso mesmo ilustra magnificamente o quadro Fons Vitae, preciosa jóia artística e impulso anímico da Santa Casa da Misericórdia do Porto.

Por menos que pudesse parecer nalgum momento mais pesado ou distraído, é apenas esse amor verdadeiro – ou seja, abnegado e discreto – que nos sustém como humanidade e nos garante como destino. Apraz-me reconhecê-lo e admirá-lo aqui, nas vossas presenças pessoais e institucionais, caríssimos irmãos das Misericórdias, dando, por isso mesmo muitas graças a Deus, permanente origem de todo o bem do mundo. Assim mesmo compartilhais o martírio de Cristo e dos seus discípulos autênticos – cruento para alguns e incruento para todos – dando realmente a vida pelo bem do próximo. Não são fantasias nem ideais vazios: é a verdade comprovada do vosso dia a dia, pessoal e institucional: - Bendito seja Deus!

2.Como sempre sucede em Liturgia, ouvimos a Palavra de Deus nas leituras bíblicas. Num trecho da 1ª carta que São Paulo escreveu aos coríntios, dizia o Apóstolo: “Recordo-vos o Evangelho que vos anunciei e que recebestes, no qual permaneceis e pelo qual sereis salvos, se o conservais como eu vo-lo anunciei […]: Cristo morreu pelos nossos pecados […]; foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia”.

Desde a primeira geração cristã que nos definimos precisamente neste ponto: Para todas as fragilidades – imensas fragilidades! – do corpo ou do espírito, contamos com a oferta maior e disponível da vida de Cristo, que na sua cruz assumiu e resgatou a cruz do mundo.

Assim o acreditavam firmemente os vossos fundadores, que por isso mesmo se aplicaram às catorze obras de Misericórdia, não deixando de lado nenhuma carência ou mazela, tanto do corpo como do espírito. Nisto mesmo vos reencontrais hoje, caríssimos irmãos, recebendo e partilhando a totalidade evangélica que recebeis de Cristo, verdadeira Fonte da Vida. – E bem precisa o mundo hoje em dia de ser alimentado com todo o tipo de “pão”, tanto para a subsistência física, como para a dignificação social e não menos cultural e espiritual das existências!

Foi exactamente por se ter esquecido ou secundarizado esta dimensão integral do ser humano, que se somaram tantos aspectos negativos que hoje nos ensombram a existência pessoal e a coexistência colectiva. Nunca estaremos bem fisicamente se o não estivermos espiritualmente. – E que melhor Espírito do que o de Cristo, inteiramente traduzido na doação de si mesmo para a felicidade de todos?

É também por isso que não opondes solidariedade e caridade, muito pelo contrário. Bem sabeis, caríssimos irmãos, que a solidariedade é um princípio essencial da sociedade e do próprio Evangelho, onde nada se equaciona individualmente sem ter em conta o conjunto. A oração que Cristo nos deixou é solidária do princípio ao fim, pois tudo se pede para todos e ao Deus de todos: é nosso o Pai, como para nós – não só para mim – o são o reino, o pão ou o perdão. Mas, por caridade, entendemos nós a solidariedade na sua primeiríssima raiz, qual seja o próprio amor com que Deus nos ama,  cria e recria, numa disposição eterna que vai muito além da nossa disposição variável ou dos nossos compreensíveis cansaços.

E, mais uma vez, enquanto discípulos de Cristo, aprendemos com Ele o que isto é e deve ser, ao ponto de perdoar aos seus próprios inimigos e também por eles morrer na cruz. Concordemos, irmãos e irmãs, que, para divisões sociais e culturais tão profundas como as que hoje afetam a sociedade de perto ou mais longe, só a solidariedade radical da caridade de Cristo poderá bastar. Quando as Santas Casas juntam e promovem os gloriosos “C” de Culto, Caridade e Cultura, não só retomam a intenção original que as fundou, mas também alcançam a totalidade da resposta que prometem.

3.O Evangelho que escutámos traçou-nos pela pena magistral de São Lucas o perfil completo do que a misericórdia significa, como absoluto predomínio da caridade divina. Três personagens em destaque: um fariseu formalista que convidara Jesus para comer em sua casa; uma mulher malvista, que conseguira entrar e chorava aos pés de Jesus, lavando-os com lágrimas; e o próprio Jesus, que, perante a admiração negativa do fariseu, valoriza unicamente o amor que a mulher demonstrara e a resgatara também - como unicamente nos resgata, a nós e ao mundo. Fique-nos no coração a voz inextinguível de Cristo: “São-lhe perdoados os seus muitos pecados, porque muito amou”.

Irmãos e irmãs: Isto sobretudo nos interessa e há de motivar profundamente o presente Congresso, como diariamente motiva as vossas vidas. O mal apenas se cura com o bem e até com aquele “excesso” de bem com que, em Cristo, Deus recupera a humanidade. Com aquele verdadeiro amor com que Deus nos recria e nós nos recriamos uns aos outros, quando acreditamos no amor de Deus, como aquela mulher o esperava de Cristo.

Mesmo que nas vossas Santas Casas não disponhais do magnífico Fons Vitae da Misericórdia do Porto, tereis lá algum Crucifixo para fixar os olhos, esclarecer a mente e fortalecer o coração. Pois bem, sempre que vos assaltarem dúvidas ou sobrepesarem desânimos, fixai-O bem. Fixai-O como Maria – Mãe de Cristo e das Misericórdias – O olhou aos pés da cruz. Experimentareis mais e mais como a caridade divina vos fortalecerá a esperança e como, mesmo nas maiores dificuldades, se pode vislumbrar aquele “terceiro dia” em que o verdadeiro futuro acontecerá decerto.

 

+ Manuel Clemente, Bispo do Porto

20 de Setembro de 2012

 
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Quer receber as nossas novidades no seu e-mail? Subscreva a nossa Newsletter especificando o seu endereço de e-mail:

Entrevista ao padre Samuel Guedes sobre Sílvia Cardoso

Março 2017
2017-03-24 17:38:32
Sacramento da Reconciliac?a?o nas Paro?quias da Vigararia Trofa / Vila do Conde
2017-03-24 17:37:07
carta
2017-03-02 11:04:29
Cartaz
2017-02-24 12:02:57
Faixa publicitária
Faixa publicitária


© Diocese do Porto, Todos os Direitos Reservados.