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DESTE REINO SOMOS, NA VERDADE PASCAL DA VIDA PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2012

 

 

Homilia na Solenidade de Cristo Rei, encerramento da Semana Social

 

 

Cristãos caríssimos:

 

1. Reunidos nesta catedral a celebrar a solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, o que havemos de fazer e desde já é darmos por isto mesmo, tão rapidamente enunciado e tão demoradamente consciencializado.

Refiro-me ao facto de estarmos aqui, vindos de mais perto ou de mais longe, confirmando a verdade da realeza de Cristo, que só ela nos explica deste modo.

 

Historicamente falando, Jesus viveu no mundo há dois milénios já, no povo que foi o seu e falando a sua língua, dentro dos seus usos e costumes. Trinta e tantos anos, dos quais conhecemos sobretudo os últimos dois ou três, entre Nazaré da Galileia e Jerusalém da Judeia... Anunciou de facto um “reino”, pelo qual também morreu. E uma inscrição, ao alto da sua cruz, assim transformada em trono, proclamava-o em várias línguas: “Jesus Nazareno Rei dos Judeus”.

Ali por perto já restavam muito poucos, que lhe ouviram algumas palavras e testemunharam os últimos sinais, quase a resumir tudo quanto dissera e fizera: perdão até ao fim, mesmo dos próprios inimigos, sede de nós, abandono no Pai, entrega do Espírito… Um dos relatos menciona a Mãe que também nos ofereceu, confiando-a ao discípulo que somos todos. E acrescenta que do seu peito brotaram depois sangue e água, ou seja, a vida e o Espírito que nos sustentam agora.

Passou esse dia, passou ainda outro, e veio a alvorada em que nunca mais deixaremos de amanhecer: o túmulo estava vazio e os corações dos discípulos ficaram cheios da sua paz. Nunca mais calaremos o brado: “Ele está no meio de nós!”.

E aqui estamos agora, nesta concentração máxima dos sinais da sua presença – palavra, sacramento, irmãos – repetindo de coração e vida as palavras absolutas de Tomé, quando finalmente O viu: “Meu Senhor e meu Deus!”.

 

2. É deste reino que falamos e é desta lição que damos conta. Saúdo muito especialmente os organizadores e participantes da Semana Social, que aqui aconteceu no Porto, subordinada ao indispensável tema “Estado Social e Sociedade Solidária”.

Os esforços em realizá-la nestes tempos difíceis, em que – apesar de tudo e acima de tudo – é preciso realmente pensar e abrir rasgões de luz e esperança a tanta gente sofrida ou ameaçada no que mais importa à sua existência e dos seus, foram amplamente recompensados pela quantidade e qualidade das participações.

Muitos parabéns – em especial ao coordenador nacional (Dr. Guilherme d’Oliveira Martins) e ao responsável diocesano (Prof. Joaquim Azevedo), aos seus colaboradores mais próximos e à Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana (presidida pelo Senhor D. Jorge Ortiga). O trabalho feito e as conclusões finais da Semana Social foram e serão um excelente contributo para o nosso futuro solidário.

 

3. O Evangelho escutado narrava-nos um momento específico da paixão de Cristo, no seu diálogo com Pôncio Pilatos, o representante do maior reino daquele tempo, o Império Romano.

Fora e era este uma grande construção humana, tanto na civilização como na cultura, de que ainda hoje somos herdeiros a vários títulos: língua, direito, administração, sistematização básica dos saberes, estruturação material e urbana e tantos outros itens importantes. Abarcando e sistematizando a generalidade dos contributos das civilizações mediterrânicas antigas, especialmente a helenista, o Império Romano estabilizou-os e desenvolveu-os entre os vários povos que abrangia, durante quatro ou cinco séculos. Muita coisa e muito tempo, efetivamente, podendo dizer-se que nada aconteceu antes nem depois de tal qualidade e dimensão, ao longo da história mundial. Naquele dia e naquela circunstância evangélica este reino tinha nome e figura: Pôncio Pilatos.

À sua frente estava Jesus de Nazaré. Tão diverso de Roma, que tudo era ao contrário: oriundo da mais remota e desacreditada província do Império; criado numa terra que nem entre os outros judeus tinha grande fama; sem letras nem artes deste mundo, que o fizessem sobressair de entre tantos; desapoiado dos muitos que antes o tinham seguido e aclamado…

Chegara àquele ponto em absoluto contraste com os triunfos dos heróis romanos, que Pôncio Pilatos decerto admirava: esses mesmos que eram recebidos com arcos de triunfo e as aclamações do povo, arrastando atrás de si os inimigos vencidos e os melhores despojos. Jesus não arrastava nada nem ninguém: despojos nenhuns e amigos poucos e escondidos; o povo, que dias antes o aclamara, deitara fora os ramos e as palmas e agora injuriava-o e pedia a sua morte…

Mas alguém dissera ao representante de Roma que aquele homem se pretendia “rei”. Por isso foi certamente com sarcasmo que Pilatos lhe perguntou: «Tu és o rei dos judeus?». Para ouvir em resposta: «O meu reino não é deste mundo». E, mais à frente: «É como dizes: sou rei. Para isso nasci e vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz».

Irmãos e amigos: - Percebemos agora, porventura mais, e nestas concretíssimas circunstâncias pessoais e sociais, o significado autêntico da realeza de Cristo?! Assim o creio e confirmo, vendo-nos aqui reunidos “em seu nome” e com Ele no meio de nós, nos múltiplos sinais da sua presença ressuscitada e ressuscitadora das vidas pessoais e compartilhadas.

A resposta à pergunta de Pilatos sobre a realeza de Cristo são as nossas vidas, redobradamente atraídas pela verdade de quanto disse, fez e inabalavelmente é. Por isso o seu reino não tem a exterioridade dos reinos deste mundo, nem a sua efemeridade também. As suas conquistas são essenciais, vão muito dentro e bem fundo de cada um de nós, convertendo corações e critérios, alterando radicalmente gostos, desejos, preferências e projetos.

 

4. Mas a nossa presença aqui, amados irmãos, significa ainda mais. Comprova a vitória de Cristo e o seu modo de acontecer, tão diversos das vitórias de Roma e do seu modo de impor-se.

O Reino a que pertencemos é propriamente pascal e não pode ser doutra forma. E Páscoa quer dizer ganhar-se o que se dá, não o que se tira; Páscoa quer dizer ressurreição pela cruz e não fora dela; Páscoa significa pensamento e ação inteiramente polarizados na vontade de Deus Pai, que é o bem concreto de todos; Páscoa é confiar, mesmo quando o abandono nos avassala e sufoca, ao ponto de só podermos repetir como Cristo na cruz: “Meu Deus, meu Deus…”; e ainda assim – e sobretudo então – persistir.

A nossa Semana Social, teve alguma cobertura mediática, não sendo de esperar outra coisa, pela oportunidade do tema e pelo reconhecido valor dos conferencistas. Mas o que mais valeu – permiti-me o sentimento pessoal – foi a qualidade pascal do evento, o testemunho de que, mesmo nos momentos mais difíceis e complexos duma sociedade concreta, é possível acreditar e persistir em valores humanos tão essenciais, que foram divinamente assumidos e infinitamente potenciados por aquele jovem de Nazaré da Galileia em cujo nome nos reunimos agora aqui no Porto.

Dois milénios depois, mas na mesma hora pascal em que o mundo sempre se renova; em que tudo o que parece irremediável e final de novo desponta nos corações e nas vidas de pessoas, famílias, empresas e sociedades inteiras.

Deste reino somos, os que escutamos a sua voz e damos testemunho da verdade pascal da vida. Como, muito felizmente, aconteceu nestes dias, nesta Cidade da Virgem, a Mãe que Jesus Cristo nos ofereceu na cruz.

 

+ Manuel Clemente

Sé do Porto, 25 de Novembro de 2012

 
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