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Homilia da Vigília Pascal PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2013

 

Ao romper da manhã deste dia sem fim…

 

Caríssimos irmãos e irmãs, aqui reunidos em vigília pascal e nela despertos para o que nós sabemos e testemunhamos ao mundo, abrindo a noite em dia: Cristo venceu a morte e na sua ressurreição restaurou a vida!

Vai para dois mil anos que este anúncio é feito, como o ouvíamos no precónio pascal. Mais ainda o ouvimos no nosso dia a dia “cristão”, se ele é exatamente assim, na sucessão dos sinais apercebidos da presença de Cristo em nós e no mundo. Isto mesmo prometeu e agora cumpre: «Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos!» (Mt 28, 20).

Palavra que é urgente repetirmos a nós próprios e a todo o que sofre ou desanima, nas dificuldades da vida e nas desilusões que surgem, como sempre surgem tantas e nos seus mais diversos âmbitos.

 

Mas, primeiramente, é preciso que nos reanimemos nós, na alma nova que a Páscoa de Cristo oferece. Surpreendente realidade, e muito além das nossas expectativas, realidade apercebida e nunca por demais aprendida e vitalmente aceite. Estou certo, caríssimos irmãos, que falo por todos os que aqui estamos, ao adiantar que nenhum de nós aqui estaria se não vislumbrasse já na sua vida algo ou muito daquela luz que acendemos no círio pascal: precisamente a de Cristo “luz do mundo”.

Luz de Cristo que transfigura quem ilumina, acesa em nós para chegar a todos, como também nos disse: «Vós sois a luz do mundo. Não se […] acende a candeia para a colocar debaixo do alqueire, mas sim em cima do candelabro, e assim alumia todos os que estão em casa. Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, de modo que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai, que está no Céu» (Mt 5, 14-16).

Vistas as coisas a esta luz, a nossa condição esclarece-se e a nossa responsabilidade aumenta. Por isso estamos em vigília, isto é, pascalmente despertos por um Sol que raiou e não terá ocaso. Deslumbra-nos a luz de Cristo, a verdade da sua vida vencedora, de modo tão único e completo. Vitória onde só parecia haver derrota, como na cruz dum condenado. Vitória que na morte refez vida, no resplendor duma cruz que nos convence e atrai. Atrai sim e prevalentemente atrai, mais do que todas as atrações que teimem em ofuscar-nos, Por isso estamos aqui, espiritualmente despertos e verificando em nós o realismo da promessa de Jesus: «Eu, quando for erguido da terra, atrairei tudo a mim» (Jo 12, 32).

Celebramos a Páscoa porque já nela vivemos e para a vivermos sempre mais. E uns com os outros, uns para os outros, porque também sabemos que é na comunidade cristã, nas suas várias concretizações, que sobretudo experimentamos a realidade prometida: «Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles» (Mt 18, 20).

A Páscoa de Cristo é a vitória da amizade em que nos inclui. Dessa mesma, que assim definiu ao despedir-se, para nos reencontrar mais à frente: «É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei. Ninguém tem mais amor do que quem dá a vida pelos seus amigos. […] É isto que vos mando: que vos ameis uns aos outros» (Jo 15, 12-13.17). Reparemos que o amor com que dá a vida por nós é aquele em que mutuamente nos faremos reviver uns aos outros. Percebeu-o absolutamente Paulo, grande apóstolo do Ressuscitado, que assim escreveu aos coríntios: «O amor jamais passará (cf. 1 Cor 13, 8).

Sabemos das verdadeiras amizades, que nunca se ficam pelas manifestações mais fáceis, antes se cimentam na grande atenção mutuamente dada, no verdadeiro apoio realmente prestado. E é sobretudo aqui que se verifica outra palavra de Cristo: «A felicidade está mais em dar do que em receber» (Act 20, 35).

Também aquelas mulheres, que foram de manhãzinha ao sepulcro, mostravam persistente apego ao seu Senhor, que tinham seguido desde a Galileia, não tinham abandonado em Jerusalém e nem esqueciam depois de morto. Tal fidelidade permitiu-lhes escutar o que ninguém ainda ouvira: «Porque buscais entre os mortos Aquele que está vivo? Não está aqui: ressuscitou!».

Outros, muitos outros que também tinham escutado Jesus, que o tinham aclamado e prometido grandes fidelidades, não o conseguiram acompanhar até ao fim e tiveram de se convencer do testemunho delas. Grande lição esta, para quem quer viver em Páscoa, porque ela só se apreende totalmente, na morte e ressurreição de Cristo, na experiência de quem aceita acompanhá-lo nesse caminho estreito e indispensável. Como o daquelas mulheres que o acompanharam da Galileia até ao sepulcro, não descurando nenhuma das etapas duma amizade comprovada.

Compreendamos irmãos o itinerário pascal, como geralmente se desenrola. Compreendamos que os cinquenta dias do Tempo Pascal que agora começa se sucedem aos quarenta da Quaresma que tivermos feito. Acharemos o que tivermos procurado, receberemos o que tivermos pedido, abrir-se-á a porta a que tivermos batido (cf. Lc 11, 9). Se realmente o fizemos, se continuamente o fizermos sem cessar.

Palavras mais incisivas são as que também escutámos, de Paulo aos romanos, nesta vigília eminentemente batismal: «Fomos sepultados com Ele pelo batismo na sua morte, para que, como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova. Se, na verdade, estamos totalmente unidos a Cristo pela semelhança da sua morte, também o estaremos pela semelhança da sua ressurreição. […] Considerai-vos mortos para o pecado e vivos para Deus, em Cristo Jesus».

Trata-se, indispensavelmente, duma amizade total e demonstrada, seguindo Cristo passo a passo, correspondendo ao amor com amor, que outra coisa ele não pede. E seremos os primeiros a anunciá-lo, pois com Cristo faremos um só corpo e um só espírito, para que a sua vida chegue aos confins do mundo, pequeno ou grande que este seja.

Vivamos em Páscoa, para a Páscoa de todos. Deixemos que o Crucificado ressuscite em nós, para ressuscitar de tantos “sepulcros” que por aí se espalham. Que este círio aceso no negrume da noite, brilhe em cada um de nós, para chegar a tanta tristeza, tanta solidão, tanta carência de tudo. - Como estavam os que ainda não sabiam da vitória que Cristo nos alcançou, mas souberam aquelas autênticas discípulas, no primeiro dia da semana, ao romper da manhã deste dia sem fim!

 

Sé do Porto, 30-31 de março de 2013

+ Manuel Clemente

 
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