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Homilia de D. Pio Alves na celebração do RIO IN DOURO PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2013

 

 

 

Jovens, discípulos de Jesus Cristo

 

1. Queridos jovens

Estou contigo, aqui e agora, para escutar no meu coração – para escutares no teu coração – a Palavra de Deus. Estou aqui – estás aqui – para deixar que essa maravilhosa semente de Vida germine, cresça e dê fruto na tua vida toda.

Este magnífico cenário, com o Douro por perto, transporta-nos a relatos de há dois mil anos e de sempre, de redes e peixes, protagonizados por Jesus Cristo: umas redes, umas pescas em que somos convidados a ser “pescadores de homens” (Lc 5, 10). Este magnífico cenário, com o Douro por perto, transporta-nos a essa multitudinária assembleia jovem, presidida pelo Papa Francisco, no Rio de Janeiro. Temos, inclusivamente, ao nosso lado a imagem de Cristo Redentor: podes ter a certeza desse abraço de afeto e misericórdia que o nosso Mestre nunca regateia. É este o cenário!

 

 

2. Ouviste, no texto do Evangelho (Mt 28, 16-20), o mandato de Jesus Cristo aos 11, aos 111, aos 1011, a todos, “ide e fazei discípulos entre todas as nações!”: é o slogan para a 27ª Jornada Mundial da Juventude a que estamos associados.

– Eu?

– Sim: também tu!

Mas eu sou novo! Mas eu não tenho jeito! Mas eu estou só!

Podes procurar todas as desculpas que quiseres: estão todas respondidas na Palavra de Deus que ouviste. Recordo-te a resposta de Deus a Jeremias, na primeira leitura (Jer 1, 4-10): “Não digas que és muito novo; a todos a quem eu te enviar, irás, e tudo o que eu te mandar dizer, dirás. Não tenhas medo deles, pois eu estou contigo para defender-te”. E Jesus Cristo, no texto do Evangelho, reitera a mesma afirmação: “eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo”.

Como aconteceu com Jeremias, como aconteceu com S. Paulo (1Cor 9, 16-23), como acontece com todos nós, a iniciativa não é nossa. A iniciativa é Sua: “Antes de formar-te no ventre materno, eu te conhecia, diz Deus a Abraão; antes de saíres do seio de tua mãe, eu te consagrei e te fiz profeta das nações”.

A tua história não é uma casualidade. A tua história, a tua vida, a tua chamada – por algum dos muitos caminhos de Deus – inscreve-se num projeto de amor de Deus Pai para cada filho e escreve-se dia-a-dia com a resposta livre, mais ou menos generosa e fiel, de cada um. Podes dizer sim; podes dizer não; podes não dizer nada; podes deixar que tudo se desmorone à tua volta; ou podes assumir-te, com verdade, como protagonista irrepetível na reconstrução da cidade de Deus na cidade dos homens.

 

3. Queridos jovens, sede jovens!

Não deixeis de fazer, com realismo humano e cristão, a leitura do mundo em que vivemos. Um mundo que é nosso: aquele que, entre todos, construímos ou destruímos: um mundo que foi criado por Deus para todos e não apenas para alguns; um mundo onde os homens e as mulheres têm que ser os verdadeiros protagonistas; um mundo que não foi criado para oferecer como meta as coisas, os bens materiais, o prazer pelo prazer. Pelo contrário, um mundo que foi criado para as pessoas e, por isso, onde as coisas, os bens materiais, o prazer só podem estar ao serviço da dignidade da pessoa humana.

O Papa Francisco na visita que fez esta quinta-feira à Comunidade de Varginha, dirigindo-se aos jovens, disse o seguinte: “Vocês, (…) queridos jovens, possuem uma sensibilidade especial frente às injustiças, mas muitas vezes se desiludem com notícias que falam de corrupção, com pessoas que, em vez de buscar o bem comum, procuram o seu próprio benefício. (…) Nunca desanimem, não percam a confiança, não deixem que se apague a esperança. A realidade pode mudar, o homem pode mudar. Procurem ser vocês os primeiros a praticar o bem, a não se acostumarem ao mal, mas a vencê-lo com o bem”[1].

Este apelo do Santo Padre não tem nada a ver com qualquer espécie de populismo. Este apelo do Santo Padre lê a realidade, afirma a esperança e situa a sua raiz, em primeiro lugar, naquilo que objetivamente pode ser feito. E o que, em primeiro lugar, objetivamente pode ser feito é o que depende de cada um de nós. E o que depende de cada um de nós é a verdadeira conversão pessoal.

E a conversão, caros jovens, quando é verdadeira, não implica apenas, primordialmente, acrescentar aos nossos hábitos esta ou aquela prática religiosa. A conversão implica deixar que Jesus Cristo, na radicalidade da Sua Vida e da Sua mensagem, entre na totalidade da nossa vida: na nossa condição de membros de uma comunidade, de uma família, de uma empresa, de uma escola, de uma associação, de um grupo de amigos. Em suma, implica sermos cidadãos de pleno direito que sabem estar, com a legítima especificidade criada pela nossa condição de discípulos de Jesus Cristo, em todas as frentes da Igreja e da Sociedade.

“A Igreja, acrescentou o Papa Francisco de imediato na referida visita a Varginha, está ao lado de vocês, trazendo-lhes o bem precioso da fé, de Jesus Cristo, que veio ‘para que todos tenham vida, e vida em abundância’ (Jo 10,10). (…) Não estão sozinhos, a Igreja está com vocês, o Papa está com vocês”[2].

Tens o direito e o dever de contribuir com as tuas propostas, responsáveis e livres, para a alteração do rumo da Sociedade. E as tuas propostas serão diferentes e inovadoras na medida em que, sem as confessionalisar, tiverem Deus na sua génese. Como escreveu Bento XVI na sua Mensagem para estas Jornadas, “quem não dá Deus, dá muito pouco”[3]. Entre todos, temos que devolver Deus à Sociedade.

É imensa a tarefa que temos à nossa frente. Está nas tuas mãos a mudança do mundo. Como discípulos de Jesus Cristo, temos, com realismo, condições para a conseguir. Não vais desanimar. “Unida à fé e à caridade, escreve o Papa Francisco na encíclica Lumen Fidei, a esperança projeta-nos para um futuro certo, que se coloca numa perspetiva diferente relativamente às propostas ilusórias dos ídolos do mundo, mas que dá novo impulso e nova força à vida de todos os dias. Não deixemos que nos roubem a esperança”[4]. “Ide e fazei discípulos entre todas as nações!”

Porto e Rio in Douro, 28. 07.2013

+Pio Alves, Administrador Apostólico

 


[1] Papa Francisco, Mensagem à Comunidade de Varginha (25.07.2013), 3.

[2] Ibidem.

[3] Bento XVI, Mensagem para a XXVIII Jornada Mundial da Juventude, 5.

[4] Papa Francisco, Encíclica Lumen Fidei, 57

 

 
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