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Homilia do Administrador Apostólico na celebração das Ordenações de 2 Presbíteros e 4 Diáconos. PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2013

 

1. A força congregadora da fé foi e é mais forte que o convite à dispersão sugerido pelo tempo de verão em que estamos! Reunidos na “igreja mãe da diocese”, damos graças ao Deus de misericórdia que, uma vez mais, vem ao nosso encontro oferecendo-se em alimento na Palavra e no Pão. Damos graças a Deus, porque na generosa resposta destes jovens, candidatos ao diaconado e presbiterado, oferece à Sua e nossa Igreja mais alguns servidores do Povo de Deus. Damos graças a Deus: pelas famílias onde germinou e cresceu a semente da Sua chamada; pelas paróquias onde puderam viver em comunidade a vida da fé em Jesus Cristo; pelos seminários e Faculdade de Teologia onde trabalharam a dimensão humana, teológica e sacerdotal da sua vocação específica; pelos párocos e paróquias que, na reta final, os acolheram e acolhem para uma aproximação às diferentes realidades da vida pastoral.

 

Queridos pais e familiares; queridos párocos, superiores, professores, clero da nossa Diocese, Povo de Deus: estes seis jovens que se dispõem a assumir o compromisso da entrega completa e definitiva a Deus no sacerdócio ministerial (completa: da cabeça e do coração; definitiva: para toda a vida) continuam a necessitar da nossa real proximidade. Não podem, não querem, não devem, a partir de hoje ficar abandonados a si mesmos, relegados aos estreitos limites de um individualismo que elimina horizontes. Precisam – precisamos todos – da família de sangue que dê conforto humano; do presbitério que estimula a um verdadeiro serviço à Igreja e à Sociedade; do Povo de Deus que respeita a especificidade da sua vocação e os fortalece com o testemunho e a oração.

2. Antes do rito da ordenação, que acontecerá após a homilia, tivemos oportunidade de, mais uma vez, sermos enriquecidos todos com as leituras da Liturgia da Palavra deste décimo quinto domingo do Tempo Comum.

Resumidamente, foi-nos lembrado que podemos, que somos capazes de cumprir a lei de Deus. Amar Deus e o próximo é o que é necessário “para receber como herança a vida eterna”; mas, antes disso, amar a Deus e ao próximo é o que é necessário para, entre todos, esbatermos as agressividades da nossa Sociedade e construirmos, ou reconstruirmos, um mundo que seja verdadeira casa comum da humanidade. Para isso, o amor de que falamos tem que ser feito de verdadeiras obras de serviço ao próximo mais próximo.

O texto do Evangelho (Lc 10, 25-37) recorda-nos a resposta de Jesus ao doutor da lei. “Faz isso – ama a Deus e ama o próximo – e viverás”. E explica, com a parábola do bom samaritano, quem é o próximo. É aquele que, conhecido ou desconhecido, mais simpático ou menos simpático, precisa da nossa ajuda. E não estamos dispensados de olhar pelo próximo quando isso nos custa atenção, cuidados, tempo e dinheiro. Amar o próximo é deixar que o nosso coração “se encha de compaixão” diante das necessidades alheias.

Como nos recorda a primeira leitura (Deut 30, 10-14), o imperativo destes sentimentos está inscrito no nosso coração: basta que não o fechemos à voz de Deus. Sendo certo que em Jesus Cristo – na Encarnação, Paixão e Morte; na Sua Palavra – assume uma definitiva clareza (Col 1, 15-20): “aprouve a Deus que n’Ele residisse toda a plenitude”.

3. Caros ordinandos:

A tua ordenação de diácono ou de presbítero vai acontecer no Ano da Fé. Nos projetos de Deus não há casualidades: há gestos de misericórdia divina e, por isso, oportunidades. Ao longo destes meses leste e meditaste a exortação apostólica Porta Fidei. Não te vais esquecer, entre outros conteúdos, das suas primeiras palavras: “A ‘porta da fé’ (cf At 14, 27), que introduz na vida de comunhão com Deus e permite a entrada na sua Igreja, está sempre aberta para nós”[1].

Hoje terminas uma etapa. Mas a meta do amor a Deus no serviço ao próximo tem um longo caminho que vais continuar a percorrer: com alegria, com generosidade, contando com a real proximidade dos irmãos na fé e no ministério e, sempre, com a fidelidade de Deus.

Mas não posso deixar de recordar que te encontrarás também com sacrifícios, dificuldades, tentações, ídolos, nos suportes mais variados, mas sempre dispersivos. Deixo-te um parágrafo do Papa Francisco na sua recente encíclica Lumen Fidei: “o ídolo é um pretexto para se colocar a si mesmo no centro da realidade, na adoração da obra das próprias mãos. Perdida a orientação fundamental que dá unidade à sua existência, o homem dispersa-se na multiplicidade dos seus desejos; negando-se a esperar o tempo da promessa, desintegra-se nos mil instantes da sua história. Por isso, a idolatria é sempre politeísmo, movimento sem meta de um senhor para outro. A idolatria não oferece um caminho, mas uma multiplicidade de veredas que não conduzem a uma meta certa, antes se configuram como um labirinto. Quem não quer confiar-se a Deus, deve ouvir as vozes dos muitos ídolos que lhe gritam: ‘Confia-te a mim!’ A fé, enquanto ligada à conversão, é o contrário da idolatria: é separação dos ídolos para voltar ao Deus vivo, através de um encontro pessoal. Acreditar significa confiar-se a um amor misericordioso que sempre acolhe e perdoa, que sustenta e guia a existência, que se mostra poderoso na sua capacidade de endireitar os desvios da nossa história. A fé consiste na disponibilidade a deixar-se incessantemente transformar pela chamada de Deus. Paradoxalmente, neste voltar-se continuamente para o Senhor, o homem encontra uma estrada segura que o liberta do movimento dispersivo a que o sujeitam os ídolos”[2].

Tens à tua espera uma Sociedade que, mesmo quando não o diz ou diz o contrário, busca horizontes, harmonia, verdade, sentido; uma Sociedade que, quando maltratada pelas agruras da vida, atirada para a borda do caminho, não recusa a presença afetiva e efetiva de um bom samaritano.

Cuida-te para poderes cuidar. Não te distraias com os ídolos, não percas o caminho, retoma-o se o perderes: “o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14, 6) é Jesus Cristo.

 

Sé do Porto, 14 de julho de 2013

 

+Pio Alves, Administrador Apostólico

 


[1] Bento XVI, Porta Fidei, 1.

[2] Papa Francisco, Lumen Fidei, 13.

 

 

Ordem de Presbítero:

Jorge Manuel da Rocha Nunes - Vilela – Paredes | Estágio: Bonfim (Porto)

Ricardo Álvaro Aguiar Ribeiro - Soalhães – Marco de Canaveses | Estágio: Perafita (Matosinhos)


Ordem de Diácono:

Cláudio Manuel Pereira Vieira da Silva - natural de Santo Ildefonso | Porto Estágio: Espinho

José Joaquim Santos Ribeiro - natural de Lobão – Santa Maria da Feira | Estágio: Foz do Sousa (Gondomar)

Paulo Sérgio Silva Godinho - natural de S. Vicente de Pereira – Ovar | Estágio: Matosinhos

Vítor Nelson Santos Pacheco - natural das Antas – Porto | Estágio: Grijó (Vila Nova de Gaia)

 

 

 

 

 

 


 
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