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Homilia do senhor D. Pio Alves na celebração dos 150 anos do nascimento da Beata Maria do Divino Coração PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2013

 

 


1. Todo ser humano leva consigo a pergunta, mais ou menos formulada: para que serve a minha vida? que caminho devo seguir para encontrar e viver a felicidade?

A variedade das respostas explica a infindável diversidade de opções de vida que os seres humanos assumem: umas vezes, frágeis simulacros de felicidade; outras, reiteradas tentativas de encontrar um caminho; outras ainda, trilhos com norte percorridos com esforço e muitos recomeços alimentados por uma esperança consolidada.

O crente em Deus descobre (vai descobrindo) que não está só nesta sua busca. Percebe que Deus, um Deus pessoal, está no princípio, no fim e no caminho da felicidade; que tem para cada um, porque é pai, um projeto pessoal que se conjuga com o dom da liberdade; vai experimentando que Deus, afinal, não é um intruso: que a concretização desse projeto é o caminho da realização pessoal, é o caminho da felicidade.

 

 

2. A primeira leitura, do Livro da Sabedoria (9, 13-19), é a parte final de uma oração. Descoberto o lugar de Deus na sua vida, o autor pergunta: “Qual é o homem que pode conhecer os desígnios de Deus? Quem pode sondar as intenções do Senhor?”.

Encontra duas respostas que se complementam: é necessária a sabedoria, dom de Deus; é necessária a presença do Espírito Santo. Sem esse conforto, sozinhos, pouco mais fazemos que tropeçar na nossa mesquinhez; pouco mais conseguimos que ser confrontados com a nossa incapacidade. “Os homens aprenderam as coisas que Vos agradam e pela sabedoria foram salvos”.

No texto do Evangelho (Lc 14, 25-33), Nosso Senhor Jesus Cristo ajuda-nos a concretizar, a ir mais longe no que poderia ser mera perceção da nossa incapacidade, mera perceção de uma vaga presença de Deus em todo este processo. Somos convidados a perceber que a verdadeira resposta está na completa generosidade, na indefetível confiança em Deus. Uma generosidade, uma confiança que se sobrepõe aos laços familiares, que vai para além da importância dos bens materiais, que ultrapassa a própria vida.

 

3. A felicidade é proporcional à generosidade. Uma generosidade que, como sucede em qualquer outra tarefa verdadeiramente humana, implica esforço, trabalho, a assunção da própria cruz de cada dia, por amor. E é esta cadeia de gestos que nos introduz na escola do Mestre. Sem isso, diz o Senhor, “não pode(s) ser meu discípulo”.

Esta adequada conjugação de projeto de Deus e liberdade humana, de magnanimidade de Deus e generosidade humana, transforma as vidas e a Sociedade. De não ser assim, como se entenderia, por exemplo, o atrevimento de S. Paulo em pedir ao cristão Filémon, como ouvimos na segunda leitura (Flm 9b-10. 12-17), a liberdade e o perdão para o escravo cristão Onésimo?

A escravatura era uma instituição social consolidada e assumida. Contudo, a comum condição de discípulos do mesmo Mestre ajuda a entender a radical igual dignidade de todos os seres humanos.

 

4. Felizmente, ao longo da história, multiplicaram-se estes exemplos e, por essa via, a Sociedade descobriu novos rumos e, neles, foi reconhecendo os direitos que resultam da realidade da dignidade humana.

No dia 08 de setembro, a Igreja celebra a Natividade (o nascimento) da Santíssima Virgem Maria: uma criatura pobre e humilde que, pela sua dócil e consciente obediência à vontade de Deus, se torna Mãe de Deus e caminho para uma nova Humanidade.

Também no dia de hoje, há 150 anos, nasceu em Münster Maria, filha dos condes Droste zu Vischering, da mais elevada nobreza alemã. Não se refugiou na qualidade social da sua ascendência nem na legítima preocupação pela gestão de bens materiais.

Aos 15 anos deixou que entrassem na sua vida as palavras de um sacerdote que dizia que, a Jesus Cristo, não podemos senão brindar-lhe um coração totalmente sincero. E, com a sinceridade de um coração jovem, escreveu: “Com gosto, teria tapado os ouvidos da minha alma, mas foi impossível renunciar à voz de Deus. Neste dia começou Nosso Senhor a atrair-me de uma maneira muito especial, roubando-me, por fim, o coração”. Para dizer verdade, não é impossível renunciar a ouvir a voz de Deus: é sempre possível a infidelidade.

Mas na vida da que viria a ser a Beata Maria a força da generosidade do amor ganhou a batalha das nossas limitações. E, como nos recorda o evangelho da Missa de hoje, deixou a família de sangue, deixou o património, deixou a terra natal, deixou a própria vida para se dedicar aos mais pobres, que são sempre aqueles a quem roubaram a dignidade. E, pela via da gozosa obediência, rumou à nossa Diocese, à nossa Cidade. E aqui, ancorada no Coração do Divino Mestre, viveu o apelo de S. Paulo na Carta aos Efésios (3, 17-19): “que Cristo habite pela fé nos vossos corações, a fim de que, estando arraigados e fundados em amor, possais compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais cheios até à inteira plenitude de Deus”.

 

5. Celebrar os Santos, como reviver a História, não é um mero exercício de memória fixado no passado. Celebrar os Santos é uma oportunidade para encontrar ou reencontrar o nosso próprio caminho de fidelidade a Deus. É uma ocasião para, com a sua intercessão, descobrir o nosso lugar nos projetos de Deus e na história dos homens.

Na Nota Pastoral publicada pela Conferência Episcopal Portuguesa por ocasião desta efeméride[1], e na esteira do que foi a vida da Beata Maria, são-nos feitas as seguintes propostas: “viver centrados no amor de Jesus”; “rezar e sacrificar-se pelos sacerdotes”; “cultivar um amor sincero e dedicado à Igreja, especialmente ao Papa”; “praticar o serviço aos pobres e marginalizados”; “progredir no ‘amor de Cristo, que ultrapassa todo conhecimento’ ”; “colocarmos no centro das nossas vidas a Eucaristia celebrada, comungada e adorada”.

 

Movidos pelo seu exemplo e apoiados na sua intercessão, pedimos para todos o dom da generosa fidelidade a Jesus Cristo.

 

Ermesinde, 08 de setembro de 2013

+Pio Alves, Administrador Apostólico


[1] Nota Pastoral por ocasião do 150º aniversário do nascimento da Beata Maria do Divino Coração, in Lumen 73, 5 (2012) 53-55.

 
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