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Homilia do senhor D. Pio Alves na Solenidade da Imaculada Conceição de Nossa Senhora PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2013

 

 

1. O Santo Padre João Paulo II recorda-nos que “a Igreja vive da Eucaristia. (…). O sacrifício eucarístico é ‘fonte e centro de toda a vida cristã’ ”[1]. Reunidos na igreja-mãe da Diocese, vivemos em ambiente particularmente festivo este inefável dom de Deus à Sua Igreja. Nenhuma das circunstâncias que contextualizam esta celebração pode instrumentalizar ou secundarizar o mistério de fé e de amor que celebramos.

 

Caminhamos no tempo litúrgico de Advento. Temos no horizonte o cumprimento das promessas messiânicas e o encontro com o Deus que, feito um de nós, nos abre as portas da redenção.

São várias as personagens predominantes que marcam os textos litúrgicos destas semanas. De entre todas, destaca a amável figura da Virgem Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe: servidora de Deus, servidora da Humanidade. Hoje, de modo particular, celebramo-la na Sua pureza original.

Neste magnífico cenário de fé e oração, acompanhamos nove irmãos nossos, a quem saúdo especialmente, que se dispõem a assumir o compromisso de serviço à Igreja e à Sociedade como diáconos permanentes: oito vivem, há mais ou menos anos, a sua vocação matrimonial; um é celibatário. É este o contexto global da nossa celebração.

Antes da administração do sacramento da Ordem, que acontecerá após a homilia, tivemos oportunidade de, mais uma vez, sermos alimentados todos com as leituras da Liturgia da Palavra da solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria.

A evidência dos frutos, para todos, da fidelidade pessoal a Deus atravessa os textos que foram proclamados. A Virgem Maria, na profunda simplicidade da Sua relação com Deus, perspetiva-nos a descoberta dos caminhos da verdadeira realização pessoal.

2. O diálogo de Maria com Deus, por intermédio do mensageiro divino, recordado no texto do Evangelho (Lc 1, 26-38), desenha um magnífico itinerário de vida cristã.

O temor não tem lugar na relação pessoal com Deus. Nesse ambiente de confiança filial, surgem, espontâneas, as perguntas imprescindíveis para compreender, até onde é possível, o querer de Deus. Fica, assim, garantido o respeito pela singularidade humana e a possibilidade de uma correspondência livre. E, no fim, a resposta que define o mais essencial da criatura diante do Criador: “Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra”. Esta resposta, escreve João Paulo II[2], “comprova o facto de ela desde o princípio ter aceitado e entendido a própria maternidade como dom total de si, da sua pessoa, ao serviço dos desígnios salvíficos do Altíssimo. E toda a participação materna na vida de Jesus Cristo, seu Filho, viveu-a até ao fim de modo correspondente à sua vocação para a virgindade”. O episódio desenha uma aceitação plena em que, livremente, não há lugar para evasivas, para dilações, para desculpas.

Como contrasta este ambiente com o que se descreve na primeira leitura (Gen 3, 9-15.20)! Aí domina uma espécie de jogo de sombras. A criatura carrega com a nudez da sua condição e, perdida de medo, esconde-se ante o rumor de uns passos que podem indiciar a proximidade de Deus. E vem, depois, um diálogo que degenera numa cadeia de sucessivas acusações: do homem para a mulher; da mulher para a serpente. Aqui só Deus é claro. E aponta, no horizonte dos tempos, para a vitória da mulher e da sua descendência sobre os frutos da desobediência e da mentira.

Estamos entre os herdeiros desta vitória. Como nos recorda S. Paulo (Ef 1, 3-6.11-12), o Pai “nos abençoou com toda a espécie de bênçãos espirituais em Cristo. N’Ele nos escolheu, antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis, em caridade, na sua presença”.

Uma jovem, simples e pobre, coopera para repor a viabilidade do eterno desígnio universal de salvação. Assim também, todos e cada um, na nossa irrepetível singularidade, somos beneficiários da generosa correspondência de quantos nos precederam. Mas somos igualmente responsáveis pela real felicidade dos nossos contemporâneos e dos que, depois de nós, retomarão o nosso lugar na Igreja e na Sociedade.

 

3. Caros candidatos ao diaconado permanente:

O Papa Francisco, na sua recente exortação apostólica A alegria do Evangelho, escreve de Nossa Senhora que “ela deixou-se conduzir pelo Espírito, através de um itinerário de fé, rumo a um destino feito de serviço e fecundidade”[3]. É esse também o nosso caminho. Um caminho que, na nova condição na Igreja que hoje assumis, não pode deixar de ter estas marcas.

O Ritual da Ordenação recorda: “na vossa condição de diáconos, ou seja, de ministros de Jesus Cristo que no meio dos seus discípulos Se apresentou como servo, procurai de todo o coração fazer com amor a vontade de Deus, e servindo ao Senhor, servi também aos homens com alegria. E como sabeis que ninguém pode servir a dois senhores, considerai toda a impureza e o apego ao dinheiro como servidão e idolatria”[4].

Como recordei atrás, e é patente na vida de Maria Santíssima, a vocação de serviço vem dada pela nossa condição de criaturas e especifica-se pela comum filiação divina e pela vocação. Ser diácono é, literalmente, servir. Em primeiro lugar, no culto – na liturgia – e na atenção aos pobres, sob a orientação do pároco ou do responsável da respetiva comunidade. A unidade é um bem sem qual tudo o resto pode ser posto em causa. Só assim terás garantida a verdadeira fecundidade da resposta a esta chamada.

Mas a fidelidade à vocação diaconal não se esgota aí. Deverás continuar a cuidar, de modo exemplar, as obrigações familiares – para quase todos vós, a vocação matrimonial – e os correspondentes compromissos profissionais. Passareis a ter sobre vós, mais do que até agora, os olhares da vossa comunidade. Nada disto, contudo, deve dar lugar ao temor. Como te direi dentro de momentos, na cerimónia da ordenação, “queira Deus consumar o bem que em ti começou”[5].

 

Catedral, 08 de dezembro de 2013

+Pio Alves, Administrador Apostólico

 


[1] João Paulo II, Ecclesia de Eucharistia, 1.

[2] João Paulo II, Redemptoris Mater, 39.

[3] Papa Francisco, Evangelii gaudium, 287.

[4] Ordenação do Bispo, dos Presbíteros e dos Diáconos, 119.

[5] Ordenação do Bispo, dos Presbíteros e dos Diáconos, 123.

 
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