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HOMILIA NAS EXÉQUIAS DO PADRE FERNANDO TEIXEIRA DIAS PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2014

 

1. A Palavra de Deus agora proclamada ampara-nos nesta hora e ilumina-nos o horizonte do futuro nos momentos de dor.

Diante da morte, a Palavra de Deus é a única voz possível a quebrar o silêncio da dor que cala a nossa voz e a libertar-nos do sofrimento que magoa o coração da família e dos amigos diante de quem parte.

A Palavra de Deus é, para quem vê partir um sacerdote ao encontro de Deus, a certeza de que cada padre é sentido como um irmão insubstituível, mesmo quando a idade é avançada e a saúde diminuída.

A Palavra de Deus é para vós familiares e para todos nós amigos do Padre Fernando Vitorino Pinto Teixeira Dias a luz serena que brilha a anunciar que a vida, a ressurreição e a Páscoa já se vêem nos alvores da manhã da ressurreição que se aproxima.

 

2. Jesus, partindo da orla do lago, depois de ter chamado os primeiros discípulos, em pleno trabalho da faina, subiu à montanha e sentou-se.

Aproximaram-se os discípulos e Ele começou a ensiná-los. Deste modo tão simples e neste gesto pedagógico, Jesus ensinou os discípulos a ensinar. Esta é, irmãos sacerdotes, a primeira e a permanente lição que recebemos do Mestre. Do belo sermão da montanha, Jesus fez a síntese do seu ensinamento e o paradigma da sua missão, logo no início da sua vida pública.

Precisamos de ouvir esta mensagem a anunciar as bem-aventuranças construídas nesta terra e a dizer-nos quem são os bem-aventurados, os felizes, os que habitam para sempre na pátria dos justos e no reino da eternidade.

É à luz da vida e dos ensinamentos de Jesus que S. Paulo pode dizer na Carta aos Romanos: “Todos nós que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na sua morte, para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos também nós vivamos uma vida nova.” (Rom 6, 3-9)

É o domínio da morte que aqui cessa. É a vitória definitiva da vida nascida da Páscoa e que nós recebemos pelo batismo.

Assim, podemos compreender a palavra profética de Isaías, na primeira leitura, dita em tom de vitória da vida sobre a morte e da alegria sobre a tristeza, anunciando essa terra nova e essa montanha de bem-aventurança, que é a vida feliz e definitiva junto de Deus para sempre.

3. Ao ter conhecimento no início da tarde de domingo passado, da morte do Padre Fernando, disse de imediato a Deus, na confiança de quem reza, o meu louvor e a minha gratidão por este irmão sacerdote, natural da minha diocese de origem, que acabava de nos deixar para ir ao Seu encontro.

Uma vida inteira não se encerra numa palavra, não se fecha na memória nem tão pouco se devolve ao tempo passado. Uma vida dada é um tesouro que se guarda, é uma semente que germina, é o anúncio definitivo da Páscoa, é a certeza perene da ressurreição.

Assim a vida dos nossos sacerdotes! Sentimos ainda mais a verdade desta certeza quando os vemos partir ao encontro de Deus.

Conheci o Padre Fernando no Seminário Menor de Resende, onde iniciei o meu caminho de formação sacerdotal. O Padre Fernando era presença assídua no Seminário para visitar os seus paroquianos seminaristas, dois deles meus condiscípulos. Ele era nessa ocasião Pároco de Horta, Numão e Custoias, nos confins distantes da Diocese de Lamego, no coração do Alto Douro.

Guardo desde esse tempo, na memória do olhar e da fé, a imagem de um jovem sacerdote de porte distinto e de testemunho feliz. Mais tarde, já como Pároco de Freigil, o Padre Fernando foi nosso confessor no Seminário.

O Padre Fernando nasceu em 30 de setembro de 1929, em S. João de Fontoura, no concelho de Resende, e foi ordenado sacerdote na Sé de Lamego, a 25 de julho de 1954, por D. João da Silva Campos Neves.

Os anos vividos em Lamego, gastou-os com alegria e generosidade na vida paroquial e no serviço do Secretariado Diocesano da Catequese, dedicando-se particularmente à formação de Catequistas e percorrendo nessa missão toda a Diocese.

Em 1971 acompanhou a sua família e concretamente o seu irmão gémeo, Dr. Amílcar Teixeira Dias na vinda para o Porto. Aqui se integrou de imediato na vida da Igreja Diocesana e na missão pastoral que os Bispos do Porto lhe foram confiando, seja no ensino como professor de Educação Moral e Religiosa Católica na Escola Infante D. Henrique, seja na colaboração dada aos sucessivos Párocos desta Comunidade de Santo António das Antas. Aqui estive com ele, em nome do senhor Bispo e da Diocese de Lamego, em julho de 2004, no seu jubileu sacerdotal, ao comemorar 50 anos de ordenação presbiterial e senti a dedicação agradecida desta Comunidade cristã ao Padre Fernando.

4. Quantas gerações lhe devem muito da formação cristã, que hoje têm! Aqui, no Porto, concretamente nesta Comunidade, todos somos testemunhas da sua grande dedicação à juventude e da sua plena entrega ao ministério do confessionário e ao serviço pastoral tão necessário da direção espiritual de quantos procuram na Igreja luz para os seus caminhos e paz e bênção para as suas vidas. Obrigado Padre Fernando!

Homem culto e atento ao contínuo e renovado magistério da Igreja, o Padre Fernando aliava à sua natural bondade e bonomia uma extraordinária atenção de proximidade com as pessoas de todas as idades e condições.

Habituei-me a vê-lo assim ao longo do tempo, concretamente nas reuniões dos antigos alunos do nosso Seminário comum, a ASEL (Associação dos Seminaristas de Lamego). Sempre sereno e sempre feliz! Sei também pelo testemunho da nossa Diocese do Porto da sua inteira lealdade com os sacerdotes com quem trabalhou e da sua permanente disponibilidade para colaborar nas diversificadas missões que lhe foram confiadas.

Estes últimos meses foram para ele tempo de fragilidade de saúde e de sofrimento trazido pela doença, que o Padre Fernando procurou aceitar e viver com igual sentido de missão e com o mesmo testemunho de serenidade humana e de confiança cristã.

Sentiu-se sempre rodeado do carinho e da dedicação da sua Família e acompanhado pela oração e pela gratidão de todos quantos o conheceram e dele receberam a graça e a bênção do seu ministério sacerdotal.

Que Nossa Senhora, Mãe da Igreja e nossa Mãe, de quem o Padre Fernando era tão próximo no seu amor filial, o acolha no seu coração de Mãe e o conduza até à bem-aventurança do Reino da justiça e da paz. Ámen.

 

Igreja matriz de Santo António das Antas, 2 de setembro de 2014

António, Bispo do Porto

 
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