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HOMILIA NA FESTA DE SANTA CLARA – BONFIM PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2014

1.Estamos a celebrar, como assembleia cristã reunida à volta do altar da Eucaristia, neste XXIII domingo do tempo comum a festa de Santa Clara do Bonfim. Rezei várias vezes nesta bela igreja matriz do Bonfim e aqui celebrei, aproveitando tempo e espaço entre horários de mudança de comboio, na estação de Campanhã. Aqui venho, hoje, neste itinerário que quero percorrer ao encontro de todas as paróquias da nossa Diocese do Porto.

Santa Clara, que hoje aqui evocamos, era uma jovem romana dos primeiros tempos da Igreja, que afirmou a sua fé até ao testemunho do martírio. Vincula-nos a esta devoção uma tradição muito antiga que vem dos nossos antepassados. A tradição diz-nos que as relíquias de Santa Clara foram trazidas de Roma para a nossa igreja do Bonfim, no séc. XIX.

 

Santa Clara distingue-se pela firmeza da fé, vivida num tempo difícil e num lugar ostensivo ao cristianismo. A sua fé e a sua coragem afirmadas diante da família e dos governantes de Roma não a deixaram hesitar diante do martírio. É este testemunho de fé e de coerência da vida que hoje queremos encontrar e venerar em Santa Clara.

Muitos de vós vindes de muito longe daqui, trazidos por esta mesma certeza de fé e fortalecidos pelo exemplo de vida de Santa Clara. Procurais junto de Santa Clara a bênção e o auxílio para os vossos filhos, para as vossas famílias e para a Igreja.

Queremos todos aprender com Santa Clara a valorizar o dom sagrado da vida e o sentido cristão da maternidade e da paternidade feliz de tantas famílias. Queremos afirmar a alegria e a comunhão da Igreja com todas as famílias onde a fé se faz escola de vida feliz para os seus filhos. Queremos estar próximos e presentes junto das famílias que sofrem e vivem momentos de provação ou de incerteza diante do futuro.

O essencial da vida, do testemunho e da palavra dos santos consiste nisto: abandonar a vida sem sentido, abraçar uma vida de entrega e de amor a Deus e anunciar a alegria do Evangelho com a sabedoria dos simples e dos humildes e com a coragem dos discípulos de Jesus.

Foi este o caminho escolhido por Santa Clara que, muito jovem ainda, se decidiu a seguir Jesus. É esse o caminho da santidade, em todos os tempos e em todos os lugares!

2. A nossa paróquia do Senhor do Bonfim vive com devoção, ano a ano, as festas de Santa Clara e une-se com alegria nestas datas marcantes da vida cristã da Comunidade a todos quantos aqui habitam e trabalham ou aqui acorrem, vindos de longe.

Vivemos como Cidade e como Igreja as realidades da nossa história e partilhamos as alegrias do mesmo percurso. Sentimos a alegria de formarmos a mesma família humana, a família portuense, com as suas tradições, com os seus sonhos e com os seus horizontes de futuro. Somos uma cidade plena de valores e de projetos e temos consciência de sermos construtores de uma cidadania responsável e solidária, neste chão sagrado e nesta terra de liberdade, onde a fé percorre caminhos tão belos, como aqueles que aqui nos trazem.

Santa Clara ajuda-nos nesta missão e ilumina-nos neste caminho. Ela escolheu viver a fé com alegria e entrega ao descobrir a sua vocação de consagração a Cristo e de serviço à Igreja.

Não sabemos quantas barreiras ela precisou de vencer. Mas havia nela uma força interior que a impelia e fascinava. Era Jesus Cristo que a chamava a segui-l’O.

3. São oportunas as palavras do Evangelho de hoje. Só a opção radical por Jesus Cristo pode explicar a coragem dos cristãos diante da perseguição e do martírio e ajudar-nos a compreender os passos dados na caridade e na comunhão fraterna, cumprindo o mandamento novo do Evangelho (Mt 18, 5-19) .

A Igreja tem consciência da responsabilidade que emana da missão recebida de Cristo para ser no coração da Cidade sinal de esperança, promotora de uma cultura de humanidade e sentinela de Deus, como nos dizia o profeta Ezequiel na primeira leitura (Ez 33, 7-9).

O exemplo de vida de Santa Clara convida-nos a valorizar a experiência de vida de pessoas e de comunidades dedicadas à escuta e ao anúncio da Palavra de Deus, centralizadas na Eucaristia, acolhedoras e missionárias, evangelizadas e evangelizadoras.

Evangelizar com novo ardor e entusiasmo é o primeiro e maior serviço que a Igreja presta à Cidade. A fé em Deus e o sentido de pertença a uma comunidade alicerçam as iniciativas pastorais nas várias frentes da missão que a Igreja recebeu de Cristo. Este objetivo preside, hoje e aqui, a esta mensagem que daqui estendo às paróquias, às comunidades religiosas e aos movimentos apostólicos, dois dias antes da abertura do Ano Pastoral, na perspetiva de novos caminhos de missão para a nossa Diocese.

4. Sabemos que a hora que vivemos, marcada por circunstâncias e acontecimentos que toldam o horizonte de esperança do mundo contemporâneo, exigem da Igreja que saiba inspirar critérios de ética, de responsabilidade e de fé no coração das pessoas e consiga mobilizar famílias, grupos, movimentos apostólicos e comunidades para construirmos um mundo melhor.

São muitos e diversificados os campos específicos deste mundo melhor a exigir e a merecer esta presença actuante e esta acção interventiva da Igreja. Nestes campos precisamos de abrir as portas da Cidade aos que nos procuram. Devemos ser casa onde a palavra, o pão e o trabalho se multiplicam e se transformam em alimento de vida, em sinal de esperança e em experiência de fraternidade para todos os nossos contemporâneos.

Estamos em comunhão com o Papa Francisco, que nos pede para rezarmos pelos povos em guerra, pelos cristãos perseguidos, por todos os homens e mulheres em situação de dor e de sofrimento e sobretudo por tantas crianças inocentes maltratadas.

O que se passa no Iraque e na Síria, o que se vive na Nigéria e na Índia, o que acontece na Ucrânia não dizem bem de ninguém. Israel e a Palestina são terra onde Jesus nasceu, viveu e anunciou o Evangelho. Terra tão santa quanto dolorosa e sofrida. Parece que já ninguém ouve o clamor dos povos oprimidos!

É necessário que se levante a voz unânime da Humanidade a clamar por justiça em nome dos que sofrem a violência da guerra. É necessário que os responsáveis pelo governo das nações se decidam de uma vez por todas a promover a paz no Mundo.

 

5. Que Santa Clara nos proteja, abençoe e ajude a contemplar Jesus, a servir os irmãos, a afirmar a fé e a promover a justiça e a paz. Ámen

Igreja matriz do Senhor de Bonfim, 7 de setembro de 2014

António, Bispo do Porto

 
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