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HOMILIA NO INÍCIO DO MÚNUS DE PÁROCOS DA SÉ PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2014

1.Celebramos hoje, no XXII domingo do tempo comum, reunidos em torno do altar da Eucaristia, na paróquia da Sé do Porto, o início do múnus de Párocos in solidum do Padre Américo Manuel Alves de Aguiar, Vigário Geral da Diocese, e do Padre António Paulo Monteiro Pais, Chanceler da Diocese.

A minha primeira palavra é de gratidão ao Padre João Manuel Carrapa Ribeiro de Carvalho, anterior Pároco da Sé, pela dedicação a esta Comunidade ao longo de catorze anos, desejando-lhe bênção e graça no novo múnus que agora lhe confiei, como Pároco de Lagares, Figueira e Fonte Arcada, em Penafiel. Saúdo os novos Párocos, a quem agradeço a disponibilidade manifestada para acolher este novo múnus pastoral, que significa um acrescido trabalho a juntar às muitas responsabilidades já antes assumidas. Saúdo-vos irmãos e irmãs desta Comunidade com alegria, bênção e comunhão fraterna. Este é um dia em que somos chamados a celebrar a gratidão e a esperança.

 

2. Numa segunda palavra, quero dizer-vos, irmãos e irmãs, as razões da minha presença aqui e o sentido pastoral deste momento, que vivemos em Igreja.

Desde logo, quando cheguei à Diocese do Porto e num dos primeiros momentos em que passava, calma e demoradamente, pelo Terreiro da Sé, entre a Casa Episcopal e a Igreja Catedral, dei de frente com um homem, sereno e sorridente, que vinha ao meu encontro. Identificou-se de imediato. Era natural da Sé. Em jovem foi escuteiro no Agrupamento da Sé e já adulto fez um Curso de Cristandade. Agora vive como cristão consciente e comprometido na Paróquia onde reside.

Este homem vinha ao meu encontro para me contar um belo diálogo que teve com o senhor D. António Ferreira Gomes que, um dia naquele mesmo lugar, lhe perguntou: “Donde és rapaz?”

“Sou do Bairro da Sé. Vivo aqui mesmo ao lado, na rua de D. Hugo, à beira do Paço”, respondeu ele.

E o senhor D. António exclamou: “Vivemos tão perto e estamos tão longe!”

Estanquei o passo e retive a respiração por momentos. Este diálogo espontâneo e esta exclamação inteligente e perspicaz do senhor D. António fizeram-me pensar. A partir daí e desde essa hora esta palavra do senhor D. António acompanhar-me-á sempre como permanente desafio pastoral, que sou chamado a converter diariamente em programa de vida e de missão.

O bispo e o padre têm família, casa e terra – a família, a casa e a terra do seu berço. Mas têm também a família, a casa e a terra da sua missão. Têm irmãos e têm vizinhos. Devem ser bispos e padres para todos e devem ser vizinhos e irmãos próximos de todos.

As paredes amplas e altas da Casa Episcopal não nos podem separar nem distanciar de ninguém! Devem aproximar-nos de todos! São paredes de janelas rasgadas para vermos melhor os que estão longe e para sentirmos mais próximos os que vivem perto.

Os pastores devem ter “o cheiro do rebanho, o cheiro das ovelhas”, como nos aconselha o Papa Francisco. Queremos, por isso, bispos e sacerdotes ao serviço desta Igreja do Porto, estar convosco e viver no meio de vós, irmãos e irmãs desta Comunidade da Sé.

Tem acrescido sentido trazer e lembrar aqui as palavras de Santo Agostinho: “Sou bispo para vós e irmão convosco”. Nesse sentido e com esse espírito confio ao Padre Américo Aguiar e ao Padre António Pais, sacerdotes que vivem connosco e partilham de mais perto esta comum missão pastoral ao serviço de toda a Diocese, a missão de serem vossos Párocos.

Nesta comunhão mais próxima estaremos presentes, nós os bispos que servimos a Diocese do Porto, junto de vós e vós estareis mais presentes na nossa vida, na nossa oração e na nossa missão pastoral. E nesta proximidade fraterna convosco respalda-se e concretiza-se, como gesto pedagógico, a nossa comunhão e proximidade com todas as outras paróquias da Diocese.

3. A palavra de Deus, hoje proclamada, ajuda-nos a compreender e a valorizar este sentido de missão. Jeremias, de que nos fala a primeira leitura, é o profeta sempre fiel à sua missão de porta-voz de Deus, apesar das dificuldades encontradas na vida e na missão (Jer 20, 7-9).

Este é igualmente o entendimento que os discípulos de Jesus têm da sua vocação e missão. Seguir o Mestre significa para os discípulos oferecer a vida, tomar sobre si a cruz de Jesus e servir com generosidade as pessoas que a cada um Deus confia (Mt 16, 21-27).

É para isso que aqui estamos todos hoje. Estamos disponíveis, na comunhão de toda a Igreja diocesana, para trabalhar com renovado entusiasmo ao serviço desta Paróquia da Sé, ao serviço da Cidade e ao serviço da Diocese do Porto. São muitos os caminhos humanos, as urgências sociais e os desafios pastorais que esta Comunidade tem pela frente!

Contai com a dedicação e generosidade dos vossos Párocos. Que eles possam encontrar em vós igual dedicação e permanente disponibilidade para abrirdes as portas a Cristo, para acolherdes a alegria do Evangelho e para crescerdes na fé, na esperança e na caridade cristãs.

4. Esta igreja matriz da Paróquia da Sé é dedicada a Santa Clara. Santa Clara nasceu em Assis em 1194. Recebeu da sua família uma sólida formação cristã. Clara ouvira falar, ainda muito jovem, de Francisco e do seu ideal de vida. O carisma e o estilo de vida de Francisco de Assis não poderia ser privilégio só de homens. Era dom de Deus dado a toda a Igreja. Muitas mulheres escutavam a sua pregação, observavam o seu testemunho de vida e queriam viver esta experiência de fé.

Foi igual caminho o escolhido por Clara que se decidiu a seguir este mesmo espírito de simplicidade espiritual e de pobreza evangélica que fizeram dela fundadora da Ordem Religiosa das Irmãs Clarissas, sob a inspiração e a orientação de S. Francisco de Assis. As Irmãs Clarissas trouxeram a Portugal e concretamente ao Porto este mesmo espírito e aqui estiveram presentes, ao longo de vários séculos, com Convento erguido neste belo lugar, reclinado sobre o Douro. Esta era a Igreja desse Convento! Na memória abençoada do tempo passado está presente neste chão sagrado a vida, a oração e o testemunho das Religiosas Clarissas.

Vivemos como Cidade e como Igreja esta herança espiritual com marcas muito próprias neste centro histórico, tão antigo e tão belo! Sentimos a alegria de formarmos a mesma família humana, a família portuense, impregnada de espírito franciscano e inspirada pelos valores do franciscanismo, no dizer de Jaime Cortesão.

5. Confio a Nossa Senhora da Assunção, padroeira da Paróquia da Sé, e a Santa Clara, titular desta igreja, esta hora de bênção e de graça para toda a Comunidade cristã e para toda a Família humana que vive na Sé, para aqueles que aqui trabalham e para aqueles que diariamente nos visitam ou por aqui passam.

 

Igreja de Santa Clara, 31 de agosto de 2014

António, Bispo do Porto

 
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