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HOMILIA NA FESTA DO SENHOR DA VERA CRUZ - Candal, Vila Nova de Gaia PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2014

 

1.Celebramos neste domingo a festa litúrgica da Exaltação da santa Cruz. Tem acrescido sentido esta celebração na paróquia do Candal, que tem como titular o Senhor da Vera Cruz, nesta tão antiga, singular e bela invocação.

Jesus Cristo, o Senhor da Vera Cruz, é o testemunho vivo de que Deus cumpre as suas promessas, feitas desde sempre à Humanidade. Pela sua vida, pela sua mensagem e pela sua cruz e ressurreição, Jesus Cristo diz-nos que um mundo novo é possível. Foi ao mundo, que urge recriar, redimir e santificar que Deus enviou o seu Filho.

 

No ofício de leituras de hoje, Santo André, bispo de Creta, no séc VIII, diz-nos que “o valor da cruz é tão grande, que quem o possui, possui um tesouro. Na cruz está a plenitude da nossa salvação e por ela regressamos à dignidade original” (Sermões de S.to André, pag. 97).

Nos momentos em que a cruz pesa mais sobre os nossos ombros dirigimos a Deus palavras inconsoladas. Assim acontece quando temos o coração magoado pela doença ou pela dor. Temos frequentemente dificuldade de compreender as dores do caminho e as provações da viagem da vida.

O próprio povo de Israel esqueceu-se de Deus e lamentou-se diante de Moisés no deserto, como nos lembrou a primeira leitura. A saída do Egito tinha sido para o povo de Israel uma libertação, mas o caminho do êxodo no deserto foi uma provação dolorosa. E essa experiência difícil da vida do povo de Israel deu origem à nostalgia e conduziu esse povo à revolta (Num 21, 4-9).

Nestes momentos de dificuldade perante o peso da cruz da vida vem humanamente à superfície a nossa fragilidade diante do mistério da dor e a nossa incapacidade de ajudar quem sofre.

2. A consolação recebida dos mais atentos, a presença solidária dos mais generosos e a dedicação dos cireneus auxiliam-nos nestas horas como ajudaram Jesus no Calvário e no caminho que ali O conduziu. Esta imprescindível ajuda, à mistura com a força da fé, conduz-nos à consolação da confiança em Deus.

A cruz de Jesus é escola onde se educam os sentimentos da serenidade, da confiança, da paz e da compaixão. Na escola da cruz aprendemos a abolir do coração humano a indiferença e a insensibilidade diante do clamor de quem sofre.

A proximidade do sofrimento, a oração aí nascida, a presença testemunhada, as palavras ditas ou caladas dessas horas transformam-nos por dentro. O amor cristão e compassivo junto de quem sofre modela o nosso coração e transforma-nos por dentro.

Jesus “assumiu a condição de servo, tornou-se semelhante aos homens. Aparecendo como homem, humilhou-se ainda mais, obedecendo até à morte e morte de cruz” (Fil 2, 6-11).

Encontramos o dom maior do amor de Deus pela Humanidade manifestado neste amor entregue de Jesus na cruz, que “assumiu a condição de servo e se tornou semelhante aos homens. Aparecendo como homem, humilhou-se ainda mais, obedecendo até à morte e morte de cruz”, como afirmava S. Paulo na segunda leitura (Fil 2, 6-11).

Este dom do amor de Deus pela Humanidade manifestado na cruz espelha-se naqueles que dedicam a sua vida profissional ou a disponibilidade gratuita do seu tempo para estar junto de quem sofre.

Neste dia da celebração da Festa litúrgica do Senhor da Vera Cruz somos convidados a olhar para a cruz de Cristo. Aí descobrimos o sinal redentor da Humanidade e aí nos reencontramos com a dor de todos os irmãos que sofrem.

O meu ministério sacerdotal deu-me a graça e ofereceu-me a bênção de encontrar verdadeiros santos que se dedicam a aliviar o sofrimento dos seus irmãos. Neles descobri belos exemplos da compaixão misericordiosa da Igreja e extraordinários testemunhos de santidade.

Neles se concretizam as bem-aventuranças do Evangelho. “Bem-aventurados os que choram porque serão consolados. É deles o Reino dos Céus”( Mt 5, 4).

3. Cumpre-me neste dia e nesta celebração do Senhor da Vera Cruz dizer uma palavra de gratidão a todos quantos, na nossa Diocese, são verdadeiros cireneus nos caminhos dolorosos do nosso tempo, através de uma vida dedicada aos que sofrem nas nossas casas de família, nos hospitais, nos lares e nas prisões.

Devo esta palavra de comunhão e de homenagem pela disponibilidade e generosidade manifestadas nas capelanias hospitalares ou prisionais, nos diversos serviços pastorais voltados para os que sofrem e no voluntariado cristão em tantas frentes de serviço aos mais pobres.

Esquecer, desvalorizar ou restringir este serviço pastoral constitui uma ofensa irreparável àqueles a quem mais devemos. A Igreja do Porto quer nesta palavra de justiça, de homenagem e de gratidão devida a quantos trabalham nestes diferentes serviços pastorais, afirmar que deste modo está com os que sofrem e não abdica desta presença solidária e cristã junto deles.

Quando a cruz pesa sobre alguém todos nós somos necessários e imprescindíveis, mesmo que a nossa ajuda pareça insignificante perante a imensidão da dor ou alguns a julguem desnecessária face a outras respostas técnicas.

Diante de Jesus na cruz, vítima inocente do pecado da humanidade e do mal do mundo, estava Sua Mãe como estão sempre as mães diante da cruz dos filhos. Diante de Jesus na cruz, a Igreja em cujo rosto materno se deve espelhar o rosto terno da Mãe de Jesus, olha com redobrado afeto e acrescida preocupação para todos os crucificados da vida, para as vítimas inocentes de catástrofes da natureza, dos acidentes mortais, dos conflitos sem sentido, e para os que caem nas mãos assassinas dos violentos e dos injustos.

As lágrimas e as dores das vítimas inocentes são lágrimas e dores de todos nós, mesmo que já apenas nos restem as lágrimas do coração. O tempo que vivemos é “tempo para chorar” diante de tantos dramas humanos, tragédias sociais e desvarios inconcebíveis de alguns povos e grupos violentos a coberto da impunidade, da cobardia, e de mesquinhos “interesses de bastidores”, como ontem afirmou o Papa Francisco. Diante de quem declara guerra ninguém pode pactuar. Estaria a ferir de morte a própria Humanidade!

4. A cruz é sinal do amor de Deus por nós e é dom de vida para nós: “Deus amou tanto o mundo que entregou na cruz o seu Filho Unigénito, para que todo aquele que acredita nele tenha a vida eterna”, afirmava o Evangelho de hoje ( Jo 3, 13-17).

Assim se explica o desejo de Santa Helena ao procurar em Jerusalém vestígios da cruz de Cristo. Aqui se radica também o valor que nós cristãos damos à cruz de Cristo na nossa vida e à sua presença nos lugares por onde cruzam os caminhos dos homens e mulheres do nosso tempo.

Erguida nas torres das igrejas, presente no altar da Eucaristia ou trazida por nós como símbolo de fé e testemunho de vida cristã, a cruz identifica-nos como cristãos e significa que também nós somos em cada terra e em cada tempo mensageiros de Jesus crucificado, vivo e ressuscitado. Sem a compreensão do sentido redentor da cruz, os seus sinais podem incomodar e serem removidos. Mas sem a cruz redentora de Cristo a sociedade fica mais pobre, mais desumana e mais distanciada da alegria e da esperança da salvação.

5. Elevemos o nosso olhar para a cruz de Cristo. São para nós, hoje, as palavras de Jesus: “Quando Eu for exaltado, então atrairei todos a mim” (Jo 12, 32 ).

Igreja do Senhor da Vera Cruz do Candal, 14 de setembro de 2014

António, Bispo do Porto

 
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