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Homilia na Festa de Nossa Senhora da Ajuda PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2014

1.Celebramos, neste domingo, a festa de Nossa Senhora da Ajuda, em Espinho. Fazemo-lo unidos a todos os habitantes desta nossa cidade e a todos quantos, aqui nascidos, vivem dispersos pelo mundo da emigração. Estamos reunidos, em volta do altar da Eucaristia, de olhar voltado para a Mãe de Deus e nossa Mãe, que aqui veneramos sob a invocação de Nossa Senhora da Ajuda.

Vivemos este dia em comunhão muito próxima com o Papa Francisco, que hoje visita a Albânia, um dos países mais pobres da Europa e que não faz parte da União Europeia. É um país de periferia, marcado por grandes sofrimentos do tempo recente, em que viveu sob o jugo de uma das mais duras tiranias da história da Europa. Mas a Albânia é igualmente o país berço da Madre Teresa de Calcutá e é agora testemunha exemplar de um caminho de liberdade, de paz e de convívio entre diferentes grupos religiosos. É também, neste deserto demográfico europeu, o país da Europa com maior percentagem de crianças e de jovens.

 

Saúdo-vos, irmãos e irmãs, com alegria e com gratidão. Não esqueço que, no início do meu ministério sacerdotal, fui enviado pelo meu bispo para continuar os estudos em França e aí trabalhar pastoralmente com os emigrantes portugueses numa paróquia francesa. Em Paris encontrei um numeroso grupo de emigrantes naturais de Espinho, que me acolheram com inesquecível cordialidade e rapidamente se integraram na Comunidade Católica Portuguesa, que começava a organizar-se. Deles recordarei sempre a amizade fraterna e a colaboração dada à minha missão de sacerdote assim como o serviço generoso prestado à Comunidade. Vinte e cinco anos mais tarde, a quando da minha nomeação episcopal, estes mesmos emigrantes quiseram estar presentes na minha ordenação e oferecer-me este báculo de pastor.

2. Este dia de festa nasceu de uma antiga e bela devoção a Nossa Senhora da Ajuda, iniciada pelos pescadores vindos da Galiza e de Matosinhos, que aqui se fixaram.

A presença de Maria, ao longo do caminho da história da Igreja e da vida dos povos cristãos, é sempre um sinal que nos conduz e uma certeza de bênção que nos protege. Ela é luz que nos ilumina, mão que nos guia, presença que nos ajuda, ampara e fortalece.

Ela acompanha-nos com o seu carinho materno por entre os acontecimentos da vida. Felizes os homens e as mulheres que depositam a sua confiança n’Aquele que, no momento de oferecer a Sua vida pela nossa salvação, nos deu Sua Mãe para que fosse nossa Mãe.

3. Neste tempo de crise económica e social torna-se mais sensível e necessária esta presença de Maria a guiar-nos pela sua mão de Mãe. De olhar voltado para Deus e atentos às realidades que envolvem e agitam o mundo, afligem o nosso país, inquietam as famílias e fragilizam as pessoas, sobretudo as mais pobres, cumpre à Igreja deixar-se iluminar e conduzir por Maria, para que possa ser para a sociedade a estrela da esperança e o farol de um futuro melhor.

Com a ajuda de Maria compreenderemos melhor que, neste tempo de incertezas e apreensões para tanta gente, “a alegria do evangelho é a nossa missão”, como nos diz o nosso lema pastoral para este ano.

Vivemos tempos de profundas e rápidas mudanças que reforçam na Igreja este apelo a ser rosto materno de esperança para o mundo e testemunha feliz da alegria que o evangelho nos trouxe.

O nosso mundo e os homens e mulheres que o habitam precisam de conhecer este dom materno que Jesus nos deixou e de ver esculpido o rosto terno de Maria no rosto materno da Igreja.

A Igreja deve aprender na escola de Maria a colocar Deus no coração do homem e no centro do mundo.

Sei da criatividade apostólica e do dinamismo pastoral desta Comunidade de Espinho. Senti o valor do testemunho cristão das suas gentes em terras de emigração. Acompanho desde há alguns anos o vosso caminho de formação na fé, de serviço da caridade, de renovação pastoral e de ousadia profética de uma Igreja de rosto missionário e jovem, capaz de ir ao encontro de quantos nos procuram, de quantos vivem e trabalham na nossa cidade e de quantos nos visitam em tempos de descanso e de férias.

4.A primeira leitura, extraída do Livro de Isaías, convida-nos a invocar o Senhor, rico de perdão, cheio de paciência, de bondade e de misericórdia. Um belo texto! Um hino e um convite à confiança em Deus e à conversão ( Is 55, 6-9).

Na segunda leitura, S. Paulo convida-nos a viver de “maneira digna do evangelho de Jesus Cristo” (Fl 1, 20-27).

É deste evangelho de Jesus Cristo que nós hoje recebemos uma parábola estranha, surpreendente para a rotina dos nossos critérios e interpelativa para os nossos cálculos humanos. O proprietário que contratou trabalhadores para a sua vinha paga com justiça aos que trabalharam o dia todo e acrescenta com generosidade o salário dos que trabalharam menos tempo e segundo os cálculos distributivos da época mereciam menos.

Jesus no texto do evangelho, agora proclamado, conclui a parábola com esta sábia afirmação: “Os últimos serão os primeiros e os primeiros são os últimos” ( Mt 20, 1-16).

Esta bela cidade que nos acolhe e esta multidão, que hoje aqui acorre, vêm lembrar-nos que a devoção que aqui nos traz hoje começou na fé cristã e no amor filial a Nossa Senhora de um pequeno núcleo de pescadores, gente simples, homens de rosto calcinado pelo sol e de mãos calejadas pela faina da pesca. Eram os últimos da escala social, ao tempo, que tantas vezes ao longo da história se tornaram os primeiros em dignidade, no trabalho e na fé

A beleza do mar, a alegria da fé e a força do trabalho são as marcas e as linhas de rosto desta cidade de Espinho. Vamos percorrer ao longo da tarde, em procissão, as ruas da nossa cidade sobre um tapete de flores e de sal e vamos invocar a proteção da Senhora da Ajuda para a cidade e para todos os romeiros e peregrinos.

No decurso desta procissão, queremos implorar a bênção de Deus e a proteção da Senhora da Ajuda sobre o mar, cumprindo, assim, uma antiga e sugestiva tradição. Do mar recebemos o alimento que dá a vida e oferece o pão a tantas famílias. No horizonte imenso do mar espraia-se o nosso olhar de encanto e evocamos a aventura de gerações que de Portugal partiram na descoberta de novos mundos. Mas no mar estão também tantas dores e lágrimas da nossa história!

Temos presente na nossa oração e na nossa missão os trabalhadores do mar, os pescadores e os marinheiros, aqueles que fazem da ousadia de cada manhã e da vida exigente de tantas profissões difíceis, na nossa Diocese, o rumo de um trabalho digno e de uma fé cheia de simplicidade, de coragem e de devoção.

Nossa Senhora esteve sempre presente no coração e na vida, na oração e na fé dos que vivem a aventura deste trabalho da faina da pesca e nas duras lides e corajosas aventuras dos que trabalham no mar. São muitos os nomes impressos e os sinais visíveis da presença materna de Maria no coração e na vida das gentes do Mar.

5.Que a proteção terna e materna da Senhora da Ajuda, nos acompanhe e nos dê coragem para servir a alegria do Evangelho nesta cidade de Espinho e na Igreja do Porto!

Igreja de Espinho, 21 de setembro de 2014

António, Bispo do Porto

 
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