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HOMILIA NA EUCARISTIA DA FESTA DE S. COSME – GONDOMAR PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2014

1.“Que o Senhor te abençoe e te proteja…que o Senhor dirija para ti o Seu olhar e te conceda a paz” (Num 6, 22-26). Esta é uma bênção própria da liturgia judaica, ainda hoje usada, que os sacerdotes pronunciavam nas festas religiosas.

Esta palavra de bênção, dita outrora ao povo de Deus, hoje aqui renovada e redita na primeira leitura, tem acrescido sentido e maior valor neste dia feriado municipal e em pleno coração das festas da nossa cidade de Gondomar. Cumpre-nos ser, em todas as freguesias e paróquias, em todas as instituições e famílias do nosso concelho e vigararia, bênção de Deus, presença de paz e certeza de fraternidade.

 

A missão da Igreja é esta: ser bênção de Deus para a cidade, vila ou aldeia onde vive, erguendo a tenda de Deus no coração desta casa que é o mundo. A missão da Igreja, que percorre os caminhos das nossas terras, é esta, também: abrir o coração humano à alegria do evangelho, ao sentido da festa e ao testemunho dos santos como modelos de vida e rostos de bem-aventurança para o nosso tempo. A alegria do evangelho, que queremos viver e anunciar, é um marco decisivo a indicar o rumo do nosso caminho e o sentido da nossa missão como Igreja.

A missão da Igreja, que acolhe diariamente a novidade renovadora que o Espírito nos concede, é esta igualmente: ser missionária e mensageira da boa nova recebida de Jesus e fazer na diocese do Porto desta “alegria do evangelho a sua missão”.

As forças humanas e as leis das nações por si só não bastam para dar resposta aos problemas com que se debate a Humanidade e para oferecer solução aos seus dramas. Se as nossas forças humanas conseguissem só por si erradicar a pobreza, vencer o desemprego, evitar as guerras, calar o ódio, impedir os ultrajes cobardes, abolir a violência nas famílias e na sociedade e construir o bem e a paz para todos por igual, por que não o fazemos?

Sabemos, porém, que sozinhos e só por nós nunca o conseguiremos. Voltemo-nos, por isso, para Cristo, fonte de esperança e fundamento de fraternidade. A experiência de fraternidade de uma Igreja perita em humanidade e escola de misericórdia só é possível para nós cristãos se compreendermos o dinamismo que brota da salvação revelada e realizada em Jesus Cristo e do mandamento novo do seu amor ao próximo, de que nos falava o evangelho de hoje na bela parábola do bom samaritano (Luc 10, 25-37).

2. Centramos a nossa festa nestes dias, situados entre a festa litúrgica de S. Cosme e S. Damião, a 26 de setembro, e a festa de Nossa Senhora do Rosário, que tem lugar, amanhã, dia 7 de outubro. A Mãe de Deus e Senhora do Rosário abre-nos as portas da vida e da fé, como só as Mães sabem fazer sempre que fazem do seu coração a casa dos seus filhos.

 

 

À Mãe de Deus, Senhora do Rosário, confio este desejo profundo, que sai do coração de cada um de nós, de sermos abençoados e felizes e de vivermos em paz na nossa cidade, no nosso trabalho, nas nossas escolas e nas nossas famílias.

À Mãe de Deus, Senhora do Rosário, confio o grito de paz e o clamor de justiça das populações oprimidas; das famílias tristes e magoadas, sem amor, sem pão e sem trabalho; das pessoas sem pátria, sem casa e sem lar; dos idosos sem presença próxima, sem aconchego e sem carinho; das crianças e dos jovens sem alegria, sem sonho e sem esperança; de uma sociedade europeia tantas vezes cansada, envelhecida e em rutura cultural com os seus valores, a sua matriz e a sua história.

De S. Cosme e S. Damião, mártires sírios do séc. IV, guardamos o testemunho de vida e o exemplo de santidade. Deles realça a tradição a generosidade que os levava a exercer, de modo gratuito, a sua própria profissão, como médicos, ao serviço dos mais pobres e dos mais frágeis. A eles confio, também, nesta hora de sofrimento, o povo da Síria, sua pátria, para que a liberdade religiosa e a paz regressem àquele chão habitado por gerações pacíficas de crentes ao longo da história.

O amor procurado nas famílias e a paz necessária nos povos não são apenas tolerância, aceitação, paciência. O amor humano e cristão consiste em ocupar-se; cuidar; partilhar; compreender; ser presente; estar atento; saudar; falar; perdoar; dar-se aos outros. É lutar por novos modelos de sociedade, onde a proximidade se substitua à solidão; onde a fraternidade assuma o lugar da concorrência; onde o respeito pela diferença religiosa se afirme como um direito; onde a repartição dos bens tenha primazia diante da concentração excessiva na posse de poucos; onde a justiça, o respeito e o carinho pelos que sofrem estejam primeiro.

3. A Igreja do Porto quer estar na vanguarda desta proximidade, ser escola desta fraternidade e ser obreira deste amor pelos simples, pelos pequenos e pelos frágeis, levado a todas as periferias da sociedade. A missão de “anunciar a alegria do evangelho”, que agora vivemos e assumimos, como lema pastoral, projeta-nos no caminho do futuro como necessária pedagogia de evangelização e oportuna metodologia de ação pastoral de uma Igreja que vai ao encontro de todos, sem a ninguém esquecer ou excluir.

Coloco no coração da Mãe de Deus, que em Gondomar celebramos sob a invocação de Nossa Senhora do Rosário, este sonho de renovação pastoral e este propósito evangelizador ao serviço da alegria do evangelho, como nos exorta e testemunha o Papa Francisco.

Isso mesmo, confio a S. Cosme e S. Damião, nossos Padroeiros, com o desejo sincero de abençoado e feliz ano pastoral nas nossas comunidades e de um ano letivo cheio de êxito nas nossas escolas, para as crianças e jovens da nossa Terra!

Rezemos na Eucaristia desta manhã e na procissão desta tarde por todos os irmãos e irmãs desta cidade e concelho, para que o Senhor, presente na Eucaristia e visível no rosto, na alma e na vida dos santos, ao passar em cada rua nos “abençoe e nos proteja e dirija para nós o seu olhar e nos conceda a paz”!

Gondomar, Igreja matriz, 6 de outubro de 2014

António, Bispo do Porto

 
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