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Memória descritiva do logótipo para o Ano Pastoral 2014-2015 PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - “A ALEGRIA DO EVANGELHO É A NOSSA MISSÃO”

 

O logótipo da Diocese do Porto, para o Ano Pastoral 2014-2015, inspira-se na rosácea da sua Sé, partindo, portanto de um elemento arquitetónico específico da Catedral, Igreja-Mãe da Diocese, donde dimana e irradia, toda a vida sacramental e todo o dinamismo pastoral, no desejo sempre tão ardente de “iluminar todos os homens, com a luz do Espírito Santo, que resplandece no rosto da Igreja, anunciando o evangelho a toda a criatura” (L.G.1).

A frase, lema ou tema, que assina e assinala este ícone[1], inspira-se, pois, na “alegria do evangelho”, o título feliz da Exortação Apostólica do Papa Francisco, que se apresenta como programática, para toda a Igreja, neste tempo (cf. E.G.25). Trata-se, em primeiro lugar, da “alegria do evangelho”, como experiência do encontro com Cristo, que não pode deixar de ser uma “alegria missionária” (E.G.21), que sempre se renova e comunica (cf. E.G.2-8). Mas revela também a opção, por um programa pastoral, inspirado nos desafios de conversão e de transformação missionária de toda a Igreja (cf. E.G.19 ss), apontados pela Exortação Apostólica, que tem precisamente à cabeça as palavras sobre a “Alegria do Evangelho”. Com este “programa” o Papa ajuda-nos e faz-nos ajudar outros a redescobrir “a doce e reconfortante alegria de evangelizar” (Paulo VI, E.N.80, citado por E.G.10).

Deste modo, o logótipo parte de um ícone, conhecido e reconhecido, pelo seu valor arquitetónico, e pela sua simbólica matricial, associada à Sé, e à transparência da luz, em sintonia com o desejo de conversão missionária, expresso pelo Papa quando invoca Maria, Estrela da nova evangelização, para que nos ajude “a refulgir com o testemunho da comunhão, do serviço, da fé ardente e generosa, da justiça e do amor aos pobres, para que a alegria do evangelho chegue até aos confins da terra e nenhuma periferia fique privada da sua luz” (E.G.288).

Pensamos que o logótipo traduz bem essa «expansão» da luz de Deus, esse projeto de «uma Igreja em saída» (E.G.20-24) de uma comunidade, cuja comunhão fortalecida, se traduza em abertura missionária.

A rosácea é composta de oito elementos. Cada elemento é desenhado por uma forma, que facilmente se associa à parte superior de uma figura humana. É a valorização de cada pessoa, na sua originalidade, na sua dignidade. Por isso, cada uma delas é pintada com uma cor diferente, cores vivas e alegres. Assim como o ícone precisa da densidade das cores e da determinação das formas, assim a Igreja transmite o mistério que se fez presente n’Ela e irradia através d’Ela!

Por outro lado, cada um dos oito elementos está em relação vital com os demais, numa proximidade que começa por ser familiar e se traduz na assunção de um caminho comum.

Mas é sempre uma relação, em círculo aberto, expansivo, comunicativo, não isolado ou autorreferencial: “somente graças a este encontro – ou reencontro – com o amor de Deus, que se converte em amizade feliz, é que somos resgatados da nossa consciência isolada e da autorreferencialidade” (E.G.8).

Há, depois, uma diversidade de cores, naquele grupo de oito elementos iguais, que gira à volta de um centro comum. Esta diversidade pode representar a comunidade cristã, na variedade dos seus membros e funções, todos eles dotados da mesma dignidade, todos eles diferentes, nas suas potencialidades e expressões, todos eles belos, todos eles necessários, para chegar à unidade e à harmonia, todos eles, afinal, “discípulos missionários” (E.G.24; 120), descentrados de si, centrados em Cristo, voltados para o mundo. Por isso, este é um grupo aberto, um grupo em expansão, um grupo que, ao mesmo tempo que é atraído por um centro (Cristo, o evangelho vivo), permanece de portas abertas para deixar outros entrar (E.G.46.47), e de portas abertas, para ir, tomar a iniciativa, sair em missão, ao encontro dos outros (E.G.49), a fim de “procurar os afastados e convidar os excluídos” (E.G.24).

 

Deste modo, pretende-se representar, no logótipo, a comunidade cristã, reunida e atraída, por um único centro, que é Jesus Cristo, sob a luz altíssima do Espírito Santo. De notar, que o evangelho, fonte de alegria e oferta para o homem, não é um livro. É a Boa nova da encarnação e da redenção, é a certeza do próprio Jesus, vivo, morto e ressuscitado por nós, sempre presente no nosso meio, no meio do mundo, no meio da Igreja, no meio da nossa vida, a enchê-la de sentido, de vida, de alegria, de plenitude da graça.

As oito figuras, unidas e separadas, pelos oito traços, podem evocar “o oitavo dia”, isto é, o dia que já não tem fim, “o domingo que não tem ocaso” (Missal Romano, Prefácio Dominical X), a dimensão da eternidade de Deus no tempo da nossa vida, a nossa visão luminosa do rosto de Deus, a nossa participação na própria vida trinitária. Essa é a fonte, o centro e a meta de toda a vida cristã e pastoral.

Na construção deste logótipo, construído a partir da rosácea, pode adivinhar-se também que o modelo relacional, entre a parte e o todo, entre o indivíduo e a comunidade, entre a Igreja e o Mundo, segundo um dos princípios enunciados pelo Papa Francisco, na sua Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, não é a esfera mas o poliedro, “que reflete a confluência de todas as partes que nele mantêm a sua originalidade” (E.G.236).

 

Desejamos, pois, que este logótipo seja inspirador de muitas outras interpretações, implicações e aplicações pastorais, que a criatividade do Espírito certamente suscitará em cada um, no seio da nossa Igreja.

Cabe a cada um dar-lhe a sua cor, o seu sentido original. Mas aqui fica esta proposta simples, como “um bem comum, que verdadeiramente incorpore a todos” (E.G. 236), pois também aqui, “o todo é superior à parte” (E.G.234).

 

Carlos Gallo, Designer

e Equipa de Apoio à Coordenação Pastoral Diocesana

 


[1] A palavra «ícone», como é sabido, significa «imagem». A Igreja, à semelhança de Maria, é também ela, um ícone, na medida em que n’Ela se oferece o duplo movimento que toda a imagem tende a transmitir: o visível e o invisível, a humanidade de Deus e a divindade do homem. A Igreja é ícone, porque nela se realiza a revelação do Deus escondido, a presença do Deus eterno na história dos Homens, e, ao mesmo tempo, porque nela se oferece, aos olhos do coração crente, a janela do mistério, a ponte entre o visível e o invisível.

 
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