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Homilia na solenidade de Nossa Senhora de Vandoma, Padroeira da Cidade do Porto PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2014

1. Nos tempos de hoje só se pode ser cristão quando marcado pela alegria, pelo assombro e pela surpresa de Deus. Para nós cristãos, ninguém melhor do que Maria, Virgem de Nazaré, nos pode ensinar a alegria, falar de assombro e manifestar a surpresa que a presença e os projetos de Deus nos provocam.

Um dos sintomas do tempo presente é a indiferença religiosa: uma indiferença tranquila alheia a todo o questionamento sobre Deus. Contudo são também cada vez mais numerosos, aqueles que, movidos por uma certa nostalgia de Deus, sentem muito forte a interpelação: como procurar e encontrar Deus?

 

Sabemos bem que não basta procurar Deus por fora: nos livros, nos debates, nas discussões. Uma coisa é discutir religião e outra coisa muito diferente é buscar Deus com coração sincero.

Procurar Deus exige esforço. O encontro com Deus para quem O procura nunca é o resultado de um voluntarismo fanático ou duma ascese crispada. Deus é dádiva e o importante é procurá-lo na simplicidade de coração e na verdade da alma.

Penso que «de fora» não se pode «ensinar» ninguém a acreditar, como não se pode ensinar a sentir, a chorar ou a amar. A fé não é uma pretensa conquista teórica nem um mero alcance racional. Sempre que debati com alguém exclusivas formas teóricas da fé fiquei com a impressão de que não estava a falar do importante.

Muitos cristãos vivem hoje num estado intermédio entre um cristianismo tradicional, que alimentou os primeiros anos da sua vida, e uma descristianização que pouco a pouco foi invadindo tudo.

Sem o expressar por palavras, alguns vivem com a inquieta apreensão de que as profundas mudanças sócio-culturais, que estamos a sentir, ameaçam fazer desaparecer do nosso povo a fé cristã em que temos vivido.

De pouco servirá, por isso, aos cristãos confessar rotineiramente as suas crenças se não descobrem a fé como experiência alegre, reconfortante e revitalizadora. Precisamos mais do que nunca de rezar, fazer silêncio, curar-nos de tanta pressa e superficialidade, para, diante de Deus, nos abrirmos com sinceridade e confiança ao mistério insondável do seu amor pelo mundo.

Já não basta ser cristão por nascimento ou por tradição. A fé radica-se na decisão livre de uma experiência pessoal e comunitária de cada um. Para isso precisamos de regressar ao solar da Mãe, ao berço que nos embala, às raízes da história da nossa fé, ao que de mais sólido, ainda que aparentemente distante, alicerça o chão sagrado em que nos movemos.

2. É isso que aqui, hoje, procuramos e celebramos. Nossa Senhora de Vandoma, nossa Padroeira, desde 1981, que veneramos, de olhar voltado para esta bela e antiga imagem do século XIV, traz até nós uma nobre devoção da Cidade do Porto.

A minha presença aqui, neste dia litúrgico, vivido na nossa Igreja Catedral, quer afirmar a gratidão a Deus pelo dom da Mãe de Jesus e quer agradecer à Cidade este preito filial à nossa Padroeira.

Venho confiar a Nossa Senhora de Vandoma o meu sonho de ação pastoral para a nossa Cidade: uma pastoral marcada pela comunhão, pela abertura , pela colaboração e pela unidade das paróquias, das reitorias, das comunidades religiosas, dos serviços diocesanos e dos movimentos apostólicos presentes neste espaço urbano; uma ação pastoral desafiada a fazer uma diferenciação positiva para que não sejamos todos a fazer o mesmo; uma pastoral capaz de consolidar uma necessária complementaridade, para que saibamos descobrir espaços onde o anúncio do evangelho ainda está ausente e nos sintamos decididos a ir ao encontro de novas periferias e a dar resposta a situações humanas e sociais até agora ignoradas ou esquecidas; uma pastoral construtiva de novos modelos de acolhimento aos que nos visitam: uma pastoral que integre o valiosíssimo património artístico e religioso da Cidade numa proposta que o transforme em livro aberto onde os crentes possam ler o evangelho e admirar a beleza sublime da fé e os não crentes se aproximem do pórtico da fé em Deus e do conhecimento e amor pela Igreja.

Imploro da Senhora de Vandoma, Padroeira do Porto, que nos ajude a dar valor à riqueza humana das pessoas, das instituições e das organizações do Porto, tão variadas e determinantes no viver cristão da nossa Cidade e no contributo que queremos dar ao todo nacional.

A presença e o exemplo de Maria, Senhora de Vandoma, na vida e na devoção dos portuenses fizeram do Porto Cidade da Virgem e inseriram a sua imagem no estandarte da nossa Cidade. A Igreja que aqui vive, desde há tantos séculos, deve espelhar no seu rosto, no seu coração e no seu agir, a exemplo da Mãe de Jesus, a ternura de uma Mãe acolhedora, presente e atenta a todos, sobretudo aos mais pobres.

O Porto é a pátria da liberdade, da lealdade, do trabalho e da devoção filial à Mãe de Deus, sob a invocação de Senhora de Vandoma. Estes são valores que se aprendem no regaço das Mães!

Confio a Nossa Senhora de Vandoma, com devoção e afeto, o que nestes próximos dias vamos viver na celebração dos 900 anos da nossa Diocese e a partir daqui  neste propósito incontido de fazermos da “alegria do evangelho a nossa missão”.

3. Aqui, a esta Catedral, verdadeiro solar da Mãe dos cristãos e santuário da Cidade de todos os portuenses, queremos acorrer como peregrinos em momentos marcantes do nosso viver como Igreja. Aqui encontraremos ânimo para viver cada dia com a alegria da fé e com o encanto do amor a Deus e do serviço ao próximo, de que Maria, Mãe de Deus e Senhora de Vandoma, nos deu tão belo exemplo e tão santo testemunho.

Abençoa-nos, ó Mãe, Senhora de Vandoma, nossa Padroeira, para que a nossa vida ganhe a ternura da tua proximidade e o horizonte do teu sonho, que os nossos passos e os nossos gestos brotem de um coração que vê e rompe distâncias, um coração que a todos cuida e se inquieta e compromete na edificação de uma cultura mais justa, solidária e cristã!

Porto, Igreja-Catedral, 11 de outubro de 2014

António, Bispo do Porto

 
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