Faixa publicitária
HOMILIA NA ORDEM DE S. FRANCISCO PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2014

1. A palavra de Deus, hoje proclamada, reconduz-nos ao espírito do profeta Isaías que se apresenta ao povo como um servidor dócil. Isaías encontra em Deus o sentido para a sua vida e a fortaleza para a sua missão e fala de Deus ao povo de Israel como “Senhor que preparará para todos os povos um banquete … e enxugará as lágrimas de todas as faces”( Is 25, 6-10).

A visão de Isaías ganha pleno cumprimento no tempo de Jesus, traduzido na parábola do Evangelho, que nos fala de um rei que prepara um banquete para os seus servidores, mas que eles recusam. O banquete realiza-se, por vontade expressa do rei, apesar dessa recusa dos convidados, e serão os simples, os esquecidos nas margens e nas encruzilhadas dos caminhos, os ignorados da vida e os pobres, aqueles que não vemos porque não olhamos, e os que não convidamos porque não queremos sentar à mesa, a participar no banquete preparado. Convidar e sentar alguém à nossa mesa é dizer-lhe que é grande a sua dignidade, que ele é nosso amigo, que ele ascende à nossa família, que ele tem o lugar que o amor de Deus e a bondade humana lhe oferecem por direito.

 

 

Num mundo marcado pela crise social e magoado pelas dificuldades que atingem tantas pessoas e numerosas famílias, a Igreja e as suas instituições têm o dever de afirmar e professar a fé neste Deus de Isaías,disposto a “enxugar as lágrimas” e neste Deus revelado em Jesus Cristo, Seu Filho, que se sente feliz porque “a sala do banquete encheu-se de convivas” (Mt 22, 1-14)

 

Nestes tempos que são os nossos, sentimos que só a confiança neste Deus, cheio de bondade e de misericórdia, poderá iluminar os nossos caminhos e dar sentido à nossa esperança. Voltamos para Deus os olhares e os pensamentos de tantos, que ao longo da vida colocaram a sua confiança nas seguranças terrenas e as vêem agora diluídas e desfeitas.

 

A Igreja é chamada a estar mais atenta, a ser mais acolhedora e a manifestar a sua proximidade sobretudo com os que mais sofrem. Só assim, a Igreja será sacramento de salvação para a Humanidade e certeza de bênção para os que procuram Deus de coração sincero.

 

2. Este é, também, o carisma que anima, conduz e decide os caminhos das Ordens Terceiras deste a sua origem. Devemo-las ao carisma inspirador das primeiras Ordens e dos seus Fundadores. A Venerável Ordem Terceira de S. Francisco nasceu, no Porto, com o compromisso de ajudar os pobres e exercitar em cada um dos Irmãos o serviço de paz e de bem, ao bom jeito de S. Francisco. Quanto bem se tem realizado e quanta paz se tem procurado desde esse dia, só Deus o conhece e só Ele o saberá premiar e recompensar!

 

Como Instituições de Igreja que são, nas Ordens Terceiras tem de habitar o Evangelho e no coração de todos os Irmãos, Benfeitores, Dirigentes, Técnicos e Funcionários deve palpitar este amor de Deus pela Humanidade.

 

As Ordens e as Irmandades mereceram, no decurso do tempo, o carinho de muitos e a generosidade de tantos cristãos que são hoje os seus benfeitores e beneméritos. Entre os maiores benfeitores das Ordens e das Irmandades estão sempre aqueles que generosa e gratuitamente as dirigem e quantos nelas trabalham com alegria, com entrega e com generosidade cristãs.

 

A minha presença aqui tem também esse sentido: testemunhar a gratidão da Igreja e de quantos usufruem do bem realizado pela Venerável Ordem de S. Francisco, no Porto, ao Senhor Provedor, aos Membros da Mesa Administrativa, às irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição, a quantos ao longo do tempo aqui têm assumido com dedicação e generosidade o serviço a esta nobre e imprescindível causa do bem, da paz, da caridade e da misericórdia.

 

Os que sonharam e lançaram os alicerces firmes da Venerável Ordem Terceira de S. Francisco já partiram ao encontro de Deus. Recordemo-los, hoje e sempre, na nossa oração e na nossa gratidão. A nós, pertence-nos merecer o seu legado, acolher o seu testemunho e continuar a sua missão.

 

Ao celebrarmos solenemente a festa de S. Francisco e ao evocar a vida e a história desta Ordem Terceira somos necessariamente conduzidos a pensar na terra e nas pessoas, nos tempos e nos lugares, nas situações e nas circunstâncias, nos sonhos de Deus e na ousadia humana, nos projetos e nos propósitos que fizeram nascer esta Instituição e dela fizeram uma Obra prestigiada da nossa Cidade.

 

3. S. Francisco (1182-1226) é um homem bom, que via a natureza com olhos puros, que cantava as maravilhas e a ternura das coisas criadas, que se despiu das coisas supérfluas da vida para se entregar a Cristo para servir os pobres. S. Francisco é um homem livre, confiante, sereno e santo que faz da sua vida uma escola de amor pelos mais pobres e uma fonte de ternura de Deus pela humanidade.

 

Todos sabemos como e quanto o ideal franciscano da vivência humilde e da experiência da caridade junto dos pobres favoreceu o movimento de abertura da Igreja à sociedade e ao mundo. Por seu lado a eleição do Cardeal Jorge Mário Bergoglio como Papa, que escolheu o nome de Francisco para inspirar o seu ministério do espírito de S. Francisco, ajuda-nos a compreender a importância do carisma de S. Francisco e a atualidade do ideal franciscano.

 

Reli nestes dias textos de Leonardo Coimbra e de Jaime Cortesão, porque um e outro nos falam, ao seu modo e com admiração, de S. Francisco e da presença e influência do carisma franciscano na identidade do Porto. São de Jaime Cortesão estas palavras: “Visto em substância própria e histórica, o Porto é românico, franciscano e democrático. Nos cais, arcarias e ruelas da Ribeira e de Miragaia ou nas ásperas congostas que trepam até à Sé e à Cordoaria, respira-se e palpa-se a idade Média … Graças ao Porto, o povo português teve coluna vertebral; e ainda hoje possui um ideal de livre cidadania, de austeridade na conduta e de fidelidade ativa a todos os deveres e direitos”( (in Portugal, a Terra e o Homem, pág. 14, edição Biblioteca Nacional, 1960).

 

4. A minha palavra de particular afeto e dedicado carinho vai para todos quantos são a nossa razão de ser, de viver e de trabalhar: os idosos, os doentes, as crianças, os jovens, as famílias, a nossa Comunidade. Aqueles a quem servimos e a quem nos dedicamos. É por eles que todos aqui estamos, reunidos à volta do altar da Eucaristia, nesta bela e ampla Igreja matriz de S. Francisco. Que eles se apercebam que é para eles o nosso pensamento, o nosso afecto, a nossa oração e o nosso trabalho.

 

Eles foram a razão que fez nascer esta Instituição e a causa que faz surgir em cada tempo as suas diversificadas valências. Eles são o mais belo rosto, os maiores protagonistas e os melhores embaixadores da Ordem de S. Francisco.

 

5. Que S. Francisco, titular deste belo templo, e inspirador do espírito franciscano que a todos nos envolve, acolha a nossa oração e dê eficácia aos nossos compromissos.

 

Porto, Igreja de S. Francisco, 12 de outubro de 2014

António, Bispo do Porto

 
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Quer receber as nossas novidades no seu e-mail? Subscreva a nossa Newsletter especificando o seu endereço de e-mail:

D. António Francisco dos Santos fala sobre o padre Joaquim Cunha, sacerdote mais idoso de Portugal

Decreto Sobre as Virtudes do Servo de Deus ANTÓNIO JOSÉ DE SOUSA BARROSO Bispo do Porto e Missionário
2017-07-25 11:34:15
Texto
2017-07-20 17:35:49
Word
2017-07-20 17:35:10
Powerpoint + PDF
2017-07-11 14:08:03
Faixa publicitária
Faixa publicitária


© Diocese do Porto, Todos os Direitos Reservados.