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Homilia na celebração dos 900 anos da restauração da Diocese do Porto PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2014

1.Celebramos, com alegria e gratidão, este dia, 900 anos depois de D. Hugo, Bispo do Porto, ter escolhido este local para aqui erguer a Sé, estabelecer a sua sede e construir a cidade episcopal. É de saudação e gratidão esta minha primeira palavra nesta hora. Saúdo-vos e agradeço-vos, amados diocesanos, pela Igreja que somos. Sede bem-vindos!

Vimos de longe. De longe, na história desta Diocese, a que o tempo deu tons e cores, formas e espaços, em vidas oferecidas por inteiro a Deus para servir o mundo. Queremos fazer memória de todos quantos nos legaram, em herança, o dom da fé e trilharam antes de nós o caminho do anúncio do evangelho. Recordo, hoje, e rezo por todos os que serviram e amaram a Igreja do Porto.

Vimos de longe. De longe, na diversidade das 477 paróquias que constituem a nossa Diocese, com mais de dois milhões de católicos, pedras vivas da Igreja. Demos graças a Deus, que aqui nos conduziu e aqui nos congrega, à volta do mesmo e único altar da Eucaristia. A vida humana é uma viagem. E a vida das comunidades é um caminho no horizonte imenso da história, em cada tempo e em cada lugar. Assim acontece connosco, em Igreja, no Porto.

 

 

Celebramos esta Eucaristia em íntima e filial comunhão com o Papa Francisco, neste Dia Mundial das Missões e neste domingo de encerramento do Sínodo Extraordinário sobre a Família e de evocação do grande timoneiro do Concílio Vaticano II, que hoje foi beatificado, o Papa Paulo VI.

Este dia culmina um abençoado percurso, significado e revisitado no Colóquio Internacional, promovido pelo Cabido Portucalense, pelo Seminário de Nossa Senhora da Conceição e pelo Centro de Estudos de História Religiosa no Porto, e sublinha a necessidade de vivermos este tempo como momento jubilar de bênção e de graça e como caminho de programação pastoral que mobilize na unidade, na comunhão e na alegria toda a Diocese.

A hora é de gratidão a Deus, que sempre nos acompanhou neste caminho de muitos séculos; de gratidão a Maria, Mãe da Igreja, Senhora da Assunção, Padroeira da Catedral e da Diocese, que nos faz testemunhas deste modo terno e materno de ser Igreja; de gratidão a quantos se entregam por inteiro à causa de Jesus e ao serviço da Igreja, no Porto.

2. Esta celebração, assim vivida, diz-nos que esta hora é advento do tempo futuro. “O cristão tem de fixar o seu olhar na realidade do futuro”, afirmava, hoje, em Roma, o Papa Francisco. Com os pés assentes na terra, vivemos a esperança como certeza duma longa e bela experiência já feita e como desejo, diariamente renovado, de responder aos desafios do tempo presente.

Queremos fazer do Porto, a exemplo e na continuidade da missão e do ministério de todos os bispos desta Igreja, terra de gente livre, feliz e solidária, escola de fé e de evangelização e chão sagrado, em campo aberto, onde se ergue a tenda de Deus no meio dos homens.

Foram, no decurso do tempo, e serão sempre prioridades da Igreja do Porto: o anúncio do evangelho, a preparação para o ministério ordenado, a celebração dos mistérios da nossa fé, a presença transformadora no meio do mundo e no coração da cultura do nosso tempo e o exercício ativo e interventivo da caridade cristã, sobretudo no serviço aos mais pobres. A comunidade cristã só cumpre esta missão se for casa do evangelho, mesa da eucaristia e rosto visível de Cristo no mundo.

Percorreremos ao longo do tempo, que em cada dia começa, as ruas da nossa Cidade e os caminhos da nossa Diocese. Queremos levar a cada pessoa e a cada família a mensagem feliz de que Deus nos ama. “Um cristão que vive de Deus e faz experiência do seu amor é novidade para o mundo. E Deus ama tanto esta novidade”, lembrava esta manhã, na homilia, o Papa Francisco!

Peço a Deus que nos ensine a audácia do evangelho e nos dê a força do Seu Espírito para vencer medos e rotinas e para ir ao encontro de todos, dos mais próximos e dos mais distantes, dos mais generosos e dos mais frágeis, cumprindo e realizando este sonho de Deus para a Igreja do Porto.

O imperativo missionário e evangelizador deve ser nossa primeira preocupação interior e maior ocupação pastoral a mobilizar-nos, a todos e a cada um, para a missão. Das pequeninas e valiosíssimas peças que, unidas em bela harmonia e artístico conjunto, formam a rosácea da nossa Catedral fizemos o símbolo da proposta pastoral deste ano, que nos convida a fazer da “alegria do evangelho a nossa missão”.

Evoco aqui, com emoção, as palavras do Arcebispo Montini, futuro Papa Paulo VI, ao anunciar, em 1959, na Catedral de Milão, a Missão para a sua Diocese: “Porque se afastou de nós o nosso irmão?” Perguntava o arcebispo de Milão e adiantva de imediato a resposta: “Porque não foi suficientemente amado. Porque não velámos por ele, não o instruímos bastante, não o iniciámos nas alegrias da fé. Perdoai-nos se não vos rodeámos bastante de cuidados, se não fomos suficientemente mestres espirituais, suficientemente bons médicos das almas, se fomos incapazes de vos falar de Deus como devíamos tê-lo feito. Escutai-nos porque queremos juntar às nossas palavras a alegria do anúncio do Evangelho”.

Sabemos que neste ardor que queremos novo só podemos ter como modelo o Bom Pastor, que nos lança na aventura de construção de uma comunidade eclesial, a viver em unidade e em comunhão e constituída em chave de missão e de saída para o mundo.

Em tudo e sempre é necessário ouvir o que o Espírito de Deus diz à sua Igreja e estar disponível para os desafios que daí se desprendem.

A Igreja tem ao seu alcance uma pedagogia aprendida no evangelho, reavivada no Concílio, experimentada nos Sínodos que se lhe seguiram e tornada mais visível na vida e nos gestos do Papa Francisco.

Encontraremos sempre nas instâncias diocesanas de corresponsabilidade, nos serviços e secretariados diocesanos, nas comunidades paroquiais, nas comunidades religiosas e nos movimentos apostólicos, mensageiros disponíveis e discípulos missionários de Jesus, que sejam rosto e alma da missão da Igreja. Estou certo de que, ao descobrirem em nós cristãos a alegria do evangelho, o testemunho feliz da nossa fé e a experiência fraterna da vida das nossas comunidades, serão muitos aqueles que procurarão a Igreja e gostarão de lhe pertencer, fazendo também eles da alegria do Evangelho sua missão.

A certeza de que Deus nos ama e nos quer felizes multiplica-se agora em vidas disponíveis que Deus tocou e transformou, em comunidades vivas e dinâmicas que Deus modelou, em caminhos aplanados que Deus percorre connosco.

A Igreja sabe como é importante propor aos jovens a vocação à vida e à missão: familiar, sacerdotal, religiosa e missionária. Sinto que o futuro está aí e que é algo que devemos valorizar e incentivar, todos os dias, nas Famílias, nas Comunidades, nos Seminários e no Presbitério. Há um ministério de comunhão, de esperança e de bondade que queremos continuar a viver e que me sinto chamado a servir como discípulo fiel e apóstolo incansável, para que a Igreja seja boa notícia, dom e surpresa de Deus, no Porto.

3. A Palavra de Deus, hoje proclamada, chama-nos a “dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mt 22, 15-21) e inspira-nos a prosseguir este caminho de amor a Deus e de serviço ao mundo, conscientes de que todos somos necessários e imprescindíveis!

Faço minhas, num gesto de bênção e numa atitude de esperança, as palavras de Paulo à Comunidade de Tessalónica, que ouvimos na segunda leitura: “A graça e a paz estejam convosco. Damos graças a Deus por todos vós. Recordamos a atividade da vossa fé, o esforço da vossa caridade e a firmeza da vossa esperança. O Evangelho de Jesus não vos foi pregado somente com palavras, mas também com obras, com a ação do Espírito Santo” (1 Tes 1, 1-5).

Esta saudação de Paulo só se cumpre hoje, se formos capazes de a transformar em missão.

Viver em Igreja, no Porto, esta paixão evangelizadora é a nossa missão. A vossa e a minha missão!

Porto, Igreja Catedral, 19 de outubro de 2014

António, Bispo do Porto

 
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