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HOMILIA NAS EXÉQUIAS DO PADRE ANTÓNIO GARRIDO PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2014

 

1.Reunimo-nos nesta Igreja dos Carmelitas, em torno do altar da Eucaristia, para celebrar as Exéquias solenes do Padre António de Almeida Garrido, que foi Reitor desta Igreja, desde 12 de outubro de 1960. Perfizeram-se precisamente ontem, dia da sua morte, 54 anos de um longo, abençoado e ininterrupto trabalho e ministério.

Diante da morte, por mais anunciada que ela esteja, dada a fragilidade da saúde ou o avançar dos anos, assaltam-nos sempre perguntas estranhas e questões difíceis que não encontram respostas evidentes no coração humano.

 

Todos nós dirigimos a Deus palavras inconsoladas em momentos de provação com o coração magoado pela doença e pela dor. Quantas vezes como Job, Jeremias ou Jesus clamamos a Deus a nossa dor!

À oração, nesses momentos, junta-se toda a densidade da incompreensão diante do mistério da dor, do desencanto face à incapacidade de ajudar quem sofre e minimizar o seu sofrimento, das lágrimas humanas perante quem chora e quem sofre.

Ajudam-nos nessas horas, como ajudaram Jesus no Calvário e no caminho que ali O conduziu, a consolação recebida dos mais atentos, a presença solidária dos mais generosos e a ajuda corajosa de todos os cireneus.

Esta necessária e imprescindível ajuda, à mistura com a força inquestionada da fé, conduz-nos à consolação da confiança que descobrimos e encontramos em Deus.

Isso mesmo nos afirma a palavra de Deus, ao dizer-nos que “os justos estão na mão de Deus e nenhum tormento os aflige. Eles estão em paz” ( Sab 3, 1-6), porque “a nossa pátria está nos céus” ( Filip 3, 20-21). E esta sabedoria que os simples compreendem, transforma-se em bênção de Deus e em testemunho de comunhão fraterna com os que sofrem, como nos revela o evangelho, agora proclamado ( Mt 11, 25-30).

Façamos tudo para que ninguém se sinta abandonado nas horas mais difíceis da vida e para que a solidão nascida do luto, do esquecimento ou da indiferença seja para sempre abolida entre nós, os cristãos.

A proximidade do sofrimento, a oração aí nascida, a presença testemunhada, as palavras ditas ou caladas dessas horas transformam-nos por dentro. A solidariedade e a caridade encontradas nessas horas através da presença solidária dos irmãos manifestam-nos o amor de Deus por quem sofre.

 

2. Faz-nos bem em todas as horas olharmos para a Cruz de Cristo e no Justo ali suspenso descobrirmos o sinal redentor da humanidade, que anuncia a ressurreição e antecipa a Páscoa.

Cumpre-nos neste momento da celebração das Exéquias do Padre António Garrido afirmar a importância e defender o lugar insubstituível de quantos, no silêncio do confessionário, na presença serena e permanente no acolhimento desta Igreja, na direção espiritual a tanta gente que aqui diariamente acorria e na celebração quotidiana da Eucaristia, prestava um serviço necessário a tantos a quem Deus por aqui fez passar nos seus caminhos.

O Padre António de Almeida Garrido, filho de Serafim de Oliveira Garrido e de D. Albertina de Castro Godinho, nasceu em Fânzeres a 30 de setembro de 1924. Foi ordenado presbítero em 29 de julho de 1951, tendo integrado, de imediato, a Equipa Formadora do Seminário Maior da Sé desde 1951 a 1957. Nesse ano de 1957 foi nomeado Assistente da Obra da Santa Zita e em 1960 Reitor da Igreja dos Carmelitas, tendo continuado igualmente Assistente das Cooperadoras da Família, em cuja casa sempre residiu. Foi durante algum tempo Administrador paroquial de Miragaia.

Bem presente no lugar onde o Padre Garrido atendia, acolhia e celebrava o sacramento da reconciliação nesta Igreja estava um crucifixo, para nos ajudar a compreender que Jesus, da cruz, nos olhava com a doçura da misericórdia e nos repartia em abundância o perdão e a paz.

 

3. Queremos viver esta hora de passagem da vida para a eternidade e de encontro do Padre António Garrido com Deus como um tempo abençoado para, particularmente nós sacerdotes, nos fazermos mensageiros corajosos da redenção, que da cruz de Jesus nos vem e nos tornarmos servidores generosos e disponíveis do ministério da Reconciliação e da Eucaristia. Só assim a Páscoa da alegria, da esperança, da liberdade, da justiça, da paz e do bem estarão ao alcance de todos. E no coração das cidades precisamos cada vez mais de lugares como estes do altar e do confessionário e de sacerdotes aí presentes e disponíveis.

O sacerdote da nova aliança é chamado a ser testemunha do mistério de Deus, no seu amor gratuito, na sua vida entregue, no serviço da Palavra e dos sacramentos da Vida. É por isso mesmo que, diante de um sacerdote que parte ao encontro de Deus, sinto o dever de afirmar a prioridade que quero dedicar à pastoral vocacional. De todas as vocações, mas muito concretamente das vocações para o ministério presbiterial.

Pedir ao Senhor da Messe para que tenhamos sacerdotes no futuro próximo significa primeiramente rezarmos pelos sacerdotes que temos e agradecer o seu amor a Deus, a dedicação à missão, a fraternidade presbiteral, a generosidade e o entusiasmo com que fazemos da “alegria do evangelho a nossa missão”. Importa descobrirmos no testemunho do Padre António de Almeida Garrido o modo tão fraterno com que acolhem as pessoas e as amparam nos seus problemas.

Foi na tarde do mesmo dia, no Cenáculo, na ceia desejada e preparada para celebrar a Páscoa dos Judeus, que Jesus instituiu o Sacerdócio e a Eucaristia e confiou aos Apóstolos o mandato de o fazerem em Sua Memória.

Este memorial celebrado, vivido e renovado torna-se para os cristãos proclamação da morte de Cristo, anúncio da sua ressurreição e certeza da sua vinda gloriosa.

É a partir da Eucaristia que nos sentimos enviados para acolher, partilhar, evangelizar e servir os nossos irmãos. A Eucaristia é sempre fonte de vida e de esperança para o mundo.

Façamos que esta Eucaristia, aqui celebrada, neste altar, onde diariamente ao longo de 54 anos o Padre António Garrido celebrou, rodeado de assembleias numerosas, seja fonte de vida e de esperança para o mundo. E que as portas da Igreja se abram cada vez mais para acolher, para congregar, para reconciliar, para dar ânimo, para fortalecer e para celebrar à volta do altar este mistério admirável da nossa fé, que Jesus nos deixou na última Ceia.

Sab 3, 1-6 (n.º 244)

Filip 3, 20-21 (n.º 266)

Mt 11, 25-30  (n.º 273)

 

 

Porto, Igreja dos Carmelitas, 13 de outubro de 2014

António, Bispo do Porto

 


 
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