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Homilia nos 25 Anos do Centro de Reflexão e Encontro Universitário do Porto (CREU - IL) PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2014

1.Encontramo-nos, hoje, neste penúltimo domingo do Tempo Comum do ano litúrgico, com a bela e expressiva parábola dos talentos. Esta linguagem do evangelho entrou no vocabulário da sabedoria dos povos e tornou-se gramática do nosso viver quotidiano. A ética social fez mesmo desta parábola do evangelho momento inspirador do viver humano ao lembrar-nos que “cada pessoa deve saber empregar bem os seus talentos”.

O evangelho convida-nos, todavia, a ver mais longe para lá da simples e correta utilização das qualidades humanas e da aceitação natural deste imperativo ético.

 

Um talento correspondia, no tempo de Jesus, ao salário de vários meses de trabalho. Mesmo aquele que recebeu um só talento tinha bem mais ao seu dispor do que aquilo que imaginamos. Enterrá-lo, com o pretexto de o não perder, não se atrevendo a tomar nenhuma iniciativa nem a assumir nenhum risco ou responsabilidade para daí tirar rendimento, é comportar-se como empregado tímido ou preguiçoso.

Os talentos distribuídos significam, por parte do seu proprietário, muita confiança naqueles a quem foram entregues.

Assim é Deus connosco. Ele acredita em nós. Entrega-nos os seus dons. Confia-nos os seus talentos. Dá-nos muito. Pede-nos a honestidade da guarda destes dons, a fidelidade aos compromissos que essa entrega transporta, a generosidade criativa de os fazer render.

Ao regressar ao encontro dos seus colaboradores, o proprietário dos talentos entregues ouve a informação dada sobre a administração feita. Este momento de encontro e de partilha realça mais a atitude do que o resultado, o investimento do que o medo, a abertura aos outros do que o encerrar-se sobre si mesmo, o uso responsável da inteligência, da vontade e da liberdade do que a obediência servil e passiva.

Aqui está a novidade da mensagem que Jesus nos quer transmitir, concluindo a parábola do evangelho com esta bela afirmação: “ Muito bem servo bom e fiel. Porque foste fiel em coisas pequenas, confiar-te-ei as grandes. Vem tomar parte na alegria do teu Senhor” (Mt 25, 14-21). Esta é, por isso, a parábola da “alegria do servo bom e fiel”.

 

2. É desta alegria que se trata hoje aqui nesta Igreja de Cedofeita. Ao celebramos 25 anos do início do trabalho pastoral do Centro de Reflexão e Encontro Universitário – Inácio de Loiola, o CREU, como nos habituamos a chamar, com carinho e dedicação, este Centro dos Jesuítas na nossa cidade do Porto, estamos a celebrar “a alegria dos servos bons e fiéis”.

Tal como na parábola do evangelho também no CREU, ao longo destes vinte e cinco anos, foram muitos os administradores dos talentos e foram imensos aqueles que os receberam e multiplicaram. No CREU foram muitos os talentos da fé repartidos em tantos momentos de formação e em tantas horas de oração; os talentos da confiança traduzidos na paz aí encontrada e na reconciliação aí celebrada; os talentos do tempo feito realização da missão com marcas na história; os talentos do amor que reforça as capacidades humanas e impulsiona voos de audácia apostólica; os talentos da vida feliz e cristã em tantas famílias; os talentos da vocação em vidas transformadas em missão ao serviço do evangelho.

Ao longo destes 25 anos, o CREU foi casa e escola de talentos. Casa e escola de talentos, pelo dom dos que aqui serviram e servem, pelo testemunho sacerdotal que sempre nos deram, pela fidelidade à missão que dos Superiores da Companhia de Jesus receberam, pelo carisma inaciano do seu Fundador que consigo transportam, por tantas experiências conseguidas e pela criatividade das iniciativas pastorais trazidas ao Porto, à Igreja Diocesana, à Cidade, à Academia, às gentes, às famílias e aos jovens da nossa Região.

Ao longo destes vinte e cinco anos, o CREU foi casa e escola da alegria do evangelho pelo valor inteiro da boa nova de Jesus trazida a cada pessoa. Esta alegria do evangelho encontrou no CREU terreno fecundo onde germinou, abertura alargada a muitos outros que aí acorreram, polo de irradiação que daí partiu em muitos horizontes. Esta alegria do evangelho alargou-se a novos átrios e abriu fronteiras para chegar a outras periferias da Cultura e da Sociedade.

Ao longo destes vinte e cinco anos, o CREU foi casa e escola de encontro com Jesus que nos chama a segui-lo. Foi ponto de encontro de cada um consigo mesmo, com os outros, com Deus. Sempre encontrei nos Centros Universitários e na especificidade da pedagogia do trabalho dos Jesuítas em Portugal esta permanente atenção à vocação e esta inabalável certeza de que Deus continua a chamar trabalhadores da messe e de que nunca faltarão jovens generosos para serem servidores da alegria do evangelho no nosso tempo.

 

3. Celebramos hoje com este mesmo espírito a conclusão da Semana dos Seminários em Portugal. A Igreja em Portugal acredita e trabalha para que os nossos Seminários sejam casa e escola, família e comunidade onde se preparam os “servidores da alegria do evangelho”. Este é o tema e o lema para esta Semana.

Incumbe-me, e faço-o com muita alegria, agradecer a Deus os Seminários da nossa Diocese do Porto, assim como os Centros de Formação das Congregações Religiosas sedeados na nossa Diocese. Quero afirmar a minha gratidão às Equipas Formadoras que, com tanta generosidade, dedicação e sentido de comunhão, servem a Igreja do Porto, nesta vanguarda da missão, que consiste em preparar e formar sacerdotes fiéis e generosos.

Saúdo todos os seminaristas e encorajo-os a prosseguirem o caminho da escuta da voz de Deus que os chama a serem servidores felizes desta alegria do evangelho.

Dou graças a Deus pelo carinho sentido e pela generosidade encontrada nas famílias e nas comunidades da nossa Diocese que, pela oração, afeto e generosidade, alicerçam e consolidam a vida e o trabalho dos nossos Seminários. Que Deus a todos recompense, abençoe e multiplique em dons de vida, de saúde e de bem!

Quero, nestes dias que são de oração mais intensa e de proximidade acrescida com os nossos Seminários, pedir a todos os diocesanos do Porto que façamos da vocação ao ministério presbiteral uma prioridade e um imperativo da missão.

O Papa Francisco, também ele sacerdote jesuíta, guardando esta fidelidade genuína e original ao carisma e aos ensinamentos de Santo Inácio, não se cansa de nos convidar a viver a alegria do evangelho. Na mensagem que, no domingo passado, enviou aos seminaristas de França, em peregrinação ao Santuário de Nossa Senhora de Lourdes, convidou-os a valorizarem a fraternidade, a oração e a missão como valores essenciais da vida dos futuros sacerdotes.

Confio ao desvelo materno de Maria, Mãe de Jesus e Mãe da Igreja, os nossos Seminários e quantos neles vivem e trabalham.

Imploro igualmente de Nossa Senhora a bênção e a proteção para o Centro de Reflexão e Encontro Universitário do Porto, agradecendo a Deus o bem aqui realizado ao longo destes vinte e cinco anos, certo de que ao celebrarmos a gratidão estamos a anunciar a esperança de tempos novos que hoje aqui nascem.

 

Porto, 16 de novembro de 2014

António, Bispo do Porto

 
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