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Homilia na Solenidade de Cristo Rei do Universo PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2014

1. A imagem pastoril que nos dá o evangelho de hoje ilustra, de forma acessível e eloquente, a mensagem que Jesus pretende transmitir aos discípulos de todos os tempos: a opção pelo futuro constrói-se no presente, a relação solidária vive-se em atitudes concretas, a glória do Pai brilha nos gestos de fraternidade, a atenção àqueles a quem a vida não sorriu por malvadez humana, manifesta o reconhecimento de quem se identifica com eles e por eles vela com a máxima consideração.

Mas, “quando foi que te vimos?” Perguntam aqueles que veem o seu agir solidário reconhecido e recompensado. Ver a Deus, reconhecê-lo e encontrá-lo é a grande aspiração do coração humano. E a resposta a esta pergunta essencial é surpreendente. Não deixa margens para dúvidas. Não tece considerandos desnecessários nem dá alternativas inúteis. Não supõe informação prévia nem faz exigências futuras. A mim atendestes quando atendestes os pobres que precisam de alimento, de abrigo, de vestuário, de presença fraterna, de amizade e de liberdade. Isto significa que a causa de deus se vincula definitivamente à causa dos seres humanos. ( cf. Mt 25, 31-46).

 

 

2. Celebramos, irmãos e irmãs, a solenidade litúrgica de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. Para entendermos este título que a liturgia atribui a Cristo precisamos de nos remeter para a tradição bíblica, que nos fala de Deus, rei-pastor. Isso mesmo nos recorda o profeta Ezequiel na primeira leitura e nos afirma o texto do evangelho de Mateus, agora proclamado.

Como um pastor solícito vela pelo seu rebanho, assim Deus vela com cuidado acrescido pelos mais simples e pelos mais pobres, pelos mais débeis e pelos mais frágeis, tantas vezes esmagados pelas asperezas do caminho e pelas vicissitudes da vida. A realeza de Jesus Cristo é traduzida na ternura sem limites e na misericórdia infinita de Deus que restaura a ordem destruída pelo pecado e faz triunfar o bem sobre o mal e a vida sobre a morte. Jesus Cristo é assim este Rei do Universo, querido por Deus.

 

A solidariedade com quem tem fome e sede, com os estrangeiros e com os sem abrigo, sem pão, sem teto e sem liberdade é o critério de cidadania deste Reino, uma cidadania de acolhimento e de serviço a que Jesus Cristo preside. Aqui se revela de forma eloquente a atitude de Jesus no modo como conviveu com os ricos e como atendeu os pobres. “Os pobres são a carne de Cristo”, diz-nos o Papa Francisco.

 

À luz desta realeza de Cristo não pode haver muitos rebanhos nem diferentes reinos. Só Jesus Cristo é pastor e único rei de todo o Universo. E a Igreja deve ser, no tempo, esta antecipação viva e vivida deste Reino novo que há-de vir na plenitude dos tempos, quando “Cristo entregar o reino a Deus, seu Pai…para que Deus seja tudo em todos”, como nos lembrava S. Paulo na primeira Carta aos Coríntios que aqui ouvimos proclamar. (1 Cor 15, 20-28).

 

Como Bom Pastor, Jesus Cristo tem em conta as necessidades e as situações de cada um. E presta uma atenção muito especial aos mais frágeis. Mas o Deus pastor, cheio de bondade e de misericórdia, é também, como o evangelho nos recorda e reafirma, Aquele que tem por missão e direito premiar os bons e dizer-lhes: “Vinde benditos de meu Pai; recebei como herança o reino que vos está preparado desde a criação do mundo” (Mt 25, 31-46).

 

3. A Igreja assumiu esta gramática linguística e esta proximidade com a realidade pastoril da tradição de Israel, vivida no tempo de Jesus, para encontrar na figura do pastor e na mensagem do evangelho os critérios inspiradores e o paradigma da sua missão.

 

A Igreja procura identificar-se no seu ser e no seu agir com a solicitude do pastor que vela e cuida do seu rebanho e quer incutir nos seus membros, concretamente nos ministros ordenados, este imperativo primeiro da bondade e do desvelo pelo rebanho, para que sejam pastores com coração bom ao jeito do coração de Jesus Cristo, o Bom Pastor.

 

Cumpre-nos, por isso, ao celebrarmos este domingo de Cristo Rei e Senhor do Universo, no termo de mais um ano litúrgico, fazermos nossos os sentimentos e os ensinamentos de Jesus.

 

Nos tempos difíceis em que vivemos, somos surpreendidos pelo sofrimento de tantos povos sem paz e sem liberdade, dolorosamente atingidos no direito de liberdade religiosa e de expressão da sua fé, concretamente da sua fé em Cristo. Tantos cristãos têm pago com a própria vida a afirmação crente do seu viver, como ontem aconteceu na África, no Quénia!

 

Nos tempos difíceis em que vivemos, somos confrontados com quem, dominado pela ambição sem escrúpulos, quer recuperar benefícios perdidos, esquecendo-se dos que não têm nada, dos que procuram trabalho e não encontram, dos que abertos ao dom da vida, querem educar os seus filhos com dignidade e não conseguem. Precisamos de cristãos que aprendam no evangelho os critérios da repartição solidária dos bens e sejam construtores de um “reino de verdade e de vida, reino de santidade e de graça. Reino de justiça, de amor e de paz”, como vamos rezar no Prefácio da Oração Eucarística de hoje.

 

4. Neste mesmo Prefácio rezamos assim: “Senhor, Pai santo, Deus eterno: Com o óleo da alegria consagraste sacerdote eterno e rei do Universo o vosso Filho Jesus Cristo, para que oferecendo-se no altar da cruz consumasse o mistério da redenção humana”.

 

É deste mistério da redenção humana que sois chamados a participar, caros irmãos, que ides receber hoje o ministério de leitor e de acólito em ordem ao diaconado permanente ou rumo ao presbiterado. Sede bem-vindos a esta Igreja Catedral, que vos acolhe com alegria, a vós que vos destinais ao serviço da nossa Diocese, e com igual alegria acolhe aqueles que se destinam a serem Missionários da Boa Nova.

 

Vós, que ides receber o ministério de Leitor, sois chamados a rezar, a meditar, a contemplar, a viver e a anunciar a Palavra de Deus, que proclamais na assembleia cristã. Deixai-vos moldar interiormente por esta Palavra para que ela transforme a vossa vida. A vossa vida cristã serena e feliz será também voz da Palavra de Deus que proclamais. Para muitos dos nossos contemporâneos a vida dos cristãos é o único evangelho que eles sabem e podem ler. Fazei da “alegria do evangelho a vossa missão” que dá rosto e voz ao ministério que hoje ides receber. Na Palavra proclamada dai a conhecer ao mundo as razões da vossa fé e trazei-nos diariamente as boas notícias de Deus.

 

Vós, que ides receber o ministério de Acólito, sois chamados a servir o altar de Deus com zelo e dedicação, fazendo da oração lugar de esperança para o mundo, centrando a vossa vida na Eucaristia e afirmando que Deus estabeleceu aliança entre os homens e levantou a sua tenda neste campo aberto do mundo e faz dos nossos templos sua casa para habitar no meio de nós.

 

Este passo que hoje dais aproxima-vos do ministério ordenado. Caminhai com alegria e vivei este tempo mais perto do Altar. Rezai por esta amada Igreja do Porto que hoje vos acolhe, vos abençoa e vos agradece a Jesus Cristo Rei e Senhor do Universo.

 

5. Confio-vos e consagro-vos a Nossa Senhora, Mãe de Deus e Mãe da Igreja. Que Ela vos abençoe, guie e proteja. E que a todos nos conduza para este Reino de Jesus Cristo, Seu Filho e Senhor do Universo. Ámen!

 

Porto, Igreja-Catedral, 23 de novembro de 2014

António, Bispo do Porto

 
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