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Homilia na reabertura da igreja dos Clérigos e dedicação do altar PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2014

Reconstruímos templos para reconstruirmos vidas

 

Pede-me o Senhor D. António Francisco dos Santos, Bispo do Porto, para presidir à Santa Missa da dedicação do novo altar desta igreja, tão felizmente renovada. Só a insistência do meu querido irmão e amigo me levou a aceitar tal convite e a presidência, que lhe caberia inteiramente. É por isso que o faço agora, não deixando de vos felicitar e muito, pelo grande bispo que a Providência divina vos concedeu, na pessoa, na inteligência e sensibilidade pastoral do Senhor D. António Francisco, que Deus conserve em alegria pascal e paz profunda.

Não o digo simplesmente por dizer, em circunstância como esta. Digo-o com a convicção que ganhei em muitos anos de conhecimento pessoal e observação do seu ministério, nas sucessivas missões que lhe foram cometidas e sempre desempenhou com fé, disponibilidade e acerto. Parabéns ao Porto, pelo bispo que tem. Obrigado, Senhor D. António Francisco, pela sua grande entrega à diocese e à Igreja em Portugal.

 

Também como irmão desta venerável Irmandade, que me orgulho muito de ser, agradeço vivamente ao seu atual juiz presidente e demais responsáveis, pela grande determinação com que levaram por diante o restauro da igreja e das suas dependências, oferecendo à cidade do Porto, com tanto esplendor, o mais reconhecido sinal da sua história religiosa e artística e o mais elevado padrão do olhar que tem de si, vertical e autêntica. Parabéns a todos, e muito especialmente ao caríssimo Padre Américo Aguiar, principal obreiro desta reconstrução, que hoje celebra o seu aniversário natalício!

 

É “dos clérigos”, a irmandade, como a igreja e a torre, e muito bem se chama assim, além doutros nomes que tem. Iniciativa louvável de apoio aos clérigos de antanho, não o será menos hoje, para os atuais servidores do povo de Deus, no modo oportuno que a Diocese requeira.

Mas este mesmo nome e o património aludem à realidade colegial do presbitério, indispensável hoje como ontem, para o anúncio credível do Evangelho de Cristo. Foi o próprio Jesus que uniu as duas coisas, fazendo da comunhão dos seus a maior razão da crença de todos. Assim pediu ao Pai, para os discípulos: «Não rogo só por eles, mas também por aqueles que hão de crer em mim, por meio da sua palavra, para que todos sejam um só, como Tu, Pai, estás em mim e Eu em ti; para que assim eles estejam em Nós e o mundo creia que Tu me enviaste…» (Jo 17, 20-21).

A feliz renovação desta Irmandade, no número e motivação dos seus membros, vai absolutamente nesse sentido e assim continuará decerto, para que a Irmandade dos Clérigos seja fator acrescido de amizade e entreajuda neste magnífico corpo pastoral da Diocese do Porto, a que eu próprio tive muita honra e proveito de pertencer por sete páscoas.

 

Comunhão do presbitério, para a comunhão da Igreja e a unidade do mundo. Se a cidade se revê na magnífica torre com que o grande Nasoni culminou a sua obra-prima, tal há de ser muito mais do que uma atração turística ou simples marco cultural. Sendo-o também, e muito justamente, o templo e a torre dão à cidade uma base envolvente que a reúne e a orientação vertical da sua vida, como deve ser. Como se fora aquela escada que Jacob divisou, da terra ao céu.

Começamos aqui, na forma ovalada do templo em que estamos, com um aconchego espacial que a decoração acalora. – Que sinal e instrumento, sacramento quase, da graça inclusiva que o amor de Deus infunde! Esse mesmo amor divino que nos inclui e eleva, como do templo à torre. Na verdade, só reunidos nos elevamos da terra ao céu, e só em comunhão crescemos, em elevação solidária.

Nem preciso de o afirmar por excesso, pois o verificaríamos por diferença. – Seria porventura a mesma, esta querida cidade, sem ter ao centro a igreja em que estamos, e no seu fulgor retomado? Não seria, com certeza. Como o não seriam tantos outros locais por esse mundo além, se a verdade e a beleza dos seus templos não surpreendessem a paisagem, interrompendo a linha comum dos espaços com o apelo plástico das casas de Deus para todos.

Por isso mesmo esta reconstrução importou e importa. Por isso também, encontrou apoios particulares e públicos, de quem reconhece a íntima ligação entre culto e cultura, pois o culto do Deus de todos redunda necessariamente na inclusão de cada um. No caso cristão, como aqui se oferece e rebrilha, inclusão e elevação caminham juntas, ressoando a palavra de Jesus: «Ninguém pode ir até ao Pai senão por mim» (Jo 14, 6). Por Jesus, em todos, subimos na filiação comum. Pois se cumpriu o que dissera e há pouco ouvimos: «Quando eu for erguido da terra, atrairei todos a mim».

 

De Cristo, finalmente, é sinal o altar que dedicamos. Di-lo a liturgia e disse-o ele de si, pois nele acedemos a Deus Pai, em oferta e ação de graças: «Por meio dele ofereçamos a Deus um sacrifício de louvor», escutámos também.

Na atenção às palavras e gestos rituais que agora seguem, captaremos melhor o significado inteiro do altar, do templo e da torre. Oferta a Deus na partilha de todos, num só altar como na cidade e na vida. Ciclicamente, o povo antigo levantou templos e dedicou altares, assinalando ser de Deus e para Deus, no comum destino de todos. Dedicação deles e nossa, no altar significada..

Destes sinais precisamos agora, como precisamos sempre. Reconstruímos templos para reconstruirmos vidas, na ligação essencial entre verdade, bondade e beleza, que em conjunto se manifestam e nos manifestam a nós, como havemos de ser. Reunidos e elevados, como tudo nos sugere aqui, também o seremos fora, para uma sociedade mais coesa na prática e subida em sentimentos.

Parabéns à cidade, obrigado à Irmandade e aos seus responsáveis. E mil graças a Deus, que pôs no coração dos homens tão bons propósitos e a coragem de os realizar. Pois aos obreiros desta reconstrução muito bem se aplica a palavra do Apóstolo: «É Deus quem, segundo o seu desígnio, opera em vós o querer e o agir» (Fl 2, 13)!

Graças verdadeiramente a Deus!

 

Porto, 12 de dezembro de 2014

+ Manuel Clemente, Patriarca de Lisboa

 
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