Faixa publicitária
Homilia da Eucaristia no Natal do Senhor PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2014

1. Este dia de Natal foi precedido pelo gesto familiar da Consoada partilhada nas nossas casas. Fiz minha casa a paróquia de Campanhã, na periferia da cidade, e senti-me em família com várias dezenas de pessoas “sós”. Aí iniciei esta celebração de Natal. Aí anunciei a alegria que o evangelho nos traz: “Nasceu-nos um Salvador, que é Cristo Senhor” (Lc 2, 11). Também as ceias familiares realizadas no aconchego das famílias, envolvidas pelo amor que as une e abençoa, anunciaram e anteciparam o Natal.

São muitos os preparativos, os gestos e os caminhos do Natal cristão como foram igualmente muito belos os itinerários da Caminhada de Advento-Natal, em que nos propusemos construir na nossa Diocese “uma casa para a alegria do evangelho”. Não faltaram testemunhas e mensageiros de Deus a iluminar com sabedoria, com trabalho, com carinho e com fé estes preparativos da Festa de Natal.

 

Saúdo com afeto, alegria e saudade as mães e os pais de família que fazem de suas casas verdadeiros presépios, cheios de ternura, onde Jesus nasce em cada dia do ano. Saúdo as pessoas, grupos, movimentos, instituições e serviços que não podem interromper o seu trabalho na noite nem parar no dia de Natal. Saúdo e agradeço a tantos voluntários presentes nos hospitais, nas prisões, nos lares de idosos e nas casas de acolhimento de crianças e jovens, que se desdobram em alegria e em dedicação para que haja Natal nos lugares mais difíceis, nos espaços vazios e nas vidas magoadas pela dor e pela solidão.

A celebração cristã do Natal e a missão da Igreja é, assim, através de gestos, de pessoas e de instituições anúncio de alegria, de paciência e de esperança, como nos pedia ontem na homilia da Eucaristia da meia-noite o Papa Francisco.

É este o Natal que, também nós, queremos celebrar, anunciar e viver, a partir do acontecimento de Belém de Judá e a partir do Altar da Eucaristia, onde o mistério da nossa redenção realizada em Jesus Cristo, se renova e se atualiza.

É igualmente missão e sonho do Natal cristão abrir a Deus as portas do mundo de hoje no contexto de uma sociedade felizmente livre e democrática onde Deus é cada vez mais necessário, embora o nome de Deus às vezes seja silenciado ou esquecido na vida dos povos e o lugar de Deus ignorado ou substituído no íntimo do coração humano e da cultura do nosso tempo.

 

2. A palavra bíblica agora proclamada ajuda-nos a cumprir esta missão e anuncia-nos o sentido e o rumo do serviço evangelizador que o mundo pede aos cristãos, deles tem direito a exigir e em cada um de nós espera encontrar. Pertence, por isso, à Igreja no seu todo, às comunidades cristãs e a cada um de nós descobrir esta vida nova que Jesus nos trouxe com o Natal.

 

São muitas as prioridades pastorais que a Igreja tem diante de si. Gostava de destacar, entre muitos outros, os horizontes de missão que referi na minha mensagem de Natal.

 

É urgente dar valor e visibilidade à Vida e à Família. Toda a vida humana é um dom e uma bênção de Deus e traz sempre em si um imenso mistério desde a sua origem até ao seu desígnio de missão. A vida é herdeira e construtora da nossa história humana, concretamente no nosso País, a braços com a diminuição da natalidade. É tempo do Estado, aos seus mais diversos níveis, promover uma saudável política da Família, onde o amor pela vida, o incentivo à natalidade, a liberdade de educação, o acesso pleno à saúde e os restantes direitos invioláveis das famílias sejam garantidos. Vivemos este Natal entre dois Sínodos sobre “os desafios pastorais da Família no contexto da evangelização”, que nos convidam a colocar a Família no centro da vida da sociedade e na prioridade da atenção da Igreja.

 

Pede-nos a Igreja e exige-nos o Evangelho que vivamos este Natal mais próximos dos pobres e mais atentos aos novos grupos de pobres, provenientes de setores sociais e profissionais impensáveis há algum tempo. Levemos aos pobres e aos que sofrem a nossa presença fraterna, a nossa proximidade solidária, o nosso pão partilhado e a alegria e ternura do evangelho que lhes anuncie tempos novos e antecipe um Mundo melhor, também para o nosso País. Nesse sentido, é necessário que a economia recupere e esteja assente e sustentada no esforço persistente de tantos empresários e trabalhadores honestos e dignos e não em interesses de lucro fácil e de enriquecimento hábil.

Procuremos, também, celebrar a alegria de tantos emigrantes que tiveram a oportunidade de se reunirem, neste Natal, em família e pensemos em todos os jovens cheios de talento e famílias plenas de sonhos, que vivem longe de Portugal, obrigados a uma emigração forçada porque não encontram aqui trabalho. Rezemos e trabalhemos sem desânimo a favor dos que estão exilados e refugiados em terras estranhas, sobretudo as crianças, vítimas inocentes de tantos conflitos e guerras sem sentido.

 

O Natal leva-nos a Belém, onde Jesus nasceu, e recorda-nos o belo testemunho e contributo profético do Papa Francisco para aproximar Israel e a Palestina, para quebrar barreiras entre muçulmanos e cristãos na Turquia, para clamar pela liberdade religiosa no Iraque em tantos países que a desrespeitam e para desfazer o embargo e o conflito de décadas entre a América e Cuba. A Humanidade só será uma família quando a dignidade humana for um valor sagrado intocável e a liberdade, o trabalho e a paz estiverem ao alcance de todos por igual.

 

3. A ternura de Deus impressa no rosto humano do Menino Deus testemunha-se e manifesta-se de forma exemplar na vida e na missão dos sacerdotes, diáconos, consagrados e leigos desta amada Igreja do Porto. O Natal convida-nos a todos crentes e pessoas de boa vontade, a abrir a Deus as portas do mundo, as portas da cidade, as portas das comunidades cristãs e as portas de todas as casas das famílias da nossa Diocese para receberem a alegria do evangelho que o Natal nos traz.

 

O Mundo precisa de sentir esta alegria, de ouvir esta voz, de abraçar esta esperança e de se deixar iluminar pela luz do nascimento do Filho de Deus. A Igreja do Porto vive esta paixão pela missão de comunicar a alegria do evangelho e de a partilhar em gestos solidários e fraternos junto dos que mais sofrem, indo ao encontro dos que não crem e de todos quantos aqui vivem ou dia a dia nos visitam, em tão grande número.

A nossa presença nesta Catedral inicia este tempo novo que em cada Natal começa na vida do mundo, na ação da Igreja, no ambiente  de cada família e no coração de cada pessoa.

Um santo e feliz Natal!

 

 

Porto, Igreja Catedral, 25 de dezembro de 2014

António Francisco, Bispo de Porto

 
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Quer receber as nossas novidades no seu e-mail? Subscreva a nossa Newsletter especificando o seu endereço de e-mail:

Missa da Peregrinação diocesana do Porto de 9 de Setembro 2017

Angelus TV

D. António Maria Bessa Taipa em entrevista à Voz Portucalense
2017-10-11 16:12:03
Powerpoint + PDF
2017-10-09 11:26:12
Recursos gráficos
2017-09-19 13:45:08
Formato ICS (Google, Outlook, iCal, ...)
2017-08-21 15:07:09
Faixa publicitária
Faixa publicitária


© Diocese do Porto, Todos os Direitos Reservados.