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Homilia na celebração do Dia da Voz Portucalense PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2014

1. Celebramos o IV domingo do Advento. Aproxima-se o Natal. Queremos, neste domingo, reunir a Família da Voz Portucalense (VP). Saúdo o seu dedicado Diretor, Padre Dr. Manuel Correia Fernandes e os Responsáveis da Fundação, que serve de suporte ao Jornal, à Livraria e à Editorial. Saúdo os jornalistas, colaboradores, correspondentes, divulgadores e leitores da Voz Portucalense.

A Voz Portucalense evoca, nesta celebração do dia da Família VP, o centenário do regresso do senhor D. António José de Sousa Barroso, nosso Bispo, à cidade e à diocese do Porto, depois de quatro anos de exílio, a que os tempos difíceis do início da República o obrigaram.

 

É de memória abençoada, por isso, este dia que se inscreve entre outros momentos jubilares, que me alegro de evocar. Celebramos, no passado dia 15 de setembro, 150 anos do Seminário Maior da Senhora da Conceição e a 19 de outubro 900 anos da restauração da Diocese e da construção do Cabido Portucalense. São datas jubilares a merecer a gratidão da Igreja Diocesana e a inspirar o caminho de renovação pastoral que devemos percorrer, e  a experiência de mobilização para a missão que queremos viver como Igreja Diocesana..

2. Em janeiro de 1970, a Voz Portucalense nasceu da vontade determinada de D. António Ferreira Gomes, nosso Bispo, em ordem a renovar o Jornal diocesano, que se chamava «Voz do Pastor». O senhor D. António estava consciente de que a Igreja do Porto nunca poderia deixar de ter o seu Semanário, para informação, diálogo, consciencialização e escola de formação cristã e maturidade eclesial de todos os seus membros. São de D. António Ferreira Gomes os princípios fundadores e as orientações programáticas, ainda hoje tão necessários e atuais: “Somos uma instituição: respondemos pelo nosso passado e assumimos a nossa herança. Mas o nosso domínio, como a nossa tarefa é o futuro. Queremos ser a voz autêntica da Igreja portucalense, a voz da Igreja pós-conciliar, uma Igreja sacramento do diálogo com o Mundo. Queremos ser tudo isto e só isto: a voz da Igreja do Porto, da sua tradição e do seu futuro(…) Seremos pois a Voz Portucalense”.

O primeiro Diretor da Voz Portucalense nas Linhas do Ideário, que fez seu primeiro Editorial, concretizava assim a vontade explícita do senhor D. António: VP é uma voz que se levanta no Porto mas essencialmente irrompe do íntimo do homem e do cristão; um jornal de inspiração cristã, aberto a todos os homens de boa vontade”

Vinha de 1921 a Voz do Pastor, fundada por D. António Barbosa Leão, nosso Bispo. Cinquenta anos depois, a Voz Portucalense aparece como uma bênção e uma novidade ousada da Igreja do Porto, assumindo a continuidade e a tradição da Voz do Pastor, como Semanário diocesano. Ao novo Jornal, D. António Ferreira Gomes impõe que mude de nome, adaptando-se, assim, à eclesiologia do Vaticano II, mas pede-lhe, sobretudo, então, que seja a voz da Igreja pós-conciliar, uma Igreja do diálogo, da fidelidade à verdade e do respeito pela caminhada de cada pessoa, família e comunidade.

Queremos, agora, quase cinco décadas depois e na proximidade da celebração do centenário do primeiro título, ser dignos da vontade de D. António Barbosa Leão ao criar um Semanário diocesano e ser fiéis aos princípios inspiradores que nos deu D. António Ferreira Gomes. Queremos igualmente ser agradecidos aos diversos diretores, chefes de redação, colaboradores e assinantes que deram, semana a semana, voz e vida, alma e rosto, mensagem e presença a este ousado projeto inovador no campo da missão da Igreja e dos meios de comunicação social em Portugal.

A Voz Portucalense angariou prestígio, mereceu respeito no contexto da comunicação social e ultrapassou as fronteiras da Diocese. Habituei-me a ler a Voz Portucalense desde o primeiro número, ainda eu era jovem estudante. Saibamos, agora, abrir-nos ao futuro, dando a conhecer a vida e a ação da Igreja do Porto e prosseguindo caminhos ao serviço da renovação pastoral da nossa Diocese e da mobilização para a missão, como nos pede o Papa Francisco.

Depende em muito da Comunicação Social da Igreja a motivação das pessoas, a formação dos cristãos e a mobilização das comunidades para a missão conjunta e coordenada de levar a alegria do evangelho a todas as Vigararias, Paróquias, Serviços Diocesanos e Movimentos apostólicos. Demos graças a Deus pelo bem que já se faz e peço a todos que, com gosto, profissionalismo, competência, dedicação e criatividade, façamos cada vez mais da nossa Voz Portucalense o Jornal que, desde 1921, os Bispos do Porto sonharam, a Igreja do Porto merece e o Mundo precisa.

3. Raras figuras da história religiosa dos séculos XIX e XX reuniram, como D. António José de Sousa Barroso, a admiração diante do seu dinamismo apostólico e da coragem da sua fé no contexto dos tempos frágeis do fim da Monarquia e dos desafios imensos colocados ao nosso País nos tempos conturbados do início da República.

A Voz Portucalense tem procurado esta proximidade com o senhor D. António Barroso, acompanhando também este caminho que vamos fazendo no sentido de manter vivo o interesse e intensificada a oração em prol da sua beatificação e canonização, cujo processo foi iniciado em 1992.

D. António Barroso nasceu a 5 de novembro de 1854, em Remelhe, Barcelos. Depois de frequentar o Colégio das Missões Ultramarinas de Cernache de Bonjardim foi ordenado presbítero a 7 de junho de 1879 e em 1880 é enviado como missionário para Angola. Em Angola inicia, em 28 de dezembro desse ano, o múnus pastoral, como Superior da Missão do Congo. Aí realiza um incansável trabalho missionário, até que, em 12 de fevereiro de 1891, é nomeado Bispo Prelado de Moçambique. Seis anos depois, a 2 de agosto de 1897 é transferido para a sede episcopal de Meliapor, como Bispo diocesano, continuando um intenso trabalho de evangelização, agora no extremo Oriente.

Em 21 de fevereiro de 1899, o mesmo dia em que, por coincidência, fui, 115 anos depois, nomeado Bispo do Porto, o senhor D. António Barroso foi transferido de Bispo de Meliapor para a sede do Porto. Aqui recomeça a sua inesquecível ação pastoral, percorrendo a Diocese em visitas pastorais, cujos relatos da época nos revelam uma bondade profética e uma proximidade evangelizadora impressionante.

A coragem manifestada frente às atitudes irresponsáveis do Governo da República face à Igreja e a sua decisão ao determinar que fosse lida em todas as paróquias da Diocese a Carta do Episcopado português levaram-no ao exílio, para onde parte a 7 de março de 2011. Depois de vários processos de intenção e de julgamentos que inclusivamente o levaram à prisão, D. António Barroso, regressa do exílio que viveu na sua aldeia natal, em Remelhe, Barcelos, a 3 de abril de 1914, para retomar o seu múnus de Bispo do Porto, no dia seguinte, em celebração festiva nesta Sé.

Demos graças a Deus por este nosso Bispo, que serviu a Igreja do Porto e a Igreja Universal, em tantas e delicadas frentes de missão. Rezemos para que de Deus possamos merecer a sua beatificação e canonização. Tudo procurarei fazer nesse sentido!

4. Ao iniciarmos esta quarta semana do Advento, na proximidade do Natal, convido-vos, no âmbito do espírito do Advento e inspirados na Palavra de Deus a vivermos a Caminhada de Advento-Natal, que a nossa Diocese nos apresenta para este tempo, procurando construir uma “Casa para alegria do evangelho”, decididos que estamos, como Igreja Diocesana, a fazer da “alegria do evangelho a nossa missão”.

A figura que queremos colocar no presépio nesta semana é Maria. Ela concebeu e deu à luz um Filho, a quem deu o nome de Jesus, como nos lembra o Evangelho. À saudação do Anjo que lhe anuncia que Ela vai ser Mãe de Deus, Maria responde: “ Eis a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua Palavra” ( Luc 1, 26-38).

Recordemos, também, para vivermos como atitudes nossas na família e na comunidade as palavras do Papa Francisco: “Aquilo que descobriste, o que te ajuda a viver e te dá esperança, isso é o que deves comunicar aos outros” (E G 121). Fazemo-lo com particular alegria, acrescido encanto e renovada paixão pela missão neste tempo de Advento-Natal.

5. Desde já e para todos, um santo e abençoado Natal!

Porto, Igreja Catedral, 21 de dezembro de 2014

António Francisco , Bispo do Porto

 
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