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Homilia da Missa Crismal PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2015

Sacerdotes do Senhor e ministros do nosso Deus

1.Aproxima-se a celebração da Páscoa. A Missa crismal, celebrada na manhã de quinta-feira santa, no limiar do Tríduo Pascal, afirma a nossa unidade e exprime a nossa comunhão como “sacerdotes do Senhor e ministros do nosso Deus” (Is.61,8).

Na consagração do óleo do Crisma e na bênção do óleo dos Catecúmenos e dos Enfermos sentimos que também nós, ungidos do Senhor, somos por Ele consagrados e enviados “a anunciar a Boa Nova aos pobres e a proclamar um ano de graça por parte do Senhor” (Is. 61, 3).

Saúdo-vos, irmãos sacerdotes, com as palavras com que S. Paulo iniciava as cartas dirigidas a Timóteo, seu discípulo fidelíssimo e colaborador inexcedível nas lides do evangelho: “a graça, a alegria e a paz que nos vêm de Deus por Cristo Jesus estejam contigo” (1Tim 1, 2 e 2Tim 1, 1).

Alargo este sentimento fraterno às vossas famílias e às comunidades de quem cuidais com zelo, bondade e dedicação. Voltemos o olhar para Deus e a partir dele para as raízes da vida, da vocação e da consagração. Aí se sustentam as razões da nossa fidelidade, o horizonte da nossa missão e a fortaleza da nossa comunhão.

 

Nascidos do amor misericordioso de Deus

2.Regressamos, hoje, ao cenáculo, lugar originário no qual Cristo instituiu o sacerdócio da nova aliança e lugar fundador do nosso ministério, recebido como dom gratuito de Deus e como mistério que fascina, que une e que envia em missão.

O mundo olha-nos com alguma surpresa, a estranha surpresa sentida diante de quem se consagra por inteiro a Deus e é testemunha humilde e obediente deste mistério da graça divina.

Mas o mundo olha-nos igualmente com imensa alegria e espontânea gratidão quando nos sente modelados pela oração, pela consagração a Deus e pelo amor da Igreja.

É este mesmo mundo que nos procura para encontrar sinais de orientação, de sentido para a vida e modelos de serviço generoso aos pobres e aos que sofrem. Mas a eficácia da resposta que de nós espera o mundo não está em nós, está em Cristo, do mesmo modo que em Cristo reside o segredo da nossa vocação, a âncora da nossa fidelidade, e a beleza da nossa identidade como presbitério.

Nascemos, como sacerdotes, do amor misericordioso de Deus e somos chamados por Cristo a multiplicar este amor em cada gesto, em cada palavra, em cada passo dado, em cada sacramento celebrado, em cada obra construída, em cada prece rezada, no trabalho e no descanso. Se perdêssemos esta consciência do amor misericordioso de Deus que nos habita e do chamamento que recebemos de Cristo, tornar-se-iam sem sentido a nossa vida e sem razão de ser o nosso ministério.

A alegria do evangelho é a nossa missão

3. Neste dia tão significativo para todo o presbitério diocesano, convido-vos, irmãos sacerdotes, a renovardes connosco, vossos bispos e irmãos, as promessas feitas no dia da nossa ordenação, e dou graças a Deus pela Igreja e pelo presbitério que somos, no Porto. Rezai por nós, vossos bispos, e abençoai-nos!

Os caminhos já andados, os momentos de encontro, de diálogo e de partilha já vividos nas mais diversas instâncias de corresponsabilidade, a disponibilidade encontrada para a missão, o peso da responsabilidade irmãmente repartido e as iniciativas pastorais concretizadas são razões abundantes deste hino de louvor a Deus, convosco e por vós.

Fizemos, desde o início do ano pastoral, da “alegria do evangelho a nossa missão”, inspirados no exemplo e na palavra do Papa Francisco, que nos pede um “desejo profundo de progredir no caminho do evangelho”(EG 151), conscientes de que “precisamos de um dinamismo missionário que leve sal  e luz ao mundo” (E G 83) e seja “resposta alegre ao amor de Deus que nos convoca para a missão” (EG 81).

A alegria do nosso presbitério manifesta-se com particular encanto ao saudarmos os três novos presbíteros ordenados, Padre Cláudio Silva, Padre Paulo Godinho, Padre Vítor Pacheco e ao felicitarmos os sacerdotes em jubileu de vinte e cinco anos, Padre Fernando Silvestre Rosas e Padre José da Rocha Ramos, e em jubileu de cinquenta anos de ordenação presbiteral, Padre Adriano Leite Gomes, Padre Américo de Sá Rebelo, Padre António Augusto Borges de Pinho Alves, Padre António Maria de Sousa Moreira da Silva, Padre António Orlando Ramos dos Santos, Cónego Arnaldo Cardoso de Pinho, Padre Joaquim de Jesus Ferreira da Cunha, Padre Joaquim de Sousa Ribeiro, Padre josé da Fonseca Lemos.

Unimo-nos, igualmente, em oração insistente e em solicitude fraterna aos sacerdotes doentes e aos que vivem momentos de provação e de sofrimento, sem esquecer as pessoas que dedicadamente deles cuidam, as famílias em que se acolhem ou as instituições que os recebem.

É pensando neles e em todos nós, que desejo olhar com particular sentido de presença e de proximidade a nossa Casa Sacerdotal, onde ontem celebrei, antecipando de certo modo com os sacerdotes, aí residentes, esta Missa Crismal. Quero dar passos novos para sublinhar o valor da minha missão de aproximar instituições e pessoas para servir, com acrescido carinho humano e permanente cuidado pastoral, os sacerdotes idosos e doentes e as pessoas que dedicadamente os acompanharam durante a vida. A Casa Sacerdotal deve ser um verdadeiro santuário de gratidão aos sacerdotes e um lugar exemplar de amor fraterno para o presbitério diocesano.

Foram vários os sacerdotes que o Senhor chamou a si ao longo deste ano e que aqui lembramos em oração e gratidão: Padre Joaquim Carneiro Dias, Padre António carvalho de Oliveira, Padre Manuel dos Santos Silva, Cónego Raimundo António de Castro Meireles Machado, Padre Fernando Vitorino Pinto Teixeira Dias, Padre acácio Ribeiro de Freitas, Padre António de Almeida Garrido, Padre António José Pacheco Gonçalves, Padre António Alves Roriz, Padre José Maria de Sousa Barbosa. Só Deus conhece a falta que eles nos fazem, como irmãos nossos que partiram e trabalhadores incansáveis que foram desta messe tão vasta! Na bem-aventurança dos eleitos não nos faltarão com a sua bênção.

Associamo-los à memória sagrada dos bispos, sacerdotes e diáconos da nossa diocese, cuja recordação celebraremos todos os anos, com particular relevo no dia 29 de setembro, data da morte do senhor D. Armindo Lopes Coelho.

Lembro, com afeto e dedicação, caríssimos sacerdotes, os pais, as mães e familiares vossos que já partiram rumo à bem-aventurança e rezo por quantos se encontram doentes. Os nossos pais e as nossas mães são o solo sagrado da nossa vida, da nossa entrega e da nossa fidelidade e parte integrante da família de todos nós. Levai a cada um a minha saudação de afeto e de gratidão.

Desafios para crescer e confiar, de olhar voltado para o futuro

4.É a partir do terreno, sempre fecundo da oração confiante, da comunhão fraterna e da gratidão permanente do presbitério diocesano, que o nosso olhar se volta para o futuro que nos dará, espero em Deus, em cada ano que se aproxima, novos sacerdotes.

Penso em vós, caríssimos diáconos rumo ao presbiterado, seminaristas e jovens em Pré-Seminário, que participais também connosco, nesta Missa Crismal, para que a mensagem desta hora e a beleza desta liturgia vos ajudem a ouvir a voz do Senhor, que vos chama a fazer parte deste presbitério. Ao pensar nos nossos Seminários e ao rezar diariamente por eles, sei que eles são um dom e uma bênção para a nossa diocese e para a Igreja.

Todos sabemos que Cristo continua a chamar discípulos a tempo inteiro e de coração livre e pleno, para viverem o ministério presbiteral, na simplicidade e na alegria, na disponibilidade e na consagração, que hoje aqui experimentamos. Que o exemplo de vocação, de fidelidade e de santidade de quem vive a alegria de ser padre se faça estímulo, incentivo e alento para quem agora inicia o caminho, atraído pelo desígnio dessa mesma missão.

Das comunidades cristãs da nossa diocese, das comunidades religiosas, dos diáconos, dos consagrados e dos leigos espero o testemunho de comunhão fraterna com os presbíteros e de oração intensa pelas vocações, na certeza de que nos campos espiritualmente trabalhados hão-de florescer as vocações.

A primazia da graça e a marca do amor de Deus

5. Vamos regressar, caríssimos sacerdotes, depois desta celebração ao mundo da nossa missão e ao chão sagrado do nosso trabalho, dando primazia à graça divina e levando em nós a marca do amor misericordioso de Deus, que somos chamados a repartir e a multiplicar.

Acompanha-nos nesta proximidade com Jesus e neste regresso à missão, a Mãe de Deus, a nossa Mãe!

No nascer de cada manhã do nosso ministério consagremo-nos e confiemo-nos a Deus com as palavras da Mãe de Jesus: “Eis-me aqui, Senhor”(Luc 1, 38).

No reclinar de cada tarde imploremos-lhe bênção e proteção, com o belo cântico do Magnificat: “A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus o meu salvador.” (Luc 1, 46-56).

 

Porto, Sé Catedral, 2 de abril de 2015

António, Bispo do Porto

 
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