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Homilia na Festa do Senhor de Matosinhos PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2015

1.A solene celebração litúrgica, que aqui nos reúne, coloca-nos diante do acontecimento central da história da salvação da humanidade: a paixão, morte e ressurreição de Jesus.

Deparamo-nos, ao olhar para a cruz de Jesus, com o Messias sofredor que renuncia aos triunfalismos fáceis e imediatos, que uma presumida realeza humana significaria e que a vontade dos mais próximos esperava.

Jesus, o Messias, rei esperado pela multidão, é agora, o servo acusado e humilhado, o justo traído e negado e o inocente condenado e abandonado.

 

É a partir da paixão e da morte de Jesus Cristo, Filho de Deus, que se iluminam os acontecimentos da história da salvação, se compreendem os sofrimentos das vítimas inocentes ao longo do tempo e se percebem as tribulações da Humanidade.

 

A palavra de Deus, hoje proclamada, ajuda-nos a ler o mistério da nossa salvação e a fazer dele luz que brilhe no horizonte dos acontecimentos de cada tempo. Prefigurado na serpente que Moisés ergueu no deserto para sinalizar ao Povo de Israel a libertação do mal, Jesus será elevado na cruz “para que todo aquele que acredita, tenha n’Ele a vida eterna (cf. Jo 3, 13-17).

Na paixão do Senhor concentraram-se todos os desvios da humanidade: a traição de um discípulo e amigo que o entrega a troco de dinheiro; a dispersão assustada dos discípulos que fogem e o abandonam; a pressão e a revolta da multidão amotinada; a crueldade e a tortura na execução da pena; a falta de respeito pela dignidade do condenado.

 

São tantos, infelizmente, também hoje, os dramas pessoais que nos entristecem e os pecados sociais que nos magoam e são tão numerosas e aviltantes as fraquezas que fazem parte da sociedade que queremos transformar!

 

Se, porém, envolvermos num mesmo olhar Jesus, o servo sofredor, e os irmãos que sofrem, teremos aberta a porta do nosso coração à luz da Páscoa, anunciaremos a morte do Senhor e proclamaremos a sua ressurreição.

A luta entre o mal e a Humanidade trava-se na cruz. Quem sai vencedora é a Humanidade que, redimida na cruz de Cristo, volta a deixar-se atrair por Deus. A cruz é lugar de salvação, porque ali se decidiu o nosso destino e aí nasce a nossa salvação.

 

2. Contemplemos e adoremos a cruz do Senhor. Ela é, na Liturgia da Igreja, um sinal do mistério redentor da paixão, da morte e da ressurreição de Cristo.

A luz da Páscoa, que daí irradia, brilha já, na adoração daquela cruz silenciosa, em que tudo foi consumado e ilumina a vida de tantas pessoas que se oferecem para aliviar o sofrimento dos irmãos mais frágeis, inocentes e sacrificados do nosso tempo.

 

Ajoelhemos, igualmente, diante de tantos irmãos e irmãs para quem a cruz da doença, do medo, da solidão, do desânimo ou da provação é hoje mais pesada. Pensemos sobretudo naqueles a quem faltam cireneus com olhar de irmãos que com eles transportem a cruz.

 

A festa do Senhor de Matosinhos diz-nos, pela longa tradição do tempo e pela fé de tantos peregrinos que aqui acorrem, que caminhos de dor não foram apenas os do calvário de Jesus mas são também os caminhos de calvários humanos que tantos irmãos nossos hoje percorrem.

De olhar voltado para Jesus, suspenso na cruz, e sustentados no exemplo firme da sua Mãe, também nós rezamos, como crianças que estendem os braços para a sua mãe:

Faz-nos entrar, Senhor, no caminho da Cruz e da Páscoa

Que passa pelas dores de quem sofre e pelas atitudes de quem faz sofrer

Só pela Cruz e pela Páscoa se superam os limites e se vencem os pecados.

 

Fortalece, Senhor, os que vivem momentos de Cruz e acreditam na vitória da Páscoa,

Os que defendem a vida e clamam por justiça

Os que promovem a paz e repartem a misericórdia.

 

3. O Papa Francisco escolheu o segundo aniversário da sua eleição, a 13 de março deste ano, para anunciar o Ano Santo da Misericórdia, a iniciar no próximo dia 8 de dezembro na solenidade da Imaculada Conceição e a terminar na solenidade de Cristo Rei, a 20 de novembro de 2016.

 

Em comunhão fraterna com o Papa Francisco, escolhi este dia, este lugar e esta celebração, igualmente, para anunciar e convocar a nossa Diocese para este mesmo Jubileu da Misericórdia. É de olhar voltado para o Bom Jesus de Matosinhos que desejo convidar esta amada Igreja do Porto a contemplar o mistério da misericórdia divina: “Jesus Cristo é o rosto da misericórdia do Pai” (Bula Misericordiae vultus,1).

 

Somos chamados, a partir de hoje, a fixar mais atentamente o olhar do nosso coração na misericórdia divina, que a imagem do Bom Jesus de Matosinhos espelha de forma densa e bela. “A Igreja tem por missão revelar e anunciar a misericórdia de Deus, coração pulsante da alegria do evangelho, para a fazer chegar ao coração e à mente de cada pessoa” (cf. idem 12).

 

Estamos a preparar o nosso Plano de Pastoral Diocesano para abrirmos, em chave de misericórdia, novos caminhos de anúncio da alegria do evangelho em todos os lugares da Diocese. Desejamos oferecer, de coração livre e sereno, muito concretamente pelo sacramento da reconciliação, a misericórdia divina. Queremos repartir e multiplicar, pela vivência das obras de misericórdia no mundo, esta misericórdia assim abundantemente recebida de Deus. Propomo-nos ser, de alma generosa e missionária, uma Igreja de portas abertas a todos quantos procuram Deus ou d’Ele se sentem distantes.

 

Que o amor de Deus e o perdão humano possam chegar a todos e que a nossa chamada para experimentar e repartir a misericórdia divina não deixe ninguém indiferente!

 

Convoco-vos, irmãos e irmãs, para este abençoado Jubileu da Misericórdia. Convido-vos a abrir os olhos do coração para sentir a ternura de Deus, para compreender as misérias do mundo e para cuidar das feridas gravadas na carne de todos os que sofrem.

 

Sejamos verdadeiros adoradores da Cruz do Senhor, indispensáveis cireneus da Humanidade e necessários profetas da alegria do evangelho!

Este é o tempo de deixar tocar o coração e transformar a vida pela misericórdia divina. Rezo ao Bom Jesus, Senhor de Matosinhos, que não se canse de nos olhar com misericórdia, de nos tocar a vida com o seu perdão, de nos mudar o coração com o seu amor e que a Igreja “nunca se canse de oferecer misericórdia e seja sempre paciente a confortar e a perdoar” (idem 25).

 

Matosinhos, Igreja matriz, 26 de maio de 2015

António Francisco, Bispo do Porto

 
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