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Homilia na Solenidade da Santíssima Trindade PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2015

1. Celebramos a solenidade litúrgica da Santíssima Trindade, oito dias depois do Pentecostes, unindo, assim, numa só evocação, o mistério de Deus uno e trino, que afirma o amor criador do Pai, nos mostra o caminho redentor do Filho e nos revela a ação santificadora do Espírito.

 

Reunimo-nos nesta Igreja, implantada no coração da cidade, que vai buscar ao mistério que celebramos o seu nome e a sua designação. Este templo cristão é, também, a referência maior da Instituição da Igreja do Porto, que hoje aqui nos acolhe, a Celestial Ordem Terceira da Santíssima Trindade.

 

A partir daqui e de olhos voltados para a cidade, que Deus me chamou a servir, quero inspirar-me na atitude dos Apóstolos que encontraram Jesus ao chegar à Galileia, ao monte que lhes tinha indicado. Ao verem Jesus “adoraram-no” ( cf. Mt 28, 16-20).

 

 

A festa da Santíssima Trindade é a festa da humanidade que reconhece a matriz original donde “procede” a Igreja de Jesus e a missão dos seus discípulos. E a primeira missão dos discípulos de Jesus consiste em adorar, tornar presente e anunciar o Senhor, nosso Deus.

 

2. A sociedade, hoje, procura e aguarda esta presença de Deus, por entre alegrias e sonhos, projetos e dificuldades. Importa, por isso, que na cidade dos homens se aplanem caminhos que nos conduzam a Deus. Há muitos sinais visíveis da presença e exemplares testemunhos sentidos do passo de Deus na história do Porto e na vida dos portuenses.

 

Descobrimos com encanto o dom da natureza que nos envolve desde o rio ao mar, desde a foz do Douro às terras que se desdobram pelas cidades, vilas e aldeias que nos rodeiam. Daqui partem e se ampliam os caminhos que nos conduzem a todos os recantos da diocese. Em todos os lugares descobrirmos a riqueza incomparável da natureza e o dom maravilhoso das pessoas, sinais da presença e protagonistas das bênçãos de Deus.

 

A generosidade divina espelha-se no testemunho de fé, na entrega de vida e na generosidade do trabalho dos nossos antepassados. Temos connosco, presentes na oração e unidos na fé, dois milhões de rostos humanos de irmãos nossos. A nossa história, a nossa vida e o nosso trabalho são fruto da ação do Espírito de Deus no coração do nosso Povo. O nosso futuro tem de ser igualmente inspirado pelo mesmo Espírito Santo, que é alma da Igreja.

 

Esta é, por isso, também, a hora de uma gratidão incontida por tantos dons recebidos que nos permitem ver a presença de Deus nos trajetos da nossa cidade e nos traços da alma das suas gentes. Celebrar esta festa é, por isso, momento abençoado para viver o encontro pleno entre Deus e a cidade.

Estou consciente que, hoje, muita gente procura encontrar Deus em momentos, os mais diversos, e por caminhos, às vezes os mais estranhos. Esta procura de Deus assume tantas vezes a forma de grito lancinante de povos em dor e de pessoas em sofrimento.

São muitos os rostos com que cruzamos, em cada dia e em cada passo dado nas ruas da nossa cidade, que nos pedem que lhes mostremos Deus. Estão no meio de nós e fazem parte do povo que somos e a quem Deus diariamente nos envia. São pessoas com rostos de crianças, de jovens, de idosos, de famílias inteiras abençoadas e felizes. Mas são também rostos desfigurados de gente sem família, sem pão, sem alegria e sem experiência de bênçãos recebidas. Também eles são nossos concidadãos e nossos irmãos! Foi para estes, primeiramente, que nasceu a Ordem da Santíssima Trindade.

 

E a nossa cidade é feita, também, de estrangeiros que nos visitam e que nós recebemos com aumentada alegria. Eles procuram Deus na beleza da paisagem, na monumentalidade dos nossos edifícios, no acolhimento que lhes damos e no testemunho de fé que lhes oferecemos.

 

3. Como poderemos nós mostrar Deus se não formos primeiro contemplativos do seu rosto, testemunhas da sua bondade e multiplicadores da sua misericórdia?

 

Proponho-vos, por isso, que nos detenhamos, por alguns momentos, em cada dia, a contemplar e a adorar o mistério da Santíssima Trindade. Só pela adoração de Deus e pela contemplação do mistério do seu amor encarnado em Cristo e continuado pela ação do Espírito Santo na Igreja tornaremos possível a proximidade com os irmãos, venceremos as distâncias que deles nos separam e encontraremos forças para nos determos no caminho, sempre que é necessário cuidar dos mais frágeis.

 

Professemos “a nossa fé na verdadeira divindade ao adorarmos as três Pessoas distintas, a sua essência única e a sua igual majestade” (Prefácio deste dia).

 

Adorar é olhar com confiança para Deus que nos dá a vida, a paz, a reconciliação e a misericórdia. Adorar é descobrir o conforto da presença de Deus, o dom da sua ternura, a dádiva do seu amor: “adoramos com todo o nosso coração Aquele que nos amou primeiro” ( 1 Jo 4, 10).

 

Adorar é construir a unidade entre Deus, a humanidade e a natureza, ao jeito de S. Francisco de Assis, que cantava a glória de Deus a partir do cântico das criaturas e dos hinos do louvor humano.

 

Cumpre-nos unir neste louvor e nesta adoração a Deus, o amor à nossa terra, por Ele criada, a alegria de aqui viver e o sentido da missão que Deus nos confia. Louvamos e adoramos a Deus, de quem recebemos a vida, em Quem encontramos a salvação e que nos fortalece e santifica com os dons necessários para o caminho. A cidade faz-nos vizinhos e concidadãos. Só Deus nos faz irmãos.

 

Adorar foi sempre caminho percorrido e ato diariamente renovado pela Igreja, ao longo da sua história. “Ide e ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito”, disse Jesus aos apóstolos (Mt 28, 16-20). Que seja, hoje e aqui, esta a bela missão dos discípulos missionários de Jesus, que todos somos, e o caminho oferecido pela Igreja do Porto a todos que nos procuram e a todos aqueles a quem somos enviados a anunciar “a alegria do evangelho”.

 

Porto, Igreja da Trindade, 31 de maio de 2015

António Francisco, Bispo do Porto

 
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