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Homilia no Dia Diocesano da Família PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2015

1.Reúne-nos neste domingo da Santíssima Trindade o desejo de celebrar a Eucaristia, com o olhar da fé voltado para Deus e com o olhar do coração voltado para as famílias. Viemos de todas as 22 vigararias da nossa Diocese para responder ao convite: “Abri a vossa Família à Alegria do Evangelho”.

 

Saúdo com alegria as famílias que, neste 14.º Dia Diocesano da Família, aqui acorreram e agora renovam, diante de Deus e em Igreja, o seu projeto de vida, o seu compromisso de amor, o seu testemunho de fidelidade e o seu caminho de felicidade, ao celebrar 10, 25, 50 ou 60 anos de matrimónio.

 

Esta festa não é apenas uma festa de 1.300 casais, que hoje aqui se reúnem em jubileu. Esta, é a festa de todos os membros da família de cada um destes casais. Esta, é a festa de todas as famílias da nossa Diocese que, ao recordarem o seu matrimónio querem dar graças a Deus pelo amor, pela fidelidade, pela alegria e pela fecundidade do sacramento recebido.

 

 

Cada sacramento celebrado e abençoado “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” afirma “a nossa fé na verdadeira divindade, ao mesmo tempo que adoramos as três pessoas distintas, a sua essência única e a sua igual majestade” (do Prefácio da Eucaristia).

 

O texto da primeira leitura, do Livro do Deuteronómio, recolhe e recorda a experiência do povo bíblico que sentiu a presença do Senhor no seu meio e no desenrolar da sua história. Esta presença de Deus revelou ao povo de Israel a Sua «mão forte» e o Seu «braço poderoso», em ordem ao bem de cada um.

 

A palavra de Deus é, em cada uma das vossas casas, queridas famílias, palavra acolhida, contemplada, rezada, vivida e testemunhada. Deus realiza diariamente, diante dos vossos olhos, prodígios e maravilhas no meio de provas, de dores e de canseiras. São para todos nós, mas concretamente para vós, queridas famílias, estas palavras da primeira leitura: “considera hoje e medita em teu coração que o Senhor é o único Deus, no alto dos céus e cá em baixo na terra. Cumprirás as suas leis e os seus mandamentos para seres feliz, tu e os teus filhos, depois de ti, e terás longa vida na terra que o Senhor teu Deus te vai dar para sempre.” ( Dt 4, 32-40).

 

2. Abri o vosso coração, o coração das vossas famílias e tocai de perto a alegria desta presença do Deus único, uno e trino, na vossa vida de família. O coração da família tem tantas portas a abrir, para que aí se sinta o pulsar do coração de Deus na vida dos esposos, dos pais, dos filhos, dos irmãos, dos avós e dos netos.

 

O testemunho das famílias cristãs é uma das melhores e maiores portas para abrir o coração da Igreja do Porto, convocada para anunciar a doce e reconfortante alegria de evangelizar e para fazer hoje e sempre “da alegria do Evangelho a nossa missão”.

Procurai com o vosso testemunho de vida e com a vossa disponibilidade para a missão, abrir o coração da sociedade, para que se respeite sempre na nossa terra o valor sagrado da família e o dom inviolável da vida, desde a conceção até à morte.

 

 

3. Abrir a família à alegria do evangelho significa voltar o olhar das famílias  para Deus, como sempre fazem os filhos quando se voltam na direção da sua casa e dizem sem medo da distância, confiantes na bondade do pai e na ternura da mãe: “ Levantar-me-ei e irei para meu pai” (Luc 15, 18 ).

 

Abrir a família à alegria do evangelho implica aprender a olhar a família com o olhar de Deus. O olhar de Deus amplia o horizonte do nosso olhar e permite ver mais longe, ajuda a ver melhor e faz ver mais claro.

 

Abrir a família à alegria do evangelho consiste em descobrir o melhor de cada membro, encontrar a dignidade intacta de cada um, reavivar a chama da esperança que habita os nossos lares e reacender, a partir da família, a luz de novos dias para a Humanidade.

 

4. Convido-vos, queridas famílias, ao celebrardes 10, 25, 50 e 60 anos do vosso matrimónio, a regressardes, em pensamento e em missão, à vossa casa e, neste regresso a casa, sentai-vos à mesa de família, dai graças a Deus, abeirai-vos do berço dos vossos filhos e netos e escutai a voz do tempo que vos diz quanto Deus realizou em vós.

 

Recordai e refazei serenamente, em diálogo de família, este belo caminho que percorrestes e redescobrireis tantos sinais da presença de Deus e a força do seu amor que tudo vence e tudo transforma. Encontrareis em vós, através da memória do tempo que passou, essa reserva espiritual que sempre vos habitou, esse suplemento de alma que continuamente vos animou no caminho e essa bênção divina que, em permanência, vos fortaleceu nas horas mais difíceis.

 

Reavivai, também, neste encontro com a família que sois e com a casa que edificais, os valores sagrados da humilde casa de Nazaré, a casa de Maria, de Jesus e de José.

 

Casa de família, a exemplo da casa de Nazaré, é bálsamo de unção onde se curam tantas feridas, que pela vida os caminhos ásperos nos vão fazendo! Casa de família é átrio do Cenáculo, onde Jesus nos serve, no lava-pés, e nos antecipa em promessa a certeza das bem-aventuranças!

 

Casa de família, de portas abertas à alegria do evangelho, é santuário onde se escuta a Palavra de Deus, se reza em comum e se partilha o banquete do pão repartido e da Eucaristia celebrada. Parabéns, queridas famílias! Que Deus vos prolongue a vida, vos conceda saúde e vos dê a sua bênção!

 

As famílias precisam de ter no seu seio corações tocados pela ternura de Deus, capazes de gestos de perdão e decididos a viver a ousadia da misericórdia para que toda a família se transforme e seja feliz.

 

As comunidades cristãs necessitam, por sua vez, de famílias decididas a viver e a testemunhar com coragem a beleza do seu amor abençoado e disponíveis para a missão, concretamente, ao serviço da pastoral familiar ou integrados em movimentos de preparação do matrimónio e de acompanhamento, espiritualidade e formação das famílias.

 

A Igreja, concretamente neste tempo datado da história, convocada pelo Papa Francisco a preparar o Sínodo sobre a Família e os desafios pastorais que daí advêm, deve acolher com ternura aquelas famílias que sofrem momentos de provação, situações de dor, mágoas pelas ruturas e apreensões diante do futuro.

 

Só assim é possível transformar o coração do mundo para que também aí se possa redescobrir o valor único, insubstituível e perene da família, célula essencial da vida e garantia do futuro da sociedade.

 

5.Este Dia Diocesano da Família quer fazer brilhar, através da presença e do testemunho das famílias da nossa Diocese, a alegria do evangelho no rosto e no coração de todas as famílias para que testemunhem ao mundo a alegria de serem famílias moldadas segundo o coração de Deus e enraizadas nos valores do evangelho.

 

Neste mês de maio, mês de Maria, reunidos e congregados sob o olhar terno de Nossa Senhora da Assunção de Monte Córdova, nesta bela colina de Santo Tirso, confio e consagro as famílias da nossa Diocese a Nossa Senhora.

 

Em Maria, Mãe de Deus, Mãe da Igreja e nossa Mãe, se espelha o rosto de ternura de Deus. Nela e com a sua bênção se fortalecem, se renovam e se recriam as famílias cristãs da nossa Diocese. Com Ela cantamos diariamente em toda a Diocese ao olharmos para as nossas famílias: “A minha alma glorifica o Senhor porque Ele realizou maravilhas a favor do seu povo” (Luc 1, 47-49).

 

Santo Tirso, 31 de maio de 2015

António Francisco, Bispo do Porto

 
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