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Homilia na Solenidade do Corpo de Deus PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2015

1. Reunimo-nos para celebrarmos juntos a grande festa do Corpo e do Sangue de Cristo. Celebramos com particular solenidade esta festa, prolongando, na procissão desta tarde  pelas ruas da nossa cidade, público testemunho da fé na Eucaristia.

A ceia pascal de Jesus com os discípulos é narrada por Marcos, de modo sóbrio e belo. Neste texto do Evangelho, agora proclamado, encontramos os traços dos preparativos da última Ceia de Jesus. Tudo se centra no pão, partido e repartido, no cálice do vinho tomado e bebido, frutos da terra e do trabalho humano, que, pelo Espírito Santo, se convertem no Corpo e Sangue do Senhor Jesus!

“Onde queres, Senhor que preparemos a tua Páscoa?” Perguntam os discípulos para saberem o que fazer. “Ide à cidade” diz-lhes Jesus. E dá-lhes um sinal: “encontrareis um homem com uma bilha de água. Segui-o” ( Mc 14, 12-26).

Os discípulos partiram para a cidade e encontraram tudo como o Senhor lhes tinha indicado. É no coração da cidade que Jesus quer celebrar a Páscoa. É pela multidão da cidade que Ele se vai entregar. É na colina da cidade, no Calvário,  que vai oferecer a vida na cruz. É para a construção da cidade que encaminha os discípulos. O Senhor Jesus usa, também hoje, esta mesma pedagogia de chamar os discípulos a percorrerem caminhos novos, incertos e desconhecidos de encontro com a cidade, para aí fazer acontecer a salvação.

2. A vida da fé é caminho de procura de Deus, de encontro com Jesus e é milagre da novidade que o Espírito Santo realiza pela Igreja e no coração da cidade, em cada tempo. Naquela noite do Cenáculo aconteceu algo de novo naquele andar superior da casa e naquele lugar e tempo da Humanidade: “Tomai e comei: isto é o meu Corpo”. Tomai e bebei: este é o cálice do meu Sangue, Sangue da nova aliança, derramado pela multidão. Fazei isto em memória de Mim” (Mc 14, 12-26).

A razão humana, por si mesma, ainda que muito se esforce, não consegue alcançar o que realmente acontece na Eucaristia. Vê gestos, escuta palavras, capta sentimentos, adverte o sentido manifesto, mas detém-se surpreendida pelo que está contido no pão e no vinho transformados. Só a fé nos pode levar ao coração deste mistério e ao centro deste milagre.

A Eucaristia é Pão da vida que restaura as forças e pacifica o coração, Pão do sacrifício da Nova Aliança, Pão do encontro da Humanidade com Deus. A Eucaristia é Pão da esperança que abre os olhos para ver o Ressuscitado, Pão que acende o fervor do coração e nos faz sair em missão ao encontro do mundo. A Eucaristia é Pão que sustenta e eleva o nosso olhar para o céu e desperta nos filhos pródigos a fome da misericórdia e o desejo de Deus. A Eucaristia é Pão que nos faz ser companheiros de Jesus e sentar-se à mesa do Pai para que nenhum dos irmãos seja daí excluído, Pão que se multiplica sempre que nos ocupamos em reparti-lo para a salvação de todos.

Desta certeza da fé e deste valor transbordante da Eucaristia todos participamos. A dificuldade maior que sentimos está no caminho que nos leva à Eucaristia e sobretudo no caminho que da Eucaristia nos leva em missão ao mundo.

Tantas vezes nos desviamos por outros caminhos, nos distraímos noutras ocupações e nos dispensamos deste encontro diário ou semanal com a Eucaristia. E quantos dias, os nossos caminhos em vez de começaram ou terminarem na Eucaristia se percorrem, afogados em preocupações e cansaços! Se não há para nós sacerdotes e para vós, irmãos diáconos, irmãos e irmãs consagrados e leigos, este encontro com Jesus na Eucaristia a nossa vida torna-se tíbia, inconsistente, sem beleza, sem sabor e sem sentido. É este o valor e a essência da Missa dominical, como momento de palavra, mesa de alimento, encontro de vida e fonte de missão para cada pessoa, para cada família, para cada comunidade.

3. O Senhor acompanha-nos neste caminho, mesmo sem darmos conta. Na Eucaristia há sempre um momento em que, ao partir do pão, se abrem os nossos olhos e recuperamos a memória do Seu amor. O Senhor manda-nos que nos perdoemos uns aos outros: participar na Eucaristia implica perdoarmo-nos e aceitarmo-nos. O Senhor manda-nos que demos de comer aos que têm fome: receber o Corpo do Senhor supõe o compromisso de repartir o pão com todos os irmãos.

No lava-pés, da última ceia, o Senhor manda-nos que não ponhamos limites à misericórdia, distâncias ao perdão nem fronteiras ao serviço dos humildes. Em Emaús, o Senhor chamou os discípulos à compreensão das escrituras e à necessidade de terem o coração livre e aberto para vencerem a tristeza do medo e da morte e para ultrapassarem a falta de fé na vida e na ressurreição.

Deixemos que a memória viva do Ressuscitado ganhe o nosso coração, unja de esperança a nossa vida, nos ilumine com a sua luz, nos transforme com o calor da sua misericórdia e nos sacie com o alimento da Eucaristia.

4. Depois de cada Eucaristia somos convidados e refazer o caminho da missão que nos leva ao encontro da multidão daqueles por quem Jesus entregou o seu Corpo e derramou o seu Sangue. Este é o necessário e desafiante caminho do dom da nossa vida. Assim como Jesus ofereceu a sua vida por nós assim nós saibamos repartir a vida pelos nossos irmãos.

Queremos ser Igreja do Porto que celebra e multiplica o Pão da Vida em cada comunidade cristã, organizada à volta da Eucaristia, segundo o estilo do Evangelho, para que o Senhor nos alimente, nos transforme e nos santifique.

Não queremos comer sozinhos nem o pão da Eucaristia, nem o alimento da fé nem o fruto do trabalho humano. Não podemos despedir as multidões convocadas para a mesa do Senhor, famintas da sua palavra e do seu alimento. Não podemos aceitar estatísticas que nos falem impunemente de tantos irmãos sem pão, sem esperança, sem trabalho e sem futuro e que nos deixem insensíveis, inertes e inativos.

Devemos ser comunidades que vivem, testemunham e irradiam esta força que se encontra na Eucaristia para anunciar esta verdade do Evangelho que nos fala de um reino onde se reparte com abundância o alimento do Senhor e se multiplica com justiça o pão na mesa dos pobres.

5. Pedimos a Nossa Senhora que nos ensine a procurar o Pão da Eucaristia e que nos acompanhe sempre neste caminho de missão, saboreando este Pão que nos alimenta a esperança de um mundo novo que a Alegria do Evangelho e a Eucaristia nos trazem.

 

Porto, Igreja da Santíssima Trindade, 7 de junho de 2015

António Francisco, Bispo do Porto

 
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