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Homilia na paróquia de Santo António de Corim PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2015

1.Um homem lança a semente à terra, um grão de mostarda é colocado na horta (Mc 4, 26-34). Neste cenário simples, Jesus dá a conhecer o “mistério” do reino: a sua presença discreta, a energia fecunda da semente e a força do seu crescimento. Na linguagem de Jesus, as árvores frondosas e robustas dão lugar a simples e pequenas sementes. Jesus coloca-se no lugar do humilde semeador de hortas e campos, amigo dos pobres, dos excluídos e dos simples.


A Igreja tem de perceber esta linguagem do evangelho para perceber que a sua missão nunca pode ser a da procura de grandeza mas sim a da descoberta do valor genuíno da pequena semente, que germina a seu tempo e dá frutos abundantes de vida e de santidade. As parábolas de Jesus, que S. Marcos de modo tão belo nos apresenta no evangelho, ensinam-nos esta pedagogia das coisas simples, pequenas e aparentemente de menor valor. Mas sem estas coisas simples, a vida não se constrói, a árvore não nasce, os frutos não surgem e o reino de Deus não se edifica.

O trabalho do semeador exige paciência. Quantas vezes vemos com apreensão a semente lançada à terra demorar a nascer! Quantas vezes nos preocupamos porque os frutos se retardam! Mas encanta-nos saber que a semente é a Palavra de Deus e o semeador é Cristo. A palavra de Deus mantém sempre a sua fecundidade incomparável e interpela a nossa liberdade. Nunca podemos desanimar mesmo que a semente demore a germinar ou a colheita não seja tão abundante quanto desejávamos.


Vivemos na Igreja, sobretudo nós os sacerdotes, mais chamados a semear do que a colher. Queremos fazer, na Igreja do Porto, da sementeira da alegria do evangelho a nossa missão.


2. Foi com esse sentido que nasceu a nossa paróquia, criada a 13 de junho de 1964 e integrada pelas zonas residenciais de Corim, Granja, S. Gemil, Forno, Santegões e Carreiros. Volvidos 50 anos, damos graças a Deus por esta pequena semente ter germinado, crescido e frutificado. Somos hoje uma comunidade com centenas de crianças na catequese, com dinamismo pastoral e com espírito de comunhão. Demos graças a Deus pelo caminho que fizemos e pelos sonhos de renovação e de missão que embalamos no horizonte do futuro!


Lembremos a primeira leitura de hoje. Também aqui se cumpre a Palavra de Deus: “Eu próprio arrancarei um ramo novo e vou plantá-lo. Na montanha de Israel o plantarei e ele dará frutos” (Ez 17, 22-24).


3. Celebramos hoje, nesta igreja dedicada e inaugurada a 17 de outubro de 1993, a festa de Santo António, padroeiro da nossa paróquia de Corim.


Trata-se de um dos santos mais populares de toda a Igreja, venerado em Lisboa, onde nasceu, em 1195. Venerado em Pádua, onde morreu em 1231, às portas da cidade. Venerado, com igual devoção, em todo o mundo católico.


Santo António contribuiu de maneira impressionante para o desenvolvimento da espiritualidade franciscana, com seus fortes traços de inteligência, equilíbrio, zelo apostólico e fervor místico.

Nasceu em Lisboa, de família nobre, e recebeu no batismo o nome de Fernando. Desde muito cedo ingressou nos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, primeiro em Lisboa e depois em Coimbra. Dedicou-se com muito interesse e solicitude ao estudo da Bíblia e dos Padres da Igreja. Aqui iria sustentar no futuro a base da sua pregação. Dele se diz que conhecia o evangelho de cor.


A sua vida foi marcada pela passagem por Coimbra, em 1220, das relíquias dos primeiros cinco missionários franciscanos mártires em Marrocos. Este acontecimento fez nascer no jovem Fernando o desejo de ser franciscano e partir, também ele, para Marrocos.


Tendo deixado a Congregação dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho e já aceite na Ordem dos Frades Menores Franciscanos, agora com o nome de António, partiu para África. Por causa da doença viu-se obrigado a regressar a Itália. Em Assis, conheceu S. Francisco, fundador da Ordem. Passado algum tempo, foi incumbido do ministério da pregação na Itália e na França. A pedido de S. Francisco começou depois a dedicar-se, também, ao ensino da teologia para os futuros franciscanos e lançou as bases da teologia franciscana, que S. Boaventura, Duns Scoto e outros iriam continuar e desenvolver.


Foi nomeado Superior Provincial da Itália, continuando a sua missão de pregador e de professor. Terminado o seu mandato, retirou-se para Pádua, onde faleceu em 13 de junho de 1231, com apenas 36 anos. Um ano depois da sua morte, foi canonizado pelo Papa Gregório IX, e o seu culto e veneração espalharam-se por todo o mundo.


4. De Santo António, nosso Padroeiro, quero realçar, entre muitos outros valores, dois aspetos essenciais de vida e de santidade: o seu amor à oração e à Palavra de Deus e a sua atenção aos pobres.


Para Santo António, a oração, que se alimenta da escuta atenta da Palavra de Deus, consiste em abrir com confiança o próprio coração a Deus, conversar afetuosamente com Ele, apresentar-lhe as nossas súplicas e necessidades, louvá-lo e agradecer-lhe. Só uma alma que reza pode realizar progressos na vida espiritual: este foi o objeto privilegiado da pregação de Santo António.


Por seu lado, no começo do século XIII, no contexto do renascimento das cidades e do crescimento do comércio, aumentava o número de pessoas insensíveis às necessidades dos pobres. Diante desta insensibilidade social, Santo António não se cansou de apelar para que os ricos acolhessem os pobres em suas casas e com eles repartissem o pão. Compreendemos, assim, que algumas tradições antigas, com seja o pão de Santo António, tenham prolongado no tempo este seu desvelo e cuidado com os pobres.


Também a nossa Paróquia tem presente e ativas estas duas vertentes da missão: a evangelização e o serviço aos mais necessitados. O nosso Centro Social Paroquial é também rosto desta dupla e igual missão.


5. Que Santo António, nosso Padroeiro, nos abençoe e proteja. Que nos inspire com o seu exemplo e nos faça atentos à escuta da palavra de Deus e solícitos na atenção aos pobres.


Igreja matriz de Santo António de Corim, 14 de junho de 2015

António Francisco, Bispo do Porto

 
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