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Na Festa de Santo António PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2015

1. Há dias recebi do Convento franciscano de Leiria uma pequenina embalagem com o pão de Santo António e com uma oportuna mensagem a solicitar ajuda para os pobres, a quem urge saciar a fome.


Reencontrei-me comigo a sentir que esta necessidade de pão em diferentes situações de vidas pobres continua a ser uma realidade presente à porta das nossas casas que devemos levar para dentro do coração da Igreja.


Importa buscar o pão, a casa, a justiça, o trabalho, o perdão e a paz para tantos dos nossos irmãos, a quem tanto e, às vezes, tudo falta. A Igreja do Porto continua neste caminho e prossegue nesta procura. Esta igreja dos Congregados é disso testemunha. Foi para muitos de nós a primeira igreja em que entramos à chegada à cidade, frente à estação de S. Bento, neste caminho tão belo da linha do Douro que, das suas aldeias distribuídas pelas encostas do rio, nos trazia ao Porto. A igreja dos Congregados foi a porta que primeiro se abriu diante dos nossos passos para entrarmos, dia a dia, em todas as igrejas da cidade e, agora, da diocese.

Nesta procura, em tempos de oração e por caminhos de caridade, não estamos sós. Connosco está santo António e com ele está Jesus. Melhor dito: Santo António está com Jesus. Com o Menino Jesus nos braços. E por ele, também, Jesus está connosco. Jesus é Deus connosco. Para nos ajudar a buscar juntos e a repartir com os outros o pão, a justiça, o trabalho e a misericórdia. Por aqui passam diariamente os pobres da nossa cidade; aqui entram e rezam tantas pessoas que, desta igreja fazem átrio do seu trabalho e porta da nossa cidade; aqui se demoram em silêncio os que procuram a alegria, a serenidade e a paz; aqui acorrem os que buscam, pelo sacramento da reconciliação, o perdão e a misericórdia; aqui se sentam à mesa do altar os que celebram e comungam o alimento da Eucaristia; aqui vêm os peregrinos da sabedoria das coisas de Deus.


Quero, com a minha presença, hoje, estar neste coração palpitante de vida da cidade; estar junto de todos quantos por aqui passam e aqui rezam. Senti sempre, nesta igreja, que aqui nunca estamos sós. Aqui está Deus. Aqui está o santo. Aqui está a cidade.


2. Iniciamos com esta celebração as festas religiosas nas nossas comunidades e concretamente aqui na cidade. Jesus e os santos estão com todos, mas, muito concretamente, estão com aqueles que sabem acolher os pobres, com os que sabem ser solidários. Onde há uma mão aberta que reparte o pão, aí está Jesus; onde há alguém que levanta uma casa para o pobre, aí estão os santos; onde encontramos alguém que acompanha como cireneu aqueles que transportam a cruz, aí está Jesus esculpido em rostos humanos; onde estão Nossa Senhora e os santos, que nos juntam como povo e nos congregam como irmãos para rezar, aí está Deus. O Porto, na sua alma e na sua vida, é cidade tão sensível e tão marcada por esta presença dos santos.


Os santos são inteligência, rosto e palavra da sabedoria de Deus, como nos dizia a primeira leitura. São memória, voz e nome desta sabedoria divina, presente de geração em geração (Ecl. 39, 8-14).


Os santos são discípulos missionários de Jesus. São, na bela imagem do evangelho, “sal da terra e luz do mundo”; são sabor e luminosidade, que transformam a massa amorfa e a vastidão das trevas (cf. Mt 5, 13-19).


Sempre que aqui entramos e ajoelhamos, de olhar voltado para o sacrário, encontramos Jesus. Sempre que aqui entramos, na procura da graça dos sacramentos, sentimos e sabemos que estamos diante de Deus e dele recebemos bênção de santidade e alimento de vida. Sempre que aqui rezamos e imploramos, por intercessão dos santos, que conduzam a Deus as nossas preces, encontramos a paz e a serenidade.


Aqui aprendemos, ainda, a encontrar Jesus no rosto das gentes que O procuram. A Jesus, encontramo-lo, também, no rosto dos que aqui rezam com fervor e dos pobres que aqui Lhe entregam por intermédio de santo António as suas dores numa luta constante para vencer as dificuldades e as provações. Através da alma dos pobres, vemos tantas vezes esculpida a imagem do rosto de Jesus. Tocando o coração dos pobres, aproximamo-nos dos sentimentos de Jesus.


Quando aqui entramos, queremos ver o santo. Mas quando aqui rezamos, sentimos que é santo António que nos vê e nos ouve e, por isso, daqui partimos reconfortados.


3. A igreja dos Congregados foi igreja do Oratório dos discípulos de S. Filipe de Néri, o santo da alegria. Hoje centramos a nossa devoção em Santo António. Mas, de igual modo, hoje como outrora, esta igreja situada no coração da cidade, é espaço abençoado de acolhimento, de silêncio, de oração, de paz e de perdão. Esta igreja é templo necessário da cidade e certamente um dos mais procurados para a celebração do sacramento da reconciliação. Ao aproximar-se o Ano santo da Misericórdia, aqui encontraremos sempre esta presença reconfortante de Jesus, rosto da misericórdia do Pai. Aqui sentiremos a intercessão dos santos, modelos e testemunhas do amor misericordioso de Deus. Aqui agradeceremos a disponibilidade abençoada dos nossos sacerdotes, servidores generosos do sacramento da misericórdia.


A minha presença, hoje aqui, é testemunho e homenagem de gratidão a todos quantos, desde sempre, fizeram desta Igreja santuário abençoado do pão repartido aos pobres, mesa do alimento da Eucaristia multiplicado pelos que procuram Deus de coração sincero e casa do perdão encontrado no sacramento da misericórdia divina.


Esta Igreja é um lugar para todos, porque aqui nos sentimos em nossa casa como irmãos. Não é fácil fazer das igrejas da cidade um lugar para todos. Mas é essencial que, repartindo e diversificando a nossa missão e as nossas respostas, todos encontrem nas igrejas da cidade o seu lugar, a sua casa, o seu santuário e assim se encontrem com Deus. Aqui estamos todos em casa. O Porto, cidade e diocese, tem tantas possibilidades para o alcançar. Temos tanto desejo de o conseguir. Na Igreja todos temos casa, todos encontraremos lugar, todos sentiremos abrigo.


Uma igreja é um lugar edificado com fé, porque é casa construída para Deus. É um lugar erguido com o trabalho de todos, para ser casa de todos. Por aqui passam diariamente a vida e o trabalho da cidade. Aqui a cidade confessa que precisa de Deus e agradece a sua presença.


É impressionante saber, sentir e proclamar que por aqui caminham os sofrimentos e as esperanças de tantos irmãos. Aqui renascem, também, ao acordar das manhãs ou no entardecer do dia, as forças novas que o Porto e os portuenses precisam.


Peço a santo António que nos dê o gosto da oração a Deus e o desejo de anunciar o evangelho de Jesus Nascido em Lisboa em 1195, santo António desde cedo sentiu a vontade de se dedicar a Deus e de servir o evangelho. É desta alegria do mesmo evangelho que hoje nos sentimos, também nós, mensageiros e enviados em missão.


Que santo António nos ilumine, nos abençoe e nos proteja nesta missão!


Porto, Igreja dos Congregados, 13 de junho de 2015

António Francisco, Bispo do Porto

 
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