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Na Festa de S. João da Foz PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2015

1.Respiramos neste dia de S. João o ambiente de festa que envolve a nossa Cidade. O Porto, desde o rio ao mar e desde a Ribeira à Foz, vive intensamente esta festa.

A génese desta festa, no nome e no espírito, deve-se à Igreja. E a Igreja percebe que os caminhos hoje percorridos e as manifestações agora vividas se ampliem no horizonte festivo e se estendam no seu sentido mais genuíno a toda a sociedade civil. Sabemos bem como o S. João é um dos dias mais belos e a noite mais longa do Porto.

 

E, se virmos bem, tudo isso tem encanto, sentido e valor. À Igreja pertence alegrar-se com a festa da Cidade, que todos somos. À Igreja pede-se que ilumine a alma da festa e dê sentido à alegria humana, que vivemos e partilhamos. À Igreja exige-se que nos ajude a encontrar na vida e no exemplo de S. João o valor da fé que a todos envolva, eleve, dignifique e faça felizes. Cumpre-nos, em Igreja, a nós cristãos, ler na gramática da festa as alegrias, as dores e os sonhos da sociedade e transportá-los ao coração de Deus. Importa traduzir para o nosso tempo o testemunho de vida de S. João.

2. Celebramos esta Eucaristia, em dia solene da liturgia do nascimento de S. João Baptista. João, o maior entre os filhos de homem e de mulher, como dele disse Jesus, é o Precursor do Senhor. Nascido de pais em idade avançada, ele surge como bênção de Deus para a sua Família e para o seu Povo. Deus chamou-o desde o seu nascimento para aplanar os caminhos do Salvador e ensinou-lhe as virtudes da humildade e do despojamento que eram pórtico do anúncio do Reino.

João apareceu como o ponto de encontro entre dois testamentos, o Antigo e o Novo. Representa o Antigo e anuncia o Novo. Com João nasce aquele que vai ser a voz que nos convida a ouvir a mensagem de Jesus. Quando João anunciava o Senhor, perguntaram-lhe: “Quem és tu?” E Ele respondeu: “Eu sou a voz do que clama no deserto” (Jo, 1, 23 ).

João é a voz; Jesus será a Palavra. João é a voz passageira; Cristo é a Palavra eterna. S. João continua presente e a sua voz permanece inconfundível na vida e na história da Igreja. A devoção a S. João acompanha a Igreja desde o seu início. A ele se dedicou a Igreja de S. João de Latrão, em Roma, o primeiro templo cristão da Cidade, Catedral do Bispo de Roma.

Em S. João e na sua mensagem estão, também, as raízes da alma e da vocação do Porto. Aqui cruzaram o caminhos da vida, do trabalho e da fé as populações autóctones a que se juntaram povos estrangeiros desde os romanos aos suevos e aos visigodos, desde os mouros aos cristãos. Aqui se enraizou a fé muitos séculos antes de S. João da Foz ser paróquia.

Iniciamos a celebração dos 800 anos da nossa paróquia, no passado dia 10 de maio. A Foz era, em 1216, à data da criação da paróquia, a janela do Porto aberta ao mundo. Nesta barra do Douro entravam povos vindos de longe que, desde o berço, nos ensinaram quanto vale este lugar que molda a nossa alma e faz do Porto não apenas a foz de um rio, que vem de longe, mas o início de um mar imenso, sem fronteiras e sem medos.

Aqui se reza, aqui se trabalha e aqui se contemplam o mar e o céu. Ao celebrarmos S. João Baptista, nosso padroeiro, compreendemos que, a partir da antiga ermida de S. João Batista da Foz, tenha aqui sede conjuntamente com a Sé, S. Nicolau e Vitória uma das quatro paróquias mais antigas da Cidade.

3. Recorro a uma bela crónica de Hélder Pacheco, a páginas 157 do livro Foz do Douro de 1216 a 2016 – oitocentos anos de Paróquia: “Na Foz Velha convergem…a via atlântica, nortenha, litoral, granítica, apegada ao chão. Concilia a Foz, na sua fisionomia urbana, arquitetónica e humana, tradição e renovação, passado e modernidade e projeta-se como mais-valia para a afirmação cultural e ambiental do Porto”.

Assim o sentimos também nós. Já ninguém compreenderia o Porto sem tudo quanto à Foz se deve em tantos horizontes, e concretamente, também, no campo da afirmação da fé, que aqui encontramos.

Neste dia que à Cidade pertence de maneira única, porque é o seu dia municipal, podemos e devemos dizer com Sophia de Mello Breyner Andersen: “ A cidade permanece para mim a pátria dentro da pátria, a terra materna, o lugar primordial que me funda” (Daqui houve nome Portugal, pág. 230).

É esta a missão da Cidade e o dever dos cristãos ao trazerem para o tempo, que hoje habitamos, e para o espaço, em que hoje somos, o valor da fé, que nos funda, e o sentido da religiosidade popular, que se tornou tão nossa, aqui no Porto. Sendo universal, a devoção a S. João é muito portuense. Também aqui nunca faltaram discípulos do Mestre, que ele batizou nas águas do Jordão, a quem ele indicou como Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo e por quem ele se entregou até à heroicidade do martírio.

4. Hoje somos convidados a pedir a S. João que nos faça ouvir a sua voz de profeta, e que nos ajude a procurar o Mestre, para que o Senhor escreva connosco, na Cidade e na Diocese, páginas de nova evangelização, parafraseando o título do livro do nosso Pároco, Cónego Dr. Rui Osório, a quando do seu jubileu sacerdotal. São suas estas palavras aí inscritas a partir da homilia de 29 de junho, de 2014, numa apropriada referência às festas dos santos: ”O Cristianismo aculturou-se às comunidades, na diversidade dos povos, e tentou que as festas pagãs se tornassem festas sagradas ou pelo menos sacro-profanas. É o que acontece em Portugal. O S. João Baptista, tão festejado no Porto, não tem uma celebração litúrgica significativa. No seu dia, somos nós aqui na Foz do Douro, que salvamos a honra do nosso padroeiro…Não queremos elevar a festa da Cidade a solenidade litúrgica do nosso padroeiro, mas se isso acontecesse, por consenso dos portuenses, teríamos todos a ganhar. Sem prejuízo do sentido lúdico e festivo do povo, a liturgia, celebrada com dignidade, dá beleza às culturas e às boas tradições. É o que fazemos aqui com o nosso padroeiro, S. João Baptista” (O Senhor escreva connosco, pág. 116).

5. Hoje, esta nossa festa ganha maior sentido e mais dimensão ao celebrarmos o sacramento do Batismo e do Crisma para estes irmãos e irmãs, jovens e adultos da nossa Comunidade. Com os dons do Espírito Santo, sois chamados a ser profetas de Deus, discípulos missionários de Jesus e testemunhas corajosos e felizes da missão da Igreja no mundo. Fazei da “alegria do Evangelho a vossa missão” aqui em S. João da Foz, na  nossa Diocese e em todos os caminhos que cruzardes ao longo da Vida.

Quero, caríssimos crismandos, com a minha presença estar convosco nesta hora de bênção, de graça e de compromisso cristão. Quero estar junto dos vossos pais, dos vossos catequistas, da vossa comunidade, do nosso pároco e de todos quantos vos ajudaram a avançar na vida e a crescer na fé, ao longo do percurso que vos fez chegar aqui e daqui partir em missão. Aqui está Deus convosco. Aqui está S. João, nosso padroeiro, para vos abençoar. Aqui estão a Cidade e a Diocese, em dia feliz de festa.

Que S. João vos ilumine, vos abençoe e vos proteja!

 

Porto, Igreja de S. João Baptista da Foz, 24 de junho de 2015

António Francisco, Bispo do Porto

 
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