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Homilia na festa de Nossa Senhora das Dores - Trofa PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2015

Irmãos e irmãs

1. Quero partilhar convosco a minha alegria neste dia de festa e comungar a mesma fé vivida e centrada na Eucaristia. Somos família humana e comunidade cristã, congregadas para celebrar a Eucaristia em dia de festa da Mãe de Deus, Mãe da Igreja, Mãe desta nossa cidade da Trofa. Não é difícil sentir-se em casa nesta terra tão acolhedora e hospitaleira!

Quero estar convosco, como irmão e como bispo, para que sintais que é minha também esta abençoada devoção à Mãe de Deus, Senhora das Dores. Inspiram-se os passos que aqui me trazem nos gestos e nas palavras do Papa Francisco, que todos os anos se fazia peregrino, quando Arcebispo de Buenos Aires, dos Santuários marianos da sua Diocese para confiar o seu ministério à proteção de Nossa Senhora. Aí colocava o seu ministério de bispo nas mãos da Mãe de Deus. O mesmo fez, no início do seu pontificado, como bispo de Roma, colocando um ramo de flores diante da imagem de Nossa Senhora, na Basílica de Santa Maria Maior, que ali se invoca como Mãe do Povo Romano. Um gesto simples mas cheio de sentido e pleno de significado.

 

A Basílica de Santa Maria Maior é para o povo de Roma não apenas o lugar principal de culto dedicado a Nossa Senhora mas também um lugar muito procurado como espaço de oração. Significa para o povo romano o que significam tantos santuários marianos, distribuídos pela geografia cristã de todo o mundo. Assim também connosco aqui no coração deste promissor, empreendedor e cristão concelho da Trofa

2. A Capela de Nossa Senhora das Dores é, desde 1766, um lugar de peregrinação. É casa de Deus, onde sentimos o amor de Deus, nosso Pai; onde nos encontramos com Jesus, seu Filho; onde invocamos o Espírito Santo, numa expressão de fé muito presente na Trofa. É berço e escola, onde regressamos para nos abeirarmos da nossa Mãe, a Senhora das Dores. É um solar mariano, à boa maneira das nossas Terras de Entre Douro e Minho, moldado pela ternura e bondade da Mãe da Igreja. É casa e mesa de família, onde hoje nos reunimos como irmãos. Os andores, que percorrerão esta tarde as ruas da nossa cidade, são torres, de mãos erguidas para Deus.

Vimos hoje aqui, também nós, rezar para que Maria, a Mãe de Jesus, nos leve a estar cada vez mais voltados para o seu Filho e cada vez mais unidos aos nossos irmãos, sobretudo àqueles que mais sofrem. Invocamos Nossa Senhora, como Senhora das Dores, porque precisamos que Ela faça suas, as nossas dores. Comovo-me sempre ao ver tantas mães que levam, por entre lágrimas e dores do coração, o sofrimento dos seus filhos e transportam consigo as alegrias e as dores das suas terras.

Estar aqui convosco é sentir-me em casa aos pés da Mãe, a Senhora das Dores. Esta capela guarda, como um tesouro, a memória da Trofa que sabe que Maria é Mãe e está sempre junto do seu Povo. Esteve e está nas nossas casas, nas nossas escolas, nas nossas empresas, nos nossos lares e hospitais. Esteve e está nos nossos trabalhos, dores e canseiras, nos nossos caminhos, sonhos e projetos.

3.Maria está nas nossas Comunidade cristãs e ajuda-nos a crescer na fé e a orientar a vida pelos caminhos do bem e da serenidade, mesmo em momentos de dor e de adversidade. Ajuda-nos igualmente a manter firme a esperança nesta hora difícil em que o desemprego, as desigualdades sociais, a pobreza e o medo diante do futuro batem injustamente à porta de tantas famílias.

Uma Mãe auxilia os filhos a crescer e deseja que cresçam bem; se tornem capazes de assumir responsabilidades e de abraçar grandes ideais. Maria ajuda-nos a enfrentar as dificuldades, a viver as dores e a perdoar as ofensas que surgem a cada passo do nosso caminho.

“A vida não é uma auto-estrada sem dificuldades”, disse-nos, logo no início do seu pontificado, o Papa Francisco, na oração que fez diante da imagem de Nossa Senhora, na Basílica de Santa Maria, em Roma.

4.Também Maria viveu momentos difíceis na sua vida, desde o nascimento de Jesus, quando «não havia lugar para eles na hospedaria» (Lc 2, 7), até ao Calvário, na hora da morte de Jesus (Jo 19, 25).

A vida de Maria é um hino de amor à vida, à esperança, à coragem e à fidelidade a Deus. Maria é a Mãe que nos convida para a missão neste tempo da Igreja, que hoje aqui de novo lhe confio e consagro. Não me cansarei de fazer da “Alegria do Evangelho” o critério, o programa e o paradigma do meu ministério de bispo, para que seja essa também a missão de toda a Igreja do Porto.

Sabemos que a nossa casa é o mundo, a nossa arma é o amor, a paciência e a misericórdia e que temos todos, na mão e no coração, uma grande missão. A festa de Nossa Senhora das Dores trouxe-nos aqui mas não termina aqui. Nossa Senhora das Dores recebe-nos aqui com seu coração materno que nos anima e fortalece. Daqui nos reenvia com a sua bênção da Mãe para novas etapas de missão.

Nas estradas humanas, tantas vezes sombrias e dolorosas, percorridas com a alma a sangrar, ela é luz de esperança que nos ilumina e orienta no caminho. Vivemos tempos de profundas e rápidas mudanças, marcadas por conflitos, injustiças e crises de toda a ordem, mas que reforçam em nós este apelo a sermos, como Maria, rosto de serenidade, escola de paz, e bênção de esperança.

Com Maria, a Igreja, firme e sem medo, sabe em Quem acredita. Deus é Pai de misericórdia, revelado em Jesus Cristo, seu Rosto, que nos espelha a sua ternura e bondade no rosto materno de Maria. A Igreja não pode ser outra coisa senão esta mesma Mãe de rosto terno e de coração materno aberto ao mundo para a todos acolher.

Que a vida de cada um dos cristãos, de cada uma das comunidades se deixe renovar pelo amor da Mãe de Deus. Não há outro caminho para a esperança, para a alegria e para a felicidade senão o caminho do amor, da misericórdia e do perdão, que nasce do coração de Deus e se espelha no rosto terno e materno de Maria, a Senhora das Dores.

Dai-nos coragem, Senhor, para confirmar e conduzir, pela oração e pela ação, a Igreja, para que seja uma Igreja atenta à Vossa voz e aberta aos problemas humanos e às exigências do nosso tempo.

A festa de hoje, celebrada um dia depois da solenidade da Assunção de Nossa Senhora ao Céu, impele-nos a elevar o nosso olhar ao Céu. Não se trata de um Céu feito de ideias abstratas, nem sequer de um Céu imaginário criado pela arte, mas de um Céu de uma realidade autêntica, que é o próprio Deus. Deus é o Céu. Ele é a nossa meta e a nossa morada eterna. De onde vimos e para onde vamos.

Maria, Senhora das Dores, enquanto nos acompanhas nas dificuldades do nosso viver conserva-nos firmes na fé, unidos na comunhão e decididos a fazer da nossa terra verdadeira pátria das bem-aventuranças, onde habitem os humildes, os pobres, os puros de coração, os misericordiosos e os construtores da justiça e da paz.

5.”Vinde comer do meu pão e beber do vinho que vos preparei“ (Prov 9, 1-6), proclama a Sabedoria. Esta voz da Sabedoria que ouvimos na primeira leitura é a mesma voz do Senhor de que nos fala o evangelho e nos diz “a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida” (Jo 6, 51-58).

Nas alegrias e nas dores aprendamos sempre com Maria, nossa Mãe e Padroeira, a ouvir a voz da sabedoria de Deus e a comungar o Pão da Vida, que é Cristo celebrado na Eucaristia.

Nas alegrias, trabalhos e sofrimentos, nas esperanças, sonhos e projetos anunciemos a bênção, a intercessão e a proteção de Maria, Senhora das Dores, nas nossas famílias, na nossa cidade da Trofa e na nossa Diocese do Porto.


Capela de Nossa Senhora das Dores, Trofa, 16 de agosto de 2015

António Francisco, Bispo do Porto

 
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