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Homilia na festa de S. Bartolomeu PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2015

1.A vila e o concelho de Baião vivem hoje o seu dia municipal. Celebramos com devoção a festa litúrgica de S. Bartolomeu, nosso padroeiro, e unimo-nos com alegria a todos os habitantes que aqui nasceram, aqui vivem ou daqui partiram pelos caminhos da emigração.

Vivemos como sociedade civil e como Igreja as alegrias da nossa história e partilhamos as vicissitudes do mesmo percurso. Tudo nos diz muito, em Baião: a terra, as pessoas e as instituições; a memória, a identidade e o presente; as realizações, as alegrias e as esperanças.

 

Formamos a mesma família humana, plena de valores e de projectos, e temos consciência de sermos, em cooperação e em convergência, construtores de uma cidadania responsável e solidária, neste chão sagrado e nesta terra debruçada sobre o Douro.

2. S. Bartolomeu, apóstolo e santo, natural de Caná, na Galileia, de quem Jesus diz que “é um verdadeiro israelita, sem dolo nem fingimento” ( Jo 1, 45-51) ajuda-nos nesta missão e ilumina-nos neste caminho.

Habituei-me, desde criança, a ouvir falar desta festa e a ver vizinhos meus, da outra margem do Douro, que partiam a pé como peregrinos e devotos rumo a Baião, para aqui celebrarem o nosso santo padroeiro. Eu próprio aqui vim com a minha família, trazido por igual devoção.

S. Bartolomeu é uma presença que assinala o belo testemunho deste discípulo de Jesus, e afirma a devoção dos cristãos de Baião e de tantas terras vizinhas pelo seu padroeiro. Pedimos a S. Bartolomeu que nos liberte do mal, nos defenda dos que nos querem mal e nos proteja diante do autor do mal.

3. Neste solene testemunho de veneração e de homenagem a S. Bartolomeu expressa-se, também, a gratidão de todos nós pelo bem, pelo trabalho e pela fé dos homens e mulheres que edificaram a nossa vila e fazem do nosso concelho uma terra de desenvolvimento e de progresso, consolidando os valores genuínos das nossas gentes, que moldaram a identidade e a fé do povo que hoje somos.

A Igreja tem consciência da responsabilidade que emana da missão recebida de Cristo para ser no coração da cidade humana sinal de esperança, promotora de uma cultura de humanidade e certeza da presença de Deus. “Eis a morada de Deus com os homens. Deus habitará com os homens: eles serão o seu povo e o próprio Deus, no meio deles, será o seu Deus” (Ap 21, 3).

Evangelizar, à maneira dos apóstolos, com novo ardor e revigorado entusiasmo, é o primeiro e maior serviço que a Igreja presta à vida das pessoas, das famílias e das terras que habitamos. Aqui nasce a fé em Deus e o sentido de pertença a uma comunidade; daqui partem as iniciativas pastorais nas várias frentes da missão que a Igreja recebeu de Cristo; daqui devem irradiar as decisões e actividades multiplicadas no tempo da nossa história. Este objectivo preside ao Plano de Pastoral da nossa Diocese do Porto para este quinquénio, na perspectiva de uma Igreja que assume o anúncio e o testemunho “da Alegria do Evangelho como missão”.

4. Sabemos que a hora que vivemos, marcada por circunstâncias e acontecimentos que toldam o horizonte de esperança do mundo contemporâneo, exigem da Igreja que consiga mobilizar pessoas, grupos, movimentos apostólicos e comunidades para, em conjunto com a sociedade civil, construirmos com renovada esperança um mundo melhor.

São campos específicos deste mundo melhor com que sonhamos: a vida humana, a família, a educação, a solidariedade social e a solicitude atenta aos doentes, aos desempregados e aos pobres.

Nestes campos, como em tantos outros, precisamos de abrir as portas das nossas casas aos que nos procuram. Devemos ser casa onde a palavra, o pão e o trabalho se multiplicam e se transformam em alimento de vida, em sinal de esperança e em experiência de fraternidade para todos.

Neste “ano jubilar da misericórdia”, convocado pelo Papa Francisco, e frente ao clamor de tantos irmãos nossos que procuram uma pátria, em terra de pão e de liberdade, devemos lembrar-nos que também os nossos antepassados foram emigrantes em terras estrangeiras. Muitos de nós não seriam o que hoje somos sem esta aventura que levou os nossos pais e avós pelos caminhos da emigração noutros países e continentes.

Hoje, somos nós chamados a abrir as portas fechadas da Europa. Não permitamos que o Mediterrâneo afogue como cruel Adamastor a alma e a esperança dos que lutam pela vida e pela paz. Não deixemos construir barreiras à liberdade de emigrar. Não ergamos muros onde devíamos construir pontes, abrir portas e aproximar pessoas.

Temos casas paroquiais devolutas e sem uso. Temos casas pessoais desocupadas. Possuímos terras férteis por trabalhar. Sejamos criativos e empreendedores para que as nossas casas, terras e empresas de onde tantos outrora saíram, despovoando o interior do nosso país, se transformem em casas que acolhem, em campos trabalhados e em empregos criados.

Não há país do mundo onde não haja portugueses e europeus emigrantes. Porque teme a Europa e porque receia Portugal que haja pessoas que aqui sonham encontrar pão, casa, trabalho, liberdade e futuro digno para as suas famílias? Serão sempre bem-vindos os que vierem por bem!

Lembremos o bem realizado durante a segunda grande guerra mundial, quando Portugal recebeu as crianças da Áustria, filhas de pais combatentes e de famílias destruídas. Recordemos a nossa capacidade de receber e integrar os retornados de África. Louvemos o exemplo pioneiro da Misericórdia do Porto que se dispõe a receber 20 imigrantes, oferecendo-lhes casa e trabalho.

São bem oportunas as palavras de Paulo na segunda leitura de hoje: “já não sois estrangeiros nem imigrantes, mas sois concidadãos dos santos e membros da casa de Deus, edificados sobre o alicerce dos apóstolos e dos profetas, tendo por pedra angular o próprio Cristo Jesus ( Ef 2, 19-22).

5. Estamos neste campo também em comunhão com o Santo Padre, o Papa Francisco, que nos lembra que os migrantes e os refugiados nos interpelam a abrir “os nossos olhos para ver a miséria do mundo e o sofrimento de tantos irmãos e irmãs privados de dignidade, nos provoca a escutar o seu grito de ajuda e nos merecem que trabalhemos para os acolher” (Mensagem para a Jornada Mundial dos migrantes e refugiados de 2016).

Esta Terra que habitamos, outrora Terra de emigrantes que daí partiram em todas as direcções do Mundo e aí nos honram e enobrecem com o seu trabalho digno e honesto, deve ser hoje casa comum de todos os que nos procuram. A nossa fé deve fazer-nos construtores do diálogo inter-religioso com os que têm outros credos. Sejamos como cristãos, primeiros e permanentes mensageiros da paz, da misericórdia e do diálogo entre os povos.

Queira Deus fortalecer cada vez mais a alma da nossa Terra, ou seja o amor filial a Deus e o respeito recíproco e fraterno entre os seus habitantes, para que cada família, cada rua, cada lugar e cada paróquia se tornem uma comunidade, onde ninguém se sinta sozinho, rejeitado, estrangeiro ou desprezado.

Que S. Bartolomeu nos proteja nesta missão e nos abençoe neste caminho.

Igreja matriz de Campelo, Baião, 24 de agosto de 2015

António Francisco, Bispo do Porto

 
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