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Homilia na Eucaristia de memória dos Bispos, Sacerdotes e Diáconos do Porto PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2015

1.A Igreja celebra hoje a festa litúrgica dos Arcanjos S. Miguel, S. Gabriel e S. Rafael. Os Anjos vivem para louvar a Deus, cantar as suas maravilhas e ser presença divina junto de nós.

Os Anjos aparecem na vida de Jesus, desde a anunciação em Nazaré até à sua ressurreição em Jerusalém. Encontramo-los no campo dos pastores, em Belém, a anunciar a alegria do nascimento de Jesus. Jesus é assistido por eles no deserto e aceita o seu auxílio no momento da agonia. Vemos finalmente os Anjos a tranquilizar as pessoas surpreendidas e tristes diante do sepulcro vazio, após a ressurreição.

São ainda os Anjos que se apressam a dar ânimo aos discípulos no momento da ascensão aos Céus, para lhes assegurar que aquela era a hora da missão e não do medo, diante da aparente orfandade em que o Senhor Jesus os deixava.

Os Anjos são, assim, sinal da presença e da bondade de Deus, trazendo-nos as boas notícias de Deus, protegendo-nos em nome de Deus e abrindo caminho a acontecimentos divinos, como aconteceu em Fátima.

 

A Igreja, consciente desta presença e fortalecida pela intercessão dos Anjos, como rezávamos na oração inicial desta Eucaristia, diz-nos que os Anjos afirmam a bondade e a ternura de Deus no mundo e irradiam o seu amor na luta contra o mal.

2. É desta mesma bondade e ternura de Deus, a que chamamos bem-aventurança, merecida e encontrada por todos quantos nos Céus habitam, que acreditamos ver participar os bispos, sacerdotes e diáconos que hoje aqui recordamos.

Trago-vos a bênção do Santo Padre, o Papa Francisco, com quem nós bispos, que servimos a Igreja do Porto, estivemos em Roma, na Visita ad Limina, e inspiro-me na sua bela mensagem aos bispos da América, na semana passada, para recordar os nossos bispos que edificaram a Igreja viva que hoje somos e ajudaram a moldar a alma portuense e a cultura da nossa terra.

Evocamos com acrescido afecto os mais recentes e por isso mais presentes, porque deles ouvimos a voz, sentimos a graça divina e recebemos os sacramentos. Abracemos a sua memória com o olhar agradecido do nosso coração, porque o seu nome tantas vezes por nós repetido na Eucaristia que celebramos ou em que participamos não era mero nome pronunciado mas era sinal de vidas dadas por inteiro a esta Igreja, Esposa de Cristo.

Esta iniciativa de memória e de gratidão é um cântico de ação de graças a Deus pela vida e pela missão dos bispos, presbíteros e diáconos que, pelo ministério ordenado, fizeram crescer a Igreja do Porto nesta extensa geografia pastoral diocesana.

Aprendemos com eles a acolher a novidade do Evangelho de que eles se fizeram discípulos missionários, abrindo caminhos de dinamismo pastoral desde as mais pequenas aldeias do interior diocesano aos grandes espaços urbanos nascidos ao ritmo do tempo e das transformações sociais mais recentes. Queria ser voz e testemunho “em continuidade com tudo aquilo que os meus Antecessores vos deram” (1).

3. Lado a lado com os nossos bispos, na comunhão sacramental e na colaboração pastoral, estiveram sempre os sacerdotes para que todas as comunidades pudessam afirmar a identidade comum que uns e outros devem procurar “no rezar com assiduidade, no pregar (Act 6, 49) e no apascentar ( Jo 21, 15-17; Act 20, 28-319”, aprendendo a olhar “para os horizontes de Deus, que ultrapassam tudo o que nós somos capazes de prever e planificar” (2).

Bispos e presbíteros procuraram ser “pastores, de coração indiviso e entrega irreversível”. Verdadeiros pastores que “não se apascentaram a si mesmos, mas souberam esconder-se, diminuir, descentralizar-se, para alimentar de Cristo a família de Deus”. Pastores a “quem nunca faltou a coragem serena de confessar que «é preciso trabalhar, não pelo alimento que desaparece, mas pelo alimento que perdura e dá a vida eterna» ( Jo 6, 27) (3).

4. Associados ao ministério episcopal estão desde há 23 anos na nossa diocese os diáconos permanentes. Agradecemos ao Senhor este dom oferecido à Igreja neste tempo pós-conciliar. Alguns deles já partiram ao encontro de Deus. Sabemos quanto lhes devemos no serviço da palavra, do altar e da caridade nestes tempos tão necessitados da Alegria do Evangelho, do Pão da Eucaristia e da presença activa da Igreja na vanguarda da missão junto dos mais pobres e dos que mais sofrem.

Uns e outros, bispos, presbíteros e diáconos, cuja memória hoje evocamos, foram “sacramentos vivos do abraço entre a riqueza divina e a nossa pobreza e testemunhas da condescendência de Deus que se antecipa, no amor à nossa primeira resposta” (4).

5. É dando valor a esta primeira resposta ao chamamento de Deus que esta celebração de memória dos nossos bispos, presbíteros e diáconos ganha sentido vocacional que nos faz acreditar que neste campo fecundo, que é a nossa Diocese, semeado pela vida, pela fé, pela oração, pela pregação, pelo testemunho e pelo ministério daqueles que hoje recordamos, hão-de surgir novas e generosas vocações para a vida sacerdotal, religiosa e missionária. A presença dos seminaristas nesta celebração é um belo e evidente testemunho disso mesmo e verdadeiro incentivo à nossa oração e à nossa esperança.

6. Pela Eucaristia, memorial vivo e santo da Páscoa e memória abençoada de gratidão, passa sempre o caminho da Igreja. Com acrescida razão na proximidade do Jubileu da Misericórdia, este caminho da Igreja tem de aprender de Jesus o sentido e o sabor das Bem-aventuranças, recordando-nos que dos simples, pobres, puros de coração, misericordiosos, humildes, justos e construtores da paz Jesus fez os bem-aventurados do Reino dos Céus.

É nesta chave de bem-aventurança que hoje queremos recordar os bispos, sacerdotes e diáconos e pedir-lhes que sejam junto de Deus bênção para a nossa diocese.

7. Deus nos abençoe e os santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael nos guardem e protejam!

Porto, 29 de setembro de 2015, no aniversário da morte de D. Armindo Lopes Coelho.

António, Bispo do Porto

NB. As citações são do Discurso do Santo Padre aos Bispos da América, em 23.9.2015

 
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