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Homilia na Solenidade de Jesus Cristo Rei e Senhor do Universo PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2015

1.Celebramos a solenidade litúrgica de Jesus Cristo, Rei e Senhor do Universo. O Evangelho de hoje lembra-nos que o reino de que somos membros e a realeza de Jesus, agora celebrada, não são feitos de grandeza nem de poder ou de ambição. Jesus, Rei e Senhor, não possui cetros nem tronos. O seu reino é reino de amor e de serviço.

Aqui reside a distinção entre o reino de Deus e aquilo a que nos habituou o mundo com os seus reinos, ideologias e impérios que foi fazendo e desfazendo, construindo e desconstruindo, impondo e desmoronando, criando e levando a ruir. Aqui devemos encontrar também a diferença entre o que Jesus nos propõe e as solicitações do mundo e do tempo, que por vezes, em momentos menos lúcidos, nos levam a prender-nos ao poder, à riqueza, às aparências ou aos interesses pessoais momentâneos, em vez de nos dedicarmos, com uma vida simples, humilde e desprendida, ao serviço dos mais simples e dos mais pobres.

 

Não deve ser para nós indiferente que a liturgia tenha escolhido este texto do Evangelho ao concluir e ao completar o ano litúrgico e faça dele uma espécie de síntese da palavra de Deus proclamada ao longo de todo o ano. Somos convidados a perceber que a vida de Jesus, a sua palavra e a sua herança se consubstanciam neste reino que anuncia a boa nova aos pobres e aos retos de coração.

2. Jesus foi reconhecido como Salvador e como Rei no auge da cruz, através do olhar crente do centurião romano que, ao ver como Jesus dá a vida, numa total fidelidade e obediência à vontade do Pai, reconhece que Ele é o Filho de Deus.

Deve ser assim connosco! Só quando damos a vida, quando somos servos, quando nos entregamos à missão é que contribuímos para a salvação do mundo, para a construção do reino de Deus e para a vida da Igreja.

Estamos à porta de um novo ano litúrgico que será marcado pela celebração do Ano da Misericórdia. Sob esse signo compreenderemos ainda mais o que hoje nos diz o Evangelho. O amor e o serviço a que somos chamados como construtores de um reino novo e de mundo melhor são o rosto humanizado da bondade, da ternura e da misericórdia de Deus. Encontraremos em Jesus, o Filho de Deus, a porta da misericórdia divina. Pertence-nos viver, anunciar, celebrar e testemunhar esta misericórdia que constitui a essência do Reino de Deus e o desígnio da missão da Igreja.

A Caminhada de Advento-Natal, proposta à Diocese, vai ajudar-nos a viver este sentido de serviço e esta dimensão de entrega da vida a Deus para bem dos irmãos, fazendo-nos perceber que:  “Há mais alegria em dar-(Se)”.

Os gestos, os desafios, as atitudes e os valores a que somos convidados na Caminhada de Advento-Natal levam-nos a compreender como podemos fazer das nossas vidas, dos lugares que habitamos e dos projetos humanos e pastorais que desenvolvemos presépios onde Jesus nasça, para que o Natal aconteça no coração de cada pessoa, de cada família e de cada comunidade.

3. Reúne-se a Igreja do Porto, nesta solenidade, todos os anos, para celebrar a instituição de ministérios de Leitor e de Acólito. Temos connosco candidatos ao diaconado permanente e alunos dos nossos Seminários diocesanos, Seminário Maior da Senhora da Conceição e Seminário Redemptoris Mater, destinados ao presbiterado, na nossa Diocese.

Juntam-se a nós, e recebemo-los com grande alegria, alunos do Seminário de Valadares da Sociedade dos Missionários da Boa Nova. A uns e outros, conhecendo o seu caminho e percebendo a sua vontade, a Igreja pede que recebam estes ministérios.

Um ministério instituído é um serviço a que a Igreja nos chama e para o qual nos consagra como forma e meio de realizar mais eficazmente a sua missão no mundo.

Pede-se aos Leitores que leiam a Palavra de Deus, a proclamem e concretizem na vida como discípulos missionários de Jesus, mensageiros felizes do Evangelho e profetas do seu Reino.

Espera-se dos Acólitos que sirvam o Altar de Deus, com a dedicação experimentada por aqueles que tocam de perto o sagrado e sentida na proximidade da presença de Deus no meio do seu Povo.

A Igreja do Porto agradece a Deus, caríssimos irmãos que ides receber o ministério de Leitor e de Acólito, o dom da vossa disponibilidade para servir e a bênção que constituís para as vossas famílias e comunidades, assim como testemunha, pela minha voz, a gratidão a todos quantos vos acompanham na formação e vos alavancam diariamente no discernimento da vocação e na generosidade da decisão livre rumo ao diaconado e ao presbiterado.

4. É com este mesmo sentido de serviço e com este igual exemplo de obediência que hoje vivemos esta celebração como momento maior e público de ação de graças a Deus e de gratidão a D. João Lavrador, antes de partir para os Açores.

Queremos dizer-lhe a nossa comunhão de irmãos; expressar-lhe o nosso reconhecimento pelo bem que nos deixa nestes mais de sete anos de ministério episcopal no Porto; afirmar-lhe o reconhecimento pelo exemplo que a todos nos oferece ao assumir com serenidade e prontidão a bela e exigente missão a que a Igreja o chama e que o Papa Francisco lhe confia.

A nossa vida como pessoas e a nossa história como Igreja são tecidas dos momentos em que sabemos juntar a alegria que nos dão os que em cada dia chegam, em passos significativos de disponibilidade para novos ministérios, à gratidão e pelo testemunho a cada hora recebidos dos que partem com liberdade e coragem para a nova missão.

Esta é a bela experiência de uma Igreja de portas abertas, que diariamente acolhe com alegria os que entram na Igreja, lhes confia serviços e ministérios e sabe acompanhar com igual dedicação os que partem para novos horizontes, como se a sua vida cristã e a sua missão eclesial aí começassem de novo com o encanto da primeira hora e o entusiasmo dos primeiros passos.

Assim se constrói a história de cada tempo e de cada terra. A Igreja do Porto não seria o que hoje é sem o testemunho, a dedicação, a alegria, a disponibilidade e a entrega, numa palavra, sem a vida dada por inteiro, de todos quantos, de forma mais sentida ou de modo mais discreto, edificam o reino de Deus, como reino de verdade e de vida, de santidade e de graça, de justiça, de amor e de paz (Prefácio da Missa de hoje).

Entre muitas referências de construtores do reino de Deus e nesta proximidade e comunhão da Igreja do Porto com a Igreja dos Açores, que a partir de agora mais se fortalece e estreita, quero evocar a memória de D. António Augusto de Castro Meireles, membro do nosso presbitério diocesano, que foi ordenado presbítero e bispo, nesta Catedral, e daqui partiu para os Açores, em 1924, como Bispo de Angra.

D. João Lavrador vai encontrar na vida e na história da Igreja dos Açores a memória, a bênção e a ação pastoral deste grande bispo, que também foi nosso bispo desde 1929 a 1942, ano em que faleceu, com apenas 57 anos.

5. Aí te acompanharemos, caríssimo D. João, com a oração e na comunhão da Igreja que serviste. Pedimos-te que rezes também por nós, teus irmãos bispos, por esta amada Igreja do Porto, com os seus presbíteros, diáconos, seminaristas, consagrados e leigos, com os seus sonhos, projetos e esperanças e pela acolhedora Comunidade humana que aqui encontraste nos caminhos da missão.

Porto, Sé Catedral, 22 de novembro de 2015

António, Bispo do Porto

 
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